Confirmando o que a secretária nacional de Orçamento do Partido dos Trabalhadores, Gleide Andrade, havia anunciado ainda na noite deste último domingo (08), e já parabenizando o nome da deputada Macae Evaristo como a provável nova ministra dos Direitos Humanos, na tarde desta segunda-feira (9), o presidente Lula anunciou oficialmente o nome da deputada mineira para assumir tal pasta substituindo Silvio Almeida, que foi demitido na última sexta-feira (6) após denúncias de assédio sexual. A escolha de Macaé, que já era esperada nos bastidores, foi anunciada após uma reunião com o presidente no Palácio da Alvorada. Esther Dweck, atual ministra da Gestão e responsável interinamente pela pasta dos Direitos Humanos, e Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, também participaram do encontro.
Macaé Evaristo tem uma trajetória destacada na educação e na defesa de pautas ligadas ao combate ao racismo. Ela foi a primeira mulher negra a ocupar cargos importantes como secretária de Educação de Belo Horizonte e de Minas Gerais, além de ter atuado no governo federal sob Dilma Rousseff, quando liderou a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão. Sua experiência e histórico de lutas a tornam uma escolha estratégica para o governo, que busca restaurar a imagem internacional do Brasil em relação aos direitos humanos, abalada durante o governo Bolsonaro.
A nova ministra enfrentará o desafio de reorganizar a pasta e apresentar resultados concretos, principalmente após as acusações contra seu antecessor. Lula reforçou sua confiança em Macaé, destacando seu compromisso com o serviço público e a importância de sua liderança para as políticas de direitos humanos no país. Ela assumirá o ministério em um momento delicado, marcado por críticas da direita, que têm explorado o episódio de Silvio Almeida como arma política, e de setores da própria esquerda, que divergem sobre a condução do caso.
Silvio Almeida, demitido após denúncias de assédio que envolvem supostas vítimas, incluindo a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, nega as acusações. Mesmo assim, a situação levou Lula a agir rapidamente para minimizar os impactos negativos e evitar um prolongamento da crise. A nomeação de Macaé, que já era cotada como favorita, ajuda a fortalecer a base do governo na área dos direitos humanos, uma prioridade desde o início da atual gestão.
A escolha de Macaé foi vista como um movimento estratégico, já que outros nomes foram considerados, como Nilma Lino Gomes, ex-ministra da Igualdade Racial, e Felipe Freitas, secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, mas a mineira despontou como a favorita para ocupar a pasta, mesmo com a possibilidade de disputar um cargo em 2026.
Nos bastidores existem rumores de que a indicação de Macaé teria sido avalizada pela secretária nacional de Finanças e Orçamento e Planejamento do PT, Gleide Andrade, que é próxima à presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann e da primeira dama Janja Lula da Silva, e pelo líder da federação PT-PCdoB-PV na Câmara dos Deputados, Odair Cunha (PT). A secretária nacional de Finanças e Planejamento do PT e o deputado federal acompanharam a deputada estadual em Brasília.
Macaé será o primeiro quadro do PT de Minas Gerais na Esplanada dos Ministérios. A ausência de um nome do partido no Estado incomodava o diretório, sobretudo porque o único mineiro até então era o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD). À época, o deputado federal Reginaldo Lopes (PT), que abriu mão de se candidatar ao Senado para viabilizar o acordo com o PSD, tentou emplacar o Ministério da Educação e o Ministério da Ciência, da Tecnologia e da Inovação, mas sem sucesso.
Quem é Macaé Evaristo
Macaé Maria Evaristo dos Santos, nasceu em São Gonçalo do Pará, no dia 3 de abril de 1965. É uma educadora, assistente social e política brasileira, filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT). É deputada estadual de Minas Gerais.
Graduada em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), é mestre em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professora da rede municipal de Belo Horizonte desde os 19 anos, foi a primeira mulher negra a ocupar os cargos de secretária municipal e estadual de Educação. Em 2013 e 2014, foi titular da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação, no Governo Dilma Rousseff.
Nas eleições de 2020, foi eleita à Câmara Municipal de Belo Horizonte pelo Partido dos Trabalhadores com 5.985 votos. Em 2022, foi eleita à Assembleia Legislativa de Minas Gerais com 50.416 votos. Fez parte da equipe de transição do Governo Lula, no grupo de trabalho de educação, atuando nas áreas de diversidade e inclusão.
Carreira política
Macaé Evaristo foi Secretária Municipal de Educação de Belo Horizonte de 2009 a 2012.
Macaé Evaristo assumiu a Secretaria de Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI) em 2013, exercendo o cargo até 2014. Durante sua gestão, instituiu o Programa Bolsa Permanência, concedida a estudantes que atendiam aos critérios da política de cotas e a indígenas e quilombolas matriculados em universidades federais. A Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão foi extinta por Decreto em 2 de janeiro de 2019, pelo então ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez. Posteriormente, a SECADI foi recriada em janeiro de 2023 pelo ministro da Educação Camilo Santana.
Secretária de Estado da Educação de Minas Gerais
Entre os anos de 2015 e 2018, atuou como Secretária de Estado da Educação de Minas Gerais, no governo de Fernando Pimentel.






