CASO DA CENSURA DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO: equipe de TV afirma que ficou retida em escola, diretor e superintendente negam

Publicado por: suporte


A repórter Nayara Lopes contou para o Divinews que ao cumprir uma pauta, na Escola Estadual Monsenhor Domingos, na última quarta (11), entrevistou a nova secretária de Educação do governo Fernando Pimentel, Macaé Evaristo. E que a gravação foi feita tranquilamente, sem maiores problemas. Ao término, a secretária observou que tinha um trecho da sua fala que ela não havia gostado e que estava com vontade de fazer novamente, foi quando uma das duas assessoras, explicou para Macaé que não seria necessário, por que a parte que ela não tinha gostado, a emissora poderia editar e retirar tal parte.

Quando Nayara estava se retirando, a mesma assessora, sabe-se lá por razão, mudou de ideia e foi atrás dela, solicitando já em tom impositivo, que ela apagasse a entrevista.

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Segundo Nayara, para não ter maiores transtornos, concordou em apagar. Porém o clima foi piorando na medida em que o cinegrafista não conseguia apagar a gravação.

Os ânimos se acirraram ainda mais quando Humberto Pozzolini, ex-secretário de Meio Ambiente do governo Demetrius, e agora militante do partido, que não tinha nada ver com a história, começou a ironizar o fato do cinegrafista, Ian D`masoy, não conseguir manusear a câmera para apagar a gravação.

Ao mesmo tempo em que uma das assessoras, já descontrolada disse que iria processar a equipe se a fita saísse do local gravada, chegaram a falar que iriam chamar a polícia. Paralelo a isto, o diretor da escola, Kleuver Luis teria fechado o portão para que a equipe não saísse.

Na confusão que se estabeleceu, mesmo assim, Nayara conta que conseguiu sair, mas ficou do lado de fora esperando o desenrolar dos fatos, e que o cinegrafista também saísse, só retornou quando uma das assessoras de Macaé, abriu a porta para chamar dois homens que estavam do lado de fora, que supostamente eram policiais, assim elas disseram, para pressionar que o cinegrafista conseguisse apagar a gravação.

Contudo, no meio de todo desentendimento, o editor chefe, Flaviano Cunha foi chamado, e ao chegar ao local, conseguiu contornar e resolver a situação e a equipe foi liberada.

Naiara contou para o Divinews que ficou muito abalada, pois nunca tinha passado por uma situação dessa, ficando uma hora sendo constrangida e o fato do diretor ter “comprado” a briga a favor das assessoras. E criticou o despreparo das profissionais de comunicação que acompanham Macaé Evaristo.

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No final do dia, da última quinta-feira (12), a Secretaria de Educação, emitiu uma nota, que foi publicado no Portal Centro-Oeste, lamentando a situação e tratando o episódio como um mal entendido.

“A SRE reitera seu reconhecimento e respeito ao trabalho da imprensa, com plena liberdade, tanto que é praxe na Secretaria atender aos veículos de comunicação com a presteza e o respeito que o trabalho jornalístico exige – tanto que, na terça-feira (10/03), primeiro dia da visita da secretária Macaé Evaristo a Divinópolis, todos os veículos de imprensa foram atendidos”

VERSÃO DO DIRETOR DA ESCOLA

Em entrevista para o Divinews na manhã desta sexta-feira (13), o diretor da Escola Monsenhor Domingos, Kleuver Luis, ao lado do superintendente da SRE, Silvio Faria, titubeou em algumas respostas e negou que tivesse ocorrido da forma que Naiara relatou.

O diretor da Monsenhor Domingos, já no início da entrevista contrapõe a jornalista Nayara afirmando que a gravação teria sido feita sem a sua autorização. Que no dia anterior à visita da secretária, ela teria estado na escola para solicitar permissão para gravar o evento e não tinha agendado a entrevista com Macaé Evaristo. E ainda que a interpretação de que em lugar público tudo é possível, não é bem assim, as normas precisam serem seguidas.

