Antes de aparecer como suspeita no caso dos empréstimos realizados em nome de funcionárias do Hospital São Judas Tadeu, Daiane Cristina de Oliveira, de 31 anos, já teria protagonizado outro episódio de forte prejuízo financeiro em Divinópolis. Segundo informações repassadas ao Divinews por uma fonte ligada à antiga UNI Berçário e Educação Infantil, Daiane trabalhava como secretária da escola e teria provocado, em 2023, um desfalque estimado em aproximadamente R$ 100 mil. Ainda conforme o relato, a instituição não teria conseguido se recuperar do rombo financeiro, entrou em grave dificuldade e acabou encerrando sua operação, sendo posteriormente repassada ao Cecri Kids em 2024. A acusação referente à escola parte do relato da fonte e ainda não representa conclusão de investigação policial ou judicial.
A denúncia acrescenta um novo capítulo à investigação conduzida pelo Divinews sobre Daiane, que atualmente já aparece formalmente como suspeita de estelionato em boletim de ocorrência registrado por uma funcionária do Hospital São Judas. Nesse caso, a Polícia Militar registrou dois empréstimos que somavam R$ 23.744, operações que a vítima afirmou não ter realizado, e apontou no histórico policial que a suspeita teria feito outras vítimas dentro do mesmo ambiente de trabalho, chegando a R$ 120 mil reais, segundo a advogada das vítimas. O que agora chama atenção é que, de acordo com a nova fonte, a suposta prática envolvendo dinheiro não teria começado no hospital.
Daiane teria sido secretária da UNI
A fonte afirmou ao Divinews que Daiane trabalhou como secretária da UNI Berçário e Educação Infantil, escola voltada ao atendimento de crianças pequenas e que mantinha relacionamento próximo com pais e funcionários. Segundo o relato, justamente por ocupar uma função administrativa, Daiane teria acesso a rotinas internas da instituição e ao fluxo financeiro da escola. Foi nesse período, em 2023, que teria ocorrido o suposto desfalque.
A estimativa repassada à redação é de que aproximadamente R$ 100 mil teriam saído do caixa da escola, provocando um impacto financeiro que a direção não conseguiu absorver. Segundo a fonte, o prejuízo comprometeu a capacidade de funcionamento da instituição e iniciou uma sequência de dificuldades que culminaria no encerramento da antiga escola.
Rombo teria sido decisivo para fechamento
De acordo com o relato recebido pelo Divinews, o prejuízo causado pelo suposto desfalque foi grande demais para uma escola infantil com estrutura financeira limitada. A fonte, que à epoca também trabalhava na instituição, sustenta que a UNI passou a enfrentar dificuldades para manter as próprias obrigações e não conseguiu recompor o caixa. O episódio teria agravado progressivamente a situação econômica até tornar inviável a continuidade da operação nos moldes anteriores. Segundo essa versão, em junho de 2024, a antiga escola acabou sendo repassada e o negócio passou para o Cecri Kids.
O Divinews ressalta que não há qualquer acusação contra o Cecri Kids relacionado a transação em si, e muito menos ao suposto desfalque. A nova instituição aparece apenas na cronologia relatada pela fonte como sucessora da atividade educacional depois da crise financeira enfrentada pela UNI.
Funcionários e pais ainda perguntam por que não houve denúncia
Um ponto considerado intrigante por pessoas que acompanharam a antiga escola é a ausência, segundo a fonte, de uma denúncia formal contra Daiane naquela ocasião. Antigos funcionários e pais de alunos, conforme o relato recebido pelo Divinews, teriam tomado conhecimento posteriormente da dimensão do prejuízo e ainda hoje questionam por que a então diretora da UNI não procurou a polícia ou tornou publicamente conhecida a suspeita.
A pergunta ganha novo peso agora porque Daiane aparece novamente envolvida em acusações financeiras, desta vez documentadas em boletim de ocorrência relacionado a trabalhadoras do Hospital São Judas.
O próprio registro policial do caso mais recente afirma que a suspeita teria feito outras vítimas no mesmo ambiente profissional e menciona existência de histórico relacionado a estelionatos. O documento, entretanto, não relaciona formalmente esse histórico ao episódio da antiga escola.
Casos do São Judas revelaram mecanismo baseado em confiança
A investigação mais recente trouxe à tona uma dinâmica que também chama atenção pela utilização da confiança existente no ambiente profissional. Conforme relatou ao Divinews a advogada Luciana Silva, que representa parte das funcionárias do Hospital São Judas, Daiane teria pedido celulares emprestados às subordinadas alegando que precisava realizar transferências via Pix para a própria mãe. Segundo a advogada, com os aparelhos em mãos, acessava aplicativos bancários e contratava empréstimos.
Os empréstimos identificados entre as mulheres representadas pela advogada variam aproximadamente entre R$ 9 mil e R$ 25 mil, e o valor originalmente liberado já ultrapassaria R$ 120 mil, sem considerar juros e encargos futuros.
Em um dos boletins analisados pelo Divinews, Daiane Cristina de Oliveira, de 31 anos e natural de Divinópolis, aparece formalmente identificada como suspeita em uma ocorrência de estelionato consumado.
Um possível histórico anterior agora entra na apuração
A nova denúncia sobre a antiga UNI muda a dimensão da investigação jornalística porque levanta a hipótese de que episódios semelhantes, envolvendo confiança profissional e movimentação financeira, possam ter ocorrido anos antes dos casos atualmente atribuídos a Daiane no Hospital São Judas. Por enquanto, porém, são situações juridicamente distintas.
No caso do hospital, já existe boletim de ocorrência e vítimas representadas por advogada. No episódio da escola, a informação foi apresentada ao Divinews por uma fonte, que atribui diretamente a Daiane o suposto desfalque de aproximadamente R$ 100 mil e relaciona o prejuízo à posterior incapacidade financeira da instituição de continuar funcionando.
O espaço está aberto para que Daiane Cristina de Oliveira apresente sua versão sobre essa nova acusação, assim como as demais partes citadas.
De um suposto rombo em escola a empréstimos no hospital
A cronologia descrita pelas fontes coloca dois episódios separados por aproximadamente três anos. Em 2023, segundo a denúncia recebida pelo Divinews, teria ocorrido o suposto desfalque próximo de R$ 100 mil na UNI Berçário e Educação Infantil. Em 2024, conforme o mesmo relato, a instituição já não teria condições de absorver o prejuízo e acabou deixando de operar nos moldes anteriores, com a atividade posteriormente passando ao Cecri Kids. Agora, em 2026, Daiane aparece como suspeita em ocorrência policial envolvendo empréstimos não reconhecidos por funcionárias do Hospital São Judas.
A existência desses diferentes relatos não permite, sozinha, afirmar responsabilidade criminal em todos eles. Mas a repetição de acusações envolvendo relações de confiança, ambiente profissional e prejuízos financeiros elevados transforma o histórico em um elemento relevante para a apuração jornalística e também para eventual investigação das autoridades.





