De gravações a suplemento alimentar: Gleidson Azevedo volta a expor empresários aliados em novo enredo

Empresários envolvidos novamente: Suplemento sem registro da Anvisa vira alvo de denúncia por uso indevido da máquina pública

Publicado por: Geraldo Passos

A cada novo vídeo do prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, uma crise diferente se instala. Agora, não são apenas adversários políticos que precisam estar atentos, mas também empresários, investidores e prestadores de serviço ligados direta ou indiretamente à sua rede de contatos. O escândalo envolvendo a propaganda do suplemento Monjaslim, feito dentro da Prefeitura de Divinópolis, expôs endereços, CNPJs, empresas e pessoas físicas que sequer imaginavam estar em rota de colisão com a legalidade. O histórico do prefeito, que já gravou e entregou interlocutores ao Ministério Público, reforça um alerta silencioso no meio empresarial: ao lado de Gleidson, qualquer relação comercial pode se transformar, da noite para o dia, em material probatório ou manchete escandalosa.

O prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), irmão gêmeo do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), assim toda a grande mídia, como a Folha e o EM o retratou, foi flagrado promovendo um suplemento de emagrecimento sem registro na Anvisa, o chamado Monjaslim.

Continua depois da publicidade

Vídeo gravado nas dependências da Prefeitura, com as bandeiras oficiais ao fundo, e compartilhado nas redes sociais do próprio prefeito, que possui mais de 240 mil seguidores, conseguidos com ele fazendo estrepolias midiáticas.

O vídeo gravado pelo prefeito levou a deputada estadual Lohanna França (PV), principal adversária política da família Azevedo, a protocolar uma Notícia de Fato no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), pedindo investigação por possível prática de improbidade administrativa e favorecimento indevido a terceiros. A gravação retirado do ar.

A denúncia de Lohanna: uso da máquina pública e aparência institucional

No vídeo publicado nas redes do prefeito, Gleidson afirma que o suplemento Monjaslim foi fundamental para sua perda de peso e chega a compará-lo com medicamentos amplamente conhecidos como Ozempic e Monjaro. O produto é apresentado como “100% natural” e com promessas de emagrecimento rápido — o que, segundo a Anvisa, configura propaganda irregular e potencialmente criminosa.

Lohanna expressou indignação com o uso das instalações públicas para fins privados e classificou a cena como “surrealismo absurdo”:

“Essa política do ridículo é muito abaixo do que Divinópolis, de Minas Gerais e do Brasil merece ver. É irresponsabilidade com a saúde das pessoas e com tudo que esperamos de alguém que ocupa a cadeira de prefeito”

Investigação mostra falsidade nas imagens, sites clonados e deepfake

O youtuber Guga Figueiredo publicou investigação mostrando que o site Monjaslim simulava ser um portal de notícias chamado NC News, redirecionando para páginas de venda. Imagens de “antes e depois”  retiradas da internet e depoimentos comprados de freelancers. Em alguns casos, os rostos dos supostos clientes gerados por inteligência artificial, como detectado por plataformas especializadas.

Continua depois da publicidade

Guga também revelou que todos os elementos da publicidade — do nome “Monjaslim” (associado a “Monjaro”) à estética dos anúncios estrategicamente pensados para induzir o consumidor ao erro:

“Tudo ali é mentira. Isso configura propaganda enganosa, segundo o Código de Defesa do Consumidor. É crime. Não sou eu que digo: é a lei”

Endereços cruzados e oferta publicitária chamaram atenção do Divinews

Após contato de um representante da empresa oferecendo fazer publicidade “que seria o maior anunciante” do Divinews, o portal resolveu investigar do por que de tanta bondade.

Portanto, descobriu que a NCCAPS LTDA, era a mesma da “publicidade do prefeito” responsável pelo produto, e que está registrada na Av. Tedinho Alvim, 90, salas 308 e 309.

O mesmo endereço da START Marketing Digital LTDA, da publicitária Kiara Lacerda, e da NJR Empreendimentos Imobiliários, do empresário Nicácio Diegues Júnior, segundo informações iniciais do site da Receita Federal.

Logo a seguir, Kiara explicou ao Divinews, que sua empresa está hoje na sala 307 e que a atualização do CNPJ está em andamento. Nicácio, por sua vez, disse que o prédio Liberty pertence à sua construtora, e que houve sublocação da START para a NCCAPS. Ele admitiu o envolvimento como locador e detalhou as modificações contratuais em andamento:

“O Cadu (Carlos Eduardo Máximo Bernardes, filho do Batista, propritario do “Restaurante do Batista”) está hoje na 308/309. A START ficou só na 307. Fizemos contrato de seis meses. Mas como as empresas têm registros antigos no mesmo endereço, isso gerou a confusão”, disse ainda que sua empresa, a NJR, está no 4 andar.

Quem são os donos e como funciona o esquema digital

A NCCAPS tem como sócios, Carlos Eduardo Máximo Bernardes (Filho do Batista, proprietário do Restaurante Bastista”), que retirou os vídeos do ar após repercussão, a outra sócia é Nathalia Garrôcho,  como proprietária dos domínios do Monjaslim.com.br.

