O funcionamento do comércio de Divinópolis no próximo (20), data do Dia da Consciência Negra, voltou a gerar debate público na cidade. O feriado, reconhecido em todo o país como um marco de memória, resistência e luta do povo negro, será tratado no município como mais um dia comum de atendimento no comércio, após acordo firmado entre o Sincomércio e o Sindcomerciários, que autoriza a abertura mediante certificação específica.
A liberação é vista por representantes do setor empresarial como estratégica para o calendário de vendas, especialmente por anteceder a Black Friday e o período natalino dois momentos de alta movimentação econômica. Entretanto, o significado político e histórico da data reacendeu críticas de movimentos sociais e lideranças que defendem a preservação do caráter simbólico do dia.
Entre eles, o vereador Vítor Costa (PT) e a ativista Isabelle Salomé, que divulgaram posicionamento conjunto nas redes sociais. Para ambos, a decisão reforça uma dinâmica de esvaziamento do feriado, reduzido a mais uma oportunidade de consumo, enquanto a sociedade brasileira ainda enfrenta desigualdades estruturais marcadas pelo racismo.
“O Dia da Consciência Negra é o dia de lembrar Zumbi, Dandara e toda a luta do nosso povo contra o racismo e a escravidão. Quando o comércio trata essa data como oportunidade de venda, a cidade mostra o quanto ainda precisa avançar no reconhecimento da população negra e da sua história”, afirmou Isabelle.
O vereador reiterou que 20 de novembro não é uma data comemorativa, mas um marco de reflexão.
“A Consciência Negra não é sobre promoção de feriado, é sobre memória e respeito. Por isso, junto ao Movimento Unificado Negro e ao Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, estamos assinando uma nota pública para reafirmar o sentido dessa data e denunciar o seu esvaziamento”, afirmou Vítor.
O grupo articula ainda uma série de ações públicas e rodas de conversa na cidade, visando reafirmar o papel histórico do movimento negro, que segue reivindicando políticas de reparação, valorização da cultura afro-brasileira e combate ao racismo institucional.
Enquanto isso, o debate permanece aberto: até que ponto interesses econômicos podem se sobrepor ao sentido cultural e político de uma data de luta?
A resposta, como mostram as manifestações públicas, ainda está em disputa dentro da própria cidade.






