O vereador Vitor Costa saiu fortalecido da reunião ordinária da Câmara de Divinópolis nesta terça-feira, após o arquivamento da acusação que tramitava contra ele na Comissão de Ética. Em entrevista ao Divinews, o parlamentar afirmou que a decisão confirma o que já vinha sustentando desde o início, a de que não havia quebra de decoro, mas sim perseguição política contra seu mandato.
Segundo Vitor Costa, o documento da corregedoria chegou ao gabinete dele no próprio dia da sessão e considerou improcedente o pedido apresentado contra seu mandato. Na avaliação do vereador, o caso já demonstrava fragilidade desde o início, tanto pela falta de base jurídica quanto pelo fato de que, segundo ele, o próprio autor da reação política teria se identificado como alvo de uma postagem que, de acordo com sua versão, não citava nome, telefone nem vínculo direto.
Ao falar sobre o episódio, Vitor procurou separar duas dimensões do caso. De um lado, disse que juridicamente o pedido era fraco. De outro, alertou que, politicamente, situações como essa exigem atenção, porque, segundo sua leitura, podem ser usadas como instrumento para desgastar mandatos e produzir desgaste público fora da arena do debate legítimo.
O vereador também aproveitou a entrevista para agradecer às pessoas que o apoiaram durante a tramitação do caso. Citou nominalmente a mobilização de apoiadores que estiveram na porta da Câmara no dia em que sua defesa foi protocolada, mesmo debaixo de chuva, e disse que esse apoio foi importante em um momento que, para ele, extrapolava o campo técnico e entrava no terreno da disputa política.
O arquivamento não encerrou apenas um procedimento. Também virou munição política para Vitor Costa, que agora tenta transformar a absolvição interna em prova de que foi alvo de ataque desproporcional.
Na fala ao Divinews, Vitor Costa comparou as redes sociais a um bisturi. Disse que elas podem servir tanto para salvar quanto para ferir, dependendo do uso que se faz delas. Para o vereador, o episódio mostrou exatamente esse risco, o de transformar divergência política em tentativa de cassação sem sustentação suficiente. Ele reforçou que figuras públicas têm o direito de criticar umas às outras, mas sustentou que, quando a situação atinge sua honra e a das pessoas que o cercam, sua reação será sempre de enfrentamento e defesa.
O parlamentar ainda relatou um episódio ocorrido no dia da mobilização em sua defesa. Segundo ele, após a mudança do ato para uma área coberta por causa da chuva, um outro vereador teria feito comentário ofensivo ao perguntar se o “cheiro de maconha” havia descido junto com os apoiadores. Vitor disse que estava no local com familiares, incluindo a avó de 88 anos, a mãe, tias e apoiadores, e classificou esse tipo de insinuação como ataque pessoal grave.
Em tom de resposta, Vitor Costa também buscou reafirmar sua trajetória pessoal. Disse que começou a trabalhar aos 13 anos, foi fichado aos 16 após curso técnico e acumulou 8 anos de carteira assinada. Com isso, tentou rebater o que descreveu como tentativa recorrente de associá-lo à imagem de jovem inconsequente. Segundo ele, seu histórico de trabalho desmente esse tipo de narrativa.
Politicamente, o arquivamento alivia a pressão imediata sobre o mandato e devolve ao vereador margem para reagir no plenário e fora dele. Mais do que escapar de uma acusação, Vitor Costa tenta agora reverter o episódio a seu favor, apresentando-se como alvo de uma ofensiva mal calibrada que acabou desmontada pela própria tramitação interna da Câmara. Essa leitura é uma inferência jornalística a partir da fala do vereador e do teor de sua reação pública após o arquivamento.