Segundo especialistas, trata-se de uma operação clássica de marketing digital com cápsulas vendidas como “milagrosas”, porém sem comprovação científica, disse um especialista em investigação digital.

“É farinha encapsulada com promessas milagrosas. Vendem por R$197 algo que custa centavos. Contratam influencers, geram tráfego pago e somem depois. É o mercado do engano”, disse o especialista.

Estimativas apontam que apenas uma das campanhas de tráfego pago do Monjaslim teria atingido mais de 1 milhão de pessoas.

Histórico: Nicácio e o caso dos vereadores Kaboja e Print Junior

Além disso, o nome de Nicácio Diegues não é novo em escândalos envolvendo a política divinopolitana. Ele teve papel central no episódio que levou ao afastamento dos vereadores Rodrigo Kaboja e Print Junior, após uma gravação feita pelo Gleidson Azevedo.

Na ocasião, Gleidson armou uma cilada, mas que ele se orgulha da arapongagem, gravando os dois parlamentares, que discutiam interesses políticos e possíveis apoio legislativo.

Portanto, a gravação entregue ao Ministério Público e resultou no afastamento imediato dos dois vereadores, Print Junior e Rodrigo Kaboja, com posterior condenação judicial.

Nicácio, então ligado a empreendimentos que orbitavam a gestão municipal, citado nos bastidores e teve seu nome mencionado durante as investigações, embora não tenha sido formalmente acusado pelo MP, entre outros empresários.

Portanto, esse passado reforça os questionamentos sobre a proximidade entre o prefeito e setores empresariais com interesses na administração pública, relembra muito o caso de mudança de zoneamento.

Na ocasião, a justiça apontou indícios de favorecimentos a empresários como, Leonardo Gabriel Pereira, Daniel Henrique de Oliveira, Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima Junior, Douglas José Prado Athayde Vieira, Hamilton Antônio de Oliveira, Eduardo Costa Amaral, Paulo Adriano Cunha, Waldinei Alves Arantes, Walmir Alves Arantes e João Paulo Gomes

Esses empresários foram ouvidos nas oitivas e, conforme apurações, chegaram a firmar acordos de não persecução penal com o MPMG, embora tenham negado pagamentos de vantagens

Escândalo com potencial devastador

A denúncia ao Ministério Público, os vínculos empresariais, as alegações de favorecimento, o uso de IA para forjar depoimentos, o uso da estrutura da Prefeitura para gravar um vídeo promocional.

Além disso, a figura central de um prefeito que já esteve envolvido em outros episódios explosivos colocam Gleidson Azevedo no epicentro de uma crise política com potencial devastador.

A grande mídia nas manchetes e lide, preferindo referir-se a ele apenas como “irmão do senador Cleitinho”, que já se declarou pré-candidato ao Governo de Minas. Essa citação também é parte do problema que um irmão criou para o outro, isso em plena fase de definição de candidaturas e pré-campanha eleitoral

Comunicação da Prefeitura

“Ainda não recebemos nada do MP, mas se a Prefeitura receber, direcionado a cunho pessoal do prefeito. Assim você poderá questionar assessoria direta dele,  Fernando e Tales”

Assessoria do Prefeito Gleidson Azevedo

Não temos conhecimento sobre conteúdo dessa denúncia, mas somente vídeos de implicância de uma deputada que não gosta do prefeito – Precisamos ter conhecimento das acusações que são feitas e até mesmo se o MP vai pedir informações ou se já vai arquivar diretamente, como já ocorreu com diversas denúncia que a mesma deputada já fez.

É corriqueiro por parte dela [Lohanna] realizar essas denúncias por mero inconformismo de que o prefeito ganhou as eleições com maior número de votos da história da cidade, justamente em cima de uma candidata que é amiga dela e que ela apoiou.

Todas as denúncias até hoje foram arquivadas, o que demonstra que tudo não passa de mero inconformismo por parte da deputada, que vem perdendo prestígio na cidade, basta ver os comentários nas publicações da imprensa local”, disse Fernando Henrique em contraditório.

Além disso, o Divinews, como sempre,  olha para os bastidores que estão atrás das noticias. O portal vai seguir acompanhando quais serão os desdobramentos. Alguns deles, o editor já tem conhecimento e espera a decisão dos atores envolvidos.

 

Continua depois da publicidade

comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🛈 Aviso sobre comentários no Divinews

Os comentários publicados nesta página são de inteira responsabilidade de seus autores. O Divinews Portal de Notícias Ltda não se responsabiliza pelas opiniões, acusações, ofensas ou informações expressas por terceiros.

Comentários que contenham conteúdo difamatório, injurioso, racista, discriminatório, ameaçador ou que incentivem a violência poderão ser removidos sem aviso prévio.

Em caso de requisição judicial, o Divinews fornecerá às autoridades competentes as informações de identificação do usuário, incluindo o endereço de IP da máquina utilizada, conforme prevê a legislação brasileira.

Continua depois da publicidade

artigos  relacionados