Enquanto a maior parte da cobertura da imprensa destacou apenas a pesquisa estimulada, com ampla vantagem para o senador Cleitinho Azevedo, com 35%, no levantamento do Divinews tendo como base o formulário da pesquisa da Genial/Quaest revela que o cenário espontâneo aponta uma realidade bem diferente: Cleitinho segue sendo o nome mais lembrado, agora com 6%, contra os demais candidatos, com 1% cada um, mas o verdadeiro líder, com 88%, é o eleitor indeciso, mostrando que a disputa pelo Palácio Tiradentes, na espontânea, pode estar longe de uma definição.
A divulgação da pesquisa Genial/Quaest sobre a corrida ao Governo de Minas produziu dezenas de manchetes destacando os cenários estimulados, aqueles em que o entrevistador apresenta ao eleitor uma lista de candidatos. Entretanto, uma análise exclusiva realizada pelo Divinews sobre o relatório completo do levantamento mostra que um dos indicadores mais relevantes para compreender o estágio da disputa recebeu bem menos atenção: a pesquisa espontânea. É justamente nesse recorte, considerado por cientistas políticos um dos melhores termômetros da consolidação das candidaturas, que aparece o principal sinal de que a eleição mineira continua amplamente aberta.
Nesse contexto, a pesquisa espontânea sugere que a corrida pelo Palácio Tiradentes ainda está em fase de consolidação. A liderança de Cleitinho demonstra maior presença na memória do eleitor, mas o elevado percentual de indecisos indica que os próximos meses de campanha tendem a desempenhar papel decisivo na formação do voto.
Na pesquisa espontânea, o entrevistador não apresenta qualquer nome ao eleitor. A pergunta é simples: “Se a eleição para governador fosse hoje, em quem o(a) senhor(a) votaria?” A resposta depende exclusivamente da lembrança do entrevistado, sem qualquer estímulo. É justamente por essa característica que a espontânea costuma ser vista pelos especialistas como um indicador do grau de conhecimento e consolidação de cada candidatura.
Na coletiva, o governador e pré-candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), foi perguntado pelo editor do Divinews, sobre o fato de que, só se fala da pesquisa da Quaest apenas nos cenários estimulados, deixando em segundo plano a espontânea, que resenta um percentual elevado de indecisos. Ao responder, o pré-candidato afirmou que essa é uma tendência recorrente na cobertura eleitoral brasileira. “Eu acho que é uma tendência no Brasil de olhar para a estimulada porque o cenário fica fechado. Na espontânea, até o Lula aparece como candidato a governador de Minas Gerais. Então fica difícil você dar qualidade para a pesquisa espontânea”, afirmou.
Na sequência, porém, o próprio governador reconheceu a importância desse recorte e concordou com a observação feita pelo Divinews: “À medida que a campanha vai para a rua, interessa só a espontânea. A estimulada passa a não interessar.” Simões ainda ressaltou que os próprios números da Quaest demonstram que a eleição permanece aberta, observando que a maioria dos eleitores ainda não consolidou sua escolha e que parte daqueles que já manifestaram preferência admite a possibilidade de mudar o voto durante a campanha.
Cleitinho lidera, mas o principal dado é outro
Os números mostram que Cleitinho Azevedo é o candidato mais lembrado espontaneamente pelos mineiros, confirmando sua elevada presença na memória do eleitorado. No entanto, o levantamento revela um dado ainda mais expressivo. O maior percentual da pesquisa espontânea não pertence a nenhum candidato. Pertence aos indecisos. Segundo a Quaest, 88% dos entrevistados ainda não souberam apontar espontaneamente um nome para governador.
O cenário é o seguinte:
| Pesquisa espontânea | Percentual |
|---|---|
| Não sabe/Indecisos | 88% |
| Cleitinho Azevedo | 6% |
| Alexandre Kalil | 1% |
| Mateus Simões | 1% |
| Patrus Ananias | 1% |
| Maria da Consolação | 1% |
| Outros | 1% |
| Branco/Nulo | 2% |
Por que esse dado é tão importante
Enquanto a pesquisa estimulada mede a preferência do eleitor diante de uma lista de nomes, a espontânea mede algo diferente: quais candidatos já conseguiram ocupar espaço na memória do eleitor. Por isso, ela costuma indicar o estágio de consolidação de cada campanha. No caso de Minas Gerais, o levantamento mostra que apenas Cleitinho rompeu, até o momento, a barreira da lembrança espontânea com maior intensidade. Ao mesmo tempo, o índice de 88% de indecisos demonstra que a maior parte do eleitorado ainda não internalizou a disputa pelo Palácio Tiradentes.
Estimulada mostra outra fotografia
Quando o entrevistador apresenta os nomes dos candidatos, o cenário muda significativamente. Nesse ambiente, Cleitinho lidera com ampla vantagem, seguido por Alexandre Kalil, Patrus Ananias e Mateus Simões. A diferença entre os dois levantamentos evidencia um fenômeno conhecido em pesquisas eleitorais: o reconhecimento do nome influencia diretamente a resposta do eleitor. Isso significa que, embora exista um favorito neste momento, a campanha eleitoral ainda terá papel decisivo na formação da opinião pública.
A corrida ainda está em construção
Outro dado da própria Quaest reforça essa conclusão: a maioria dos mineiros afirma que ainda pode mudar de candidato até a eleição. Sob o ponto de vista técnico, a combinação entre um elevado índice de indecisos na espontânea e uma grande disposição para mudar o voto indica que a disputa pelo Governo de Minas permanece aberta.
Em outras palavras, a liderança de Cleitinho demonstra força de lembrança e vantagem inicial, mas a pesquisa espontânea sugere que a eleição ainda está em fase de formação, com espaço para crescimento dos demais candidatos à medida que a campanha ganhar as ruas, o rádio, a televisão e as redes sociais.









