MP abre apuração sobre documentação de apartamentos do Alto São Vicente; Prefeitura de Divinópolis diz que já apresentou esclarecimentos

Notícia de Fato foi aberta pela 3ª Promotoria de Justiça de Divinópolis para apurar suposta irregularidade no fornecimento da documentação dos apartamentos entregues após desapropriação; Prefeitura afirma que já prestou esclarecimentos e que 13 minutas de escrituras aguardam conferência e assinatura

Publicado por: Geraldo Passos

O Ministério Público de Minas Gerais abriu uma Notícia de Fato para apurar uma suposta irregularidade no fornecimento da documentação relacionada aos apartamentos construídos para a realocação de moradores do Bairro Alto São Vicente, em Divinópolis. O procedimento foi registrado em 9 de julho de 2026, encontra-se aberto e tramita na 3ª Promotoria de Justiça, na área de Direitos Humanos. Procurada pelo Divinews, a Prefeitura informou que já apresentou esclarecimentos e documentos ao Ministério Público.

Conforme a consulta pública apresentada ao Divinews, o procedimento recebeu o número 02.16.0223.0411408/2026-60. A descrição informa que a finalidade é “apurar a suposta irregularidade no fornecimento de documentação pertinente a cada unidade habitacional/apartamento construído para a realocação dos moradores do Bairro Alto São Vicente, em razão de desapropriação”.

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O registro mostra que, no mesmo dia da abertura, foram lançados os andamentos de juntada, autuação, distribuição e expedição de ofício. Por se tratar de uma Notícia de Fato, a abertura do procedimento representa o início da análise ministerial e não significa, por si só, confirmação de irregularidade ou responsabilização da Prefeitura.

Caso habitacional se arrasta há anos

A situação das famílias do Alto São Vicente acompanha a história recente da política habitacional de Divinópolis. Moradores da região enfrentaram desapropriações, aluguel social, atrasos e sucessivas discussões sobre a construção de imóveis para reassentamento.

Em 2016, o Divinews já havia registrado a insatisfação de moradores do Alto São Vicente que aguardavam solução habitacional, após anos de espera por providências do poder público.

Naquele período, famílias chegaram a reconstruir moradias em áreas consideradas de risco, diante da demora na solução definitiva. O caso também provocou protestos e questionamentos sobre o aluguel social concedido às pessoas retiradas das antigas residências.

Também em 2016, o Divinews mostrou a revolta de famílias diante da possibilidade de suspensão do aluguel social para moradores desapropriados.

Apartamentos foram anunciados para 24 famílias

Em 2018, a Prefeitura publicou norma voltada à construção de unidades habitacionais para os moradores atingidos. Na época, a previsão indicava que 24 famílias do Alto São Vicente seriam beneficiadas com apartamentos.

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O projeto buscava encerrar uma longa espera por moradia definitiva. No entanto, a abertura da Notícia de Fato pelo Ministério Público mostra que ainda existem questionamentos relacionados à documentação individual das unidades entregues aos beneficiários.

A apuração ministerial se concentra, conforme o registro público, no fornecimento dos documentos pertinentes a cada apartamento. O procedimento poderá reunir informações, ouvir envolvidos e avaliar se a regularização foi feita de maneira adequada.

Prefeitura diz que apresentou esclarecimentos

O Divinews procurou a Prefeitura de Divinópolis para garantir o contraditório. Em resposta, a diretoria de comunicação informou que o Executivo já foi notificado pelo Ministério Público e apresentou documentos referentes ao processo de regularização.

“A Prefeitura de Divinópolis informa que, após ser notificada pelo Ministério Público, prestou todos os esclarecimentos e apresentou a documentação referente ao processo de regularização dos imóveis”, declarou.

Segundo o Município, 13 minutas de escrituras públicas já foram lavradas pelo Cartório de Notas. Esses documentos ainda aguardam conferência e assinatura para que a regularização seja concluída.

“Atualmente, 13 minutas de escrituras públicas já foram lavradas pelo Cartório de Notas e aguardam conferência e assinatura”, informou a Prefeitura.

Outros moradores precisam apresentar documentos

Nos demais casos, conforme a resposta enviada ao Divinews, a emissão das escrituras depende da entrega de documentos pelos próprios beneficiários.

A Prefeitura não informou quantas unidades permanecem pendentes nem detalhou quais documentos ainda precisam ser apresentados. O Executivo afirmou, porém, que a Diretoria de Habitação de Interesse Social acompanha a regularização.

“Nos demais casos, a emissão das escrituras depende da apresentação de documentos por parte dos próprios beneficiários”, explicou.

A Administração Municipal também anunciou uma reunião com os moradores para a próxima segunda-feira, 13 de julho. O encontro deverá ser usado para orientar as famílias, esclarecer dúvidas e indicar quais etapas ainda precisam ser cumpridas.

“A Diretoria de Habitação de Interesse Social acompanha o processo e realizará reunião com os moradores na próxima segunda-feira para prestar orientações e esclarecer dúvidas”, completou a Prefeitura.

Município nega problemas que impeçam ocupação

Além da questão documental, o Município respondeu a alegações relacionadas à qualidade das unidades habitacionais.

Segundo a Prefeitura, não existem registros de vícios construtivos que impeçam a ocupação dos apartamentos. O Executivo atribuiu a reclamação apresentada à discordância de um beneficiário em receber a unidade disponibilizada.

“Quanto às alegações sobre a qualidade dos apartamentos, a Prefeitura esclarece que não há registro de vícios que impeçam a ocupação dos imóveis”, afirmou.

Ainda conforme a nota, essa questão já teria sido levada ao Poder Judiciário. A Administração declarou que a decisão foi desfavorável ao autor da ação.

“A reclamação apresentada decorre da discordância de um beneficiário em receber a unidade habitacional, questão que já foi analisada pelo Poder Judiciário, com decisão desfavorável ao autor da ação”, informou o Município.

A Prefeitura não encaminhou, junto com a resposta, o número do processo judicial mencionado, o teor integral da sentença ou informações sobre eventual recurso. Por isso, o Divinews registra a afirmação como posicionamento oficial do Executivo.

Procedimento permanece aberto

A Notícia de Fato permanece aberta no Ministério Público. Nesta fase, a Promotoria poderá analisar as informações prestadas pela Prefeitura, verificar a documentação das unidades e decidir se o caso será arquivado, se exigirá novas providências ou se será transformado em outro tipo de procedimento.

O principal ponto a ser esclarecido é se todos os moradores realocados receberam ou estão recebendo a documentação necessária para garantir formalmente a propriedade ou a regularidade de cada unidade habitacional.

A resposta da Prefeitura mostra que parte do processo avançou, com 13 minutas de escrituras já lavradas. Ao mesmo tempo, confirma que ainda existem casos pendentes, atribuídos pelo Município à falta de documentos dos próprios beneficiários.

A reunião marcada com os moradores deverá ser um passo importante para esclarecer quantas famílias ainda aguardam a regularização, quais documentos faltam e qual é o prazo previsto para a entrega definitiva das escrituras.

Enquanto isso, o Ministério Público seguirá avaliando se as medidas adotadas pelo Município atendem aos direitos das famílias que deixaram suas antigas casas em razão das desapropriações.

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