Deputado Lucas Lasmar denuncia “retrocesso” e suspeita de irregularidades em sistema de regulação centralizado pelo governo Zema

Lucas Lasmar critica duramente centralização do SUSFÁCIL e aponta indícios de irregularidade em contrato com o LAIS/UFRN

Publicado por: Geraldo Passos

Em entrevista ao Divinews, na ALMG, nesta última terça-feria (04), o deputado estadual Lucas Lasmar (Rede), ao qual a presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), é Beatriz Cerqueira (PT). Fato é que, Lucas  fez duras críticas ao governo de Romeu Zema (Novo) pela tentativa de centralizar o sistema de regulação hospitalar do SUS (SUSFACIL) em Belo Horizonte, e levantou suspeitas sobre o contrato firmado com o Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS), da  Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que desenvolve o sistema 

Segundo o parlamentar, o novo modelo proposto pelo governo representa um “retrocesso na gestão pública da saúde”, uma vez que elimina as centrais regionais de regulação, aproximadas dos municípios e dos hospitais. O deputado destacou que a decisão, tomada sem diálogo com secretários municipais e médicos reguladores, ameaça mais de 350 empregos, muitos de profissionais que há décadas atuam na linha de frente do sistema.

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“É um retrocesso o governo tomar essa decisão de fechar as centrais de regulação. Essas equipes conhecem cada hospital, cada paciente e cada município. Centralizar tudo em Belo Horizonte vai transformar o sistema numa máquina política de preferências e interesses”, afirmou o deputado.

Lasmar reforçou que a central única de regulação, prevista para ser implantada até o primeiro semestre de 2026, pretende utilizar inteligência artificial como ferramenta principal de controle das transferências hospitalares. Para ele, a medida enfraquece o atendimento e abre brechas para ingerências políticas.

Audiência pública e resistência na ALMG

Por considerar o tema grave, a audiência foi parar na Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia,  uma vez que a Comissão de Saúde, presidida pelo  deputado Arlen Santiago (Avante), da base governista, não se mobilizou contra o projeto, muito pelo contrário.

A audiência pública, que reuniu servidores da saúde, prefeitos e técnicos das centrais, teve ampla participação popular, com mais de 300 pessoas que acompanhou  ao vivo. Lasmar classificou as respostas do governo como evasivas e tecnicamente frágeis.

“Foi uma reunião em que o governo não apresentou respostas claras. O próprio subsecretário parecia não acreditar no que estava dizendo. São decisões de gabinete, tomadas em ar-condicionado, que afetam milhões de mineiros que dependem do SUS”, critico.

Contrato sem licitação e empresa investigada pela PF

Durante a entrevista, o deputado revelou preocupação com o contrato de cerca de R$ 20 milhões firmado sem licitação entre o governo mineiro e a UFRN, por meio do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS), responsável pelo desenvolvimento do sistema SUSFÁCIL.

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“Tem alguma coisa estranha. Essa empresa foi contratada sem licitação, por meio de um convênio direto com a UFRN. E a Polícia Federal já esteve lá, bloqueou bens e investigou desvio de dinheiro e diárias irregulares. Alguém está ganhando dinheiro nessa história”, denunciou Lasmar.

O LAIS/UFRN é alvo da Operação Faraó, deflagrada pela Polícia Federal em janeiro de 2023, que apura o desvio de R$ 165 milhões em verbas federais do Ministério da Saúde, destinadas ao projeto “Sífilis Não”. A investigação, conduzida em parceria com o MPF e a CGU, revelou supostos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitações.

A Justiça Federal chegou a determinar o bloqueio de bens de servidores e empresas ligadas ao laboratório. Paradoxalmente, o próprio LAIS desenvolve ferramentas tecnológicas para detectar fraudes e irregularidades no SUS.

Prodeng ignorada pelo governo mineiro

O deputado também criticou o fato de o Estado não ter acionado a Prodeng, empresa pública mineira responsável por sistemas de gestão tecnológica do governo. Segundo ele, técnicos da companhia afirmaram em audiências anteriores que poderiam facilmente desenvolver o sistema de regulação internamente, a um custo muito menor.

“A própria Prodeng disse que era a coisa mais fácil do mundo fazer esse sistema, mas nunca foi provocada. O governo preferiu contratar uma instituição de fora, envolvida em escândalos. Isso mostra que alguém está lucrando com essa operação”, afirmou o parlamentar.

Representação no Tribunal de Contas e próximos passos

Lasmar protocolou uma representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) para pedir a suspensão imediata da implantação do SUS-FAAS 4.0 e uma auditoria sobre a legalidade do contrato com o LAIS/UFRN.

O deputado defende que a regulação hospitalar deve permanecer descentralizada, sob gestão das macrorregiões de saúde, garantindo proximidade entre médicos, pacientes e gestores municipais.

“A legislação nacional sempre defendeu a descentralização da saúde. Concentrar tudo em Belo Horizonte é trair o próprio princípio do SUS”, finalizou.

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