Kleuver Luis, explicou que foi a assessoria da Secretaria de Educação quem fez o protocolo, pois existe uma norma de Governo a ser seguida. E no momento em que a equipe da Candides entrou na sala de informática, improvisada para a Macaé conceder entrevista, já estava uma equipe do “Programa Panorama Geral”. E que a equipe chegou já filmando. E a assessoria teria questionado que a equipe da Candidés não tinha autorização. A jornalista Nayra, então respondeu que Keuver havia autorizado previamente.

Entretanto, Kleuver explicou que havia autorizado a filmagem do evento e não tinha agendado a entrevista com a equipe da TV Candidés, e que ficou bastante chateado em ter o seu nome usado.

O Diretor negou veementemente que alguém tivesse ficado preso dentro da escola, segundo ele, como havia um evento em andamento, seria impossível que o portão se mantivesse fechado, se isso tivesse acontecido o fluxo das pessoas, saindo e entrando a toda não teria sido possível.

Quanto a presença de Humberto Pozzolini no local, ele explicou também que o evento era aberto para qualquer pessoa, e claro Pozzolini teve, como qualquer outro livre acesso ao local. Contudo, não poderia responder pelos atos de ninguém, só pelo dele e que envolvesse a escola.

Quando o Divinews percebeu a distância da sala em que a entrevista foi concedida, do local onde ocorreu o desentendimento, cerca de 5 metros, que seria impossível que tanto Kleuver, quanto Silvinho e Macaé não tivessem percebido que algo de anormal estava acontecendo, ele respondeu que após a entrevista, imediatamente foram todos para uma área que fica distante da entrada por isso a secretária e o superintendente não teriam escutado nada.

O Editor do Divinews perguntou se ele teria ameaçado a equipe de televisão de processá-los. Ele disse que teria usado o termo “Má fé”. Que Nayara teria usado de má fé ao entrar na entrevista, sem que houvesse prévio agendamento.

Também quando mais uma vez foi questionado por que razão a equipe teria ficado mais de uma hora dentro do recinto, em uma negociação para saírem, ele disse que não saberia explicar. “Pra gente foi uma surpresa muito grande a notícia no dia seguinte, por que depois que eles saíram, apertamos a mão do Flaviano, ficou tudo bem”.

Reforçando ainda seu posicionamento de que nada aconteceu, o diretor falou que existiam muitas pessoas que poderiam testemunhar, tinha pais de alunos, professores, alunos e ninguém viu nada.

Quando questionado sobre a presença dos supostos policiais, ele afirmou que são seguranças que andam junto com a equipe da secretária, são dois seguranças e duas assessoras.

Kleuver voltou a reforçar que não participou diretamente da “confusão” e que diferente da versão contada pela jornalista, segundo ele, não teria fechado o portão, de forma alguma.

Finalizando, o superintendente Silvio Faria, que esteve ao lado do diretor o tempo todo, expressou que preza a liberdade de imprensa, que não se pode voltar à época da ditadura. Reforçou o protocolo existente para este tipo de visita. E disse que no dia 10 convidou toda mídia, personalidades e autoridades da cidade, por que ele no momento não tem coloração partidária, é o superintendente Regional da Secretaria de Educação.

Um dos mistérios que sonda o episódio é a presença dos tais supostos policiais à paisana, de onde eles são? São da P2 ? (nomenclatura dada aos policiais que fazem um serviço secreto de inteligência), São de Divinópolis ou Belo Horizonte? São realmente policiais ou seguranças?

O Divinews entrou em contato com a 7ª Região Militar, que não conseguiu informar. Entrou em contato com a Comunicação do 23º BPM, que também não sabe de onde saíram os tais policiais.

O fato é que existe relato do cinegrafista de que eles teria agido com truculência.

O outro mistério é por que razão a assessora da secretária, Macaé Evaristo mudou de opinião em segundos. Antes havia concordado que a jornalista levasse a fita e retirasse o trecho que a secretária não gostou e imediatamente depois, quis apreender a fita.

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