Durante entrevista ao Divinews, concedida após a reunião da Câmara Municipal nesta quinta-feira (6), o vereador Vítor Costa fez um pronunciamento firme sobre a decisão de Divinópolis em não seguir o feriado nacional do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro. Segundo ele, a atitude do comércio local, que mais uma vez optou por funcionar normalmente é “uma vergonha para a cidade” e demonstra o quanto o debate racial ainda é negligenciado.
“O feriado é nacional. Ele não foi tirado da cabeça do presidente Lula. É resultado de uma mobilização histórica do movimento negro, que há décadas reivindica uma data simbólica para a reflexão sobre o racismo e a igualdade. Infelizmente, Divinópolis, mais uma vez, escolhe não aderir”, declarou o parlamentar.
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Acordo entre sindicatos e o esvaziamento do feriado
Vítor Costa explicou que a decisão foi resultado de um acordo entre o sindicato patronal e o sindicato laboral, que definiram a manutenção das atividades comerciais mesmo com o feriado nacional em vigor. Para o vereador, o argumento econômico utilizado pelo setor — de que a data cai em período de alta nas vendas — é inaceitável.
“É lamentável. Usam como justificativa a meta de lucro e o período comercial. Mas nenhum outro feriado é tratado assim. Esse tipo de acordo esvazia o sentido da data e tira da população negra o direito de se manifestar nas ruas, de celebrar e reivindicar sua história”, criticou.
O parlamentar afirmou ainda que Divinópolis demonstra retrocesso ao ignorar um marco conquistado com tanta luta:
“Enquanto várias cidades e estados brasileiros avançam na pauta racial, Divinópolis continua na contramão da história. Fica na lanterna quando o assunto é consciência e respeito à diversidade.”
Proposta de decreto municipal
Questionado se seria possível a prefeitura estabelecer o feriado municipalmente, o vereador confirmou que sim e informou que pretende apresentar indicação formal ao Executivo para regulamentar o feriado no calendário de Divinópolis.
“Antes mesmo da lei nacional, várias cidades já tinham o feriado municipal. Agora, os prefeitos podem reforçar essa legislação em nível local. Eu vou propor que Divinópolis também adote o feriado oficialmente. Isso ajuda a consolidar a data e fortalecer a luta contra o racismo”, explicou.
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Ataques racistas e necessidade de conscientização
Após se posicionar nas redes sociais, o vereador relatou que foi alvo de comentários racistas e debochados por parte de internautas.
“Recebi mensagens me perguntando por que não existe o Dia da Consciência Branca, piadinhas e brincadeiras ofensivas. Isso mostra o quanto ainda precisamos dessa data. É preciso um momento no ano em que o país pare para refletir, debater e dar visibilidade à pauta racial”, lamentou.
O parlamentar reforçou que continuará atuando firmemente em defesa da igualdade racial e da valorização da cultura negra. Para ele, a educação e o reconhecimento da contribuição afro-brasileira são as bases para combater o racismo estrutural que ainda persiste na sociedade.
“Enquanto houver preconceito, exclusão e violência simbólica, nós precisaremos falar sobre a Consciência Negra. E, em Divinópolis, isso precisa começar com o reconhecimento oficial da data”, concluiu.






