Queijo sem inspeção pode colocar a saúde em risco e provocar doenças graves, alerta Governo de Minas

Especialistas alertam que produtos sem fiscalização sanitária podem transmitir doenças graves, sobrecarregar o sistema de saúde e colocar em risco consumidores, especialmente gestantes, crianças e idosos.

Publicado por: Cristiane Ferreira

Presença constante na mesa dos mineiros, o queijo é um dos alimentos mais tradicionais do estado. No entanto, especialistas alertam que a compra de produtos sem inspeção sanitária pode representar sérios riscos à saúde. Segundo o Governo de Minas Gerais, queijos produzidos de forma clandestina ou sem fiscalização adequada podem transmitir doenças graves, comprometer a saúde pública e causar prejuízos aos produtores que atuam dentro da legalidade.

A segurança do queijo começa muito antes de chegar ao consumidor. Todo o processo envolve cuidados rigorosos, desde o controle sanitário do rebanho até as etapas de fabricação, armazenamento e comercialização. Quando essas exigências não são acompanhadas por um serviço oficial de inspeção, aumentam os riscos de contaminação por microrganismos e doenças que podem ser transmitidas dos animais para as pessoas.

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Doenças podem ser transmitidas pelo consumo de queijo irregular

De acordo com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), produtos fabricados sem inspeção podem estar associados à transmissão de zoonoses, doenças que passam dos animais para os seres humanos por meio de alimentos contaminados.

Entre as enfermidades que podem estar relacionadas ao consumo de produtos