Funcionárias do Hospital São Judas denunciam empréstimos não reconhecidos; BO registra R$ 23,7 mil no SICOOB e cita outras vítimas

Publicado por: Redação

O Divinews recebeu denúncias envolvendo funcionárias do Hospital São Judas Tadeu, em Divinópolis, que relatam terem sido vítimas de empréstimos bancários contratados sem autorização. Uma das ocorrências já chegou à Polícia Militar: boletim registrado em 22 de setembro classifica o fato como estelionato consumado, aponta abuso de confiança como meio utilizado e registra dois empréstimos no Sicoob que, juntos, somam R$ 23.744 em nome de uma trabalhadora. O documento também registra que a suspeita seria colega de trabalho da vítima e menciona a existência de outras vítimas no mesmo ambiente profissional.

A denúncia que chegou à redação, porém, indica que a dimensão do caso pode ser maior. Uma segunda funcionária afirma que cerca de oito trabalhadores teriam sido atingidos pelo mesmo tipo de golpe. Esse número ainda precisa ser confirmado individualmente por boletins de ocorrência, extratos, contratos bancários e pela investigação policial. Até o momento, o documento analisado pelo Divinews comprova formalmente uma ocorrência e registra, no próprio histórico policial, com referência a outras vítimas.

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O Divinews procurou o Hospital São Judas Tadeu, por meio de prestador de serviço de comunicação,  para obter esclarecimentos e aguarda posicionamento da instituição. A redação também tentou contato com o Sicoob, mas não conseguiu manifestação até a publicação desta reportagem.

Dados seriam pedidos sob pretexto de receber pagamento

O relato descrito no boletim ajuda a compreender como o suposto esquema teria começado. A vítima informou à polícia que descobriu a existência de dois empréstimos em sua conta bancária no Sicoob, totalizando R$ 23 operações que afirma não reconhecer.

Segundo a versão registrada no BO, uma colega teria solicitado seus dados bancários sob o argumento de que precisava recebê-los para a realização de um pagamento. Confiando na colega, a funcionária forneceu as informações.

O registro policial afirma que, posteriormente, o dinheiro obtido com os empréstimos teria sido destinado à conta da pessoa indicada como suspeita, conforme relato da vítima e extrato bancário apresentado à polícia.

A ocorrência aponta como causa presumida vantagem econômica e registra como meio utilizado abuso de confiança. A pessoa apontada no BO aparece formalmente como suspeita, não como condenada. O boletim constitui registro inicial de uma notícia de crime e caberá à Polícia Civil esclarecer a dinâmica, individualizar eventuais responsabilidades e verificar se outros casos estão relacionados. Por essa razão, o Divinews preserva neste momento a identidade da funcionária indicada no documento.

Outra funcionária fala em cerca de oito vítimas

Uma segunda trabalhadora procurou o Divinews e relatou situação semelhante. Segundo ela, aproximadamente oito funcionários do Hospital São Judas teriam sido vítimas da mesma pessoa. A denunciante afirmou que algumas das atingidas trabalham no setor de higienização e teriam confiado na colega, sem imaginar que as informações repassadas poderiam ser utilizadas para operações financeiras.

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“Eu sou uma delas e estou chocada com o que aconteceu”, relatou ao Divinews. Ela também criticou a postura adotada pelo hospital até aquele momento, afirmando que, segundo sua percepção, a instituição teria apenas comunicado às trabalhadoras sobre os empréstimos.

Essa é a versão da denunciante. O Divinews ainda aguarda a manifestação do Hospital São Judas sobre quando tomou conhecimento dos casos, quais providências internas foram adotadas e que tipo de assistência foi oferecida às trabalhadoras.

Não há, até o momento, qualquer elemento apresentado à reportagem indicando participação do hospital na contratação dos empréstimos ou que sistemas internos da instituição tenham sido utilizados para a fraude.

BO menciona outras vítimas no mesmo local de trabalho

Há um ponto relevante no documento policial. O histórico da ocorrência registra expressamente que a suspeita teria feito “outras vítimas no mesmo ambiente profissional” e menciona ainda a existência de outros registros relacionados a fatos semelhantes.

O Divinews ainda busca identificar esses outros boletins para verificar quantas ocorrências efetivamente foram formalizadas, os valores envolvidos e se todas apresentam o mesmo modo de atuação. O BO analisado pela reportagem foi registrado na área da 53ª Companhia da Polícia Militar e destinado à Delegacia de Polícia Civil de Plantão de Divinópolis. A ocorrência aponta o Hospital/Santa Casa como descrição do local relacionado ao fato e registra como data inicial 17 de agosto de 2026.

Mas apenas dados bancários permitem contratar R$ 23 mil em empréstimos?

Essa é uma das perguntas centrais que a investigação ainda precisa responder. Pelas informações públicas do próprio Sicoob, a contratação de determinadas modalidades de crédito pelo aplicativo envolve acesso à conta, escolha da linha de crédito, aceitação do contrato e confirmação com senha de efetivação. Em uma das modalidades de crédito automático descritas pela instituição, por exemplo, o procedimento termina com a digitação de uma senha de quatro dígitos.

