Por Vítor Costa: Quem não consegue conviver com o divergente, não deveria estar na política!


Recentemente circulou nas redes sociais e também exibido pelo Divinews, um vídeo onde o prefeito de Divinópolis, ao acompanhar o funcionamento de uma indústria siderúrgica, pede para o cinegrafista filmar o processo de derretimento do aço. No que acredito ser uma brincadeira infeliz, o alcaide compara o metal derretido com o que ele irá fazer com a oposição. Ter opositores não é ter inimigos, quem cultiva essa ideia, certamente não sabe o valor de uma boa oposição no parlamento, na mídia ou nas urnas.

Em um regime democrático, a oposição é tão legítima quanto o governo. Não podemos confundir o antagonismo político com um adversário, ideia essa que é difundida equivocadamente de forma a banalizar os princípios fundamentais de uma oposição saudável, baseada no bom senso e em uma discussão de alto nível. Fica com a oposição a responsabilidade e o dever de fazer o contraponto, fiscalizar a administração, denunciar, apontar equívocos, pautar as demandas e insatisfações da população, não somente criticar, mas também sugerir novos caminhos e diretrizes. Dentro da oposição não existe lugar para o oportunismo, pois para ela é negado os benefícios da base, e em muitas vezes quando a opinião da oposição sequer é levada em consideração, não se dá por falta de argumentos, mas porque o executivo numa coalizão majoritária a silencia com seu poder.

Na história brasileira, durante os 21 anos da ditadura militar, após o Ato institucional nº 2, o Brasil se tornou um país bipartidário e todos os outros partidos foram extintos. Existiu uma oposição feita pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) a Aliança Renovadora Nacional (Arena) partido do regime, mas tal oposição era a única consentida pela ditadura, qualquer movimento ou opinião fora do tolerado resultava em repressão, prisão, tortura ou desaparecimento daqueles que se opuseram ou mantiveram o comportamento crítico ao poder estabelecido. Com o fim da ditadura, após a promulgação da constituição de 1988 o Brasil volta a ter garantia do direito a manifestação de opinião e imprensa, se tornando um estado democrático de direito.

Não existe governo que seja perfeito. Quando não existe oposição, não existe espaço para a crítica, muito menos fiscalização, com isso não há uma busca pela excelência, o governo terá liberdade para agir sem ser confrontado. Um executivo maturo, que reconhece a relevância dos opositores, sempre os mantém por perto, não com a intenção de silencia-los ou comprá-los, mas porque a oposição quando bem feita aprimora a administração, aprimora o projeto de governo, traz inclusão, resultando na aprovação popular.

“A falta de oposição competente é um mal para a democracia. Facilita governos majoritários e manipuladores.” – Sérgio Blattes

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