Isso significa que a informação de que a vítima forneceu simplesmente “dados bancários” não explica, sozinha, toda a operação. Será necessário esclarecer exatamente quais informações foram entregues à suspeita.

A investigação precisará verificar, entre outros pontos, se houve acesso ao telefone da vítima, compartilhamento ou captura de senha, código de autenticação, token, documento, selfie, reconhecimento facial ou algum outro mecanismo de confirmação.

Também será importante saber de qual aparelho e endereço eletrônico partiram as contratações, qual modalidade de empréstimo foi utilizada, quais mecanismos de autenticação foram exigidos e como os valores saíram da conta da vítima depois da liberação.

R$ 23.744 aparecem no registro policial

No caso documentado pelo Divinews, o boletim é específico. A movimentação financeira registrada soma R$ 23.744, com referência a empréstimo e data de 17 de agosto. O histórico informa que a vítima percebeu posteriormente a existência de dois empréstimos que diz não ter solicitado.

Um ponto que precisa ser esclarecido junto ao Sicoob é se os R$ 23.744 correspondem à soma do valor liberado em duas operações, qual produto financeiro foi contratado e quais registros eletrônicos comprovam a suposta autorização da cliente. Também é necessário estabelecer se os recursos foram transferidos por Pix, TED, saque ou outra modalidade.

O BO assinala que a ocorrência envolveu transferência ou tentativa de transferência eletrônica de valores.

Banco pode possuir a trilha eletrônica do golpe

A investigação bancária pode ser determinante. Contratações realizadas digitalmente normalmente geram registros técnicos que podem permitir identificar horário, dispositivo utilizado, autenticações realizadas e movimentação posterior do dinheiro.

Por isso, o Divinews pretende questionar o Sicoob sobre: como os empréstimos foram autenticados; se houve uso de dispositivo previamente cadastrado; qual modalidade de crédito foi contratada; quais fatores de segurança foram exigidos; para qual conta o dinheiro foi enviado; e se a cooperativa identificou outras contestações ligadas à mesma destinatária.

O próprio Sicoob orienta clientes a não compartilharem senhas, tokens ou códigos de autenticação e mantém canais específicos para comunicação de fraude. A instituição informa também que determinadas operações digitais dependem de senha de efetivação. Por isso, somente uma análise dos registros bancários poderá demonstrar como as barreiras de segurança foram superadas no caso concreto.

Hospital também deverá esclarecer providências internas

O fato de as pessoas envolvidas trabalharem na mesma instituição acrescenta outra dimensão ao caso. Uma das vítimas afirma que a abordagem ocorreu dentro de uma relação de confiança construída no ambiente profissional. O próprio boletim classifica a relação entre vítima e suspeita como ligada ao trabalho.

O Divinews encaminhou pedido de posicionamento ao Hospital São Judas Tadeu e busca respostas para questões como: quando a direção tomou conhecimento das primeiras denúncias; se abriu procedimento interno; se a funcionária apontada nos relatos continua trabalhando no hospital; se outras vítimas procuraram Recursos Humanos ou direção; e se a instituição ofereceu suporte jurídico, psicológico ou administrativo às trabalhadoras.

É importante distinguir responsabilidades. O simples fato de o golpe alegadamente ter ocorrido entre colegas de trabalho não torna automaticamente o hospital responsável pelas operações bancárias. Eventual responsabilidade dependerá da apuração das circunstâncias e de elementos que ainda não estão disponíveis.

Vítimas precisam contestar os contratos

Além da investigação criminal, existe uma questão financeira imediata. O Banco Central orienta quem encontra dívida ou empréstimo que não reconhece a comunicar a instituição financeira que registrou a operação e pedir a correção. Caso o problema não seja solucionado, o consumidor pode recorrer à Ouvidoria do banco e, posteriormente, registrar reclamação perante o próprio Banco Central.

O BC também recomenda consultar o Registrato, especialmente o Relatório de Empréstimos e Financiamentos, para identificar operações registradas em nome da pessoa. Se houver transferência fraudulenta por Pix, existe ainda o Mecanismo Especial de Devolução, o MED, embora sua aplicação dependa da natureza da transação e da análise das instituições financeiras envolvidas.

Divinews amplia apuração – O caso ainda possui perguntas importantes sem resposta.

Quantas funcionárias foram realmente atingidas? Qual é o valor total dos empréstimos? Todas as operações ocorreram no Sicoob? A mesma conta recebeu dinheiro de todas elas? Quais dados foram fornecidos à suspeita? Como ela teria conseguido concluir operações que exigem autenticação? O banco detectou acessos ou movimentações atípicas? O hospital recebeu denúncias anteriores? Existem outros boletins de ocorrência? Esses pontos serão agora confrontados com documentos bancários, novos registros policiais e as manifestações das instituições envolvidas.

O Divinews mantém espaço aberto ao Hospital São Judas Tadeu, ao Sicoob e à pessoa apontada como suspeita no boletim para apresentação de esclarecimentos e contraditório.

Acompanhe outras informações sobre Divinópolis, segurança pública e investigações do Divinews.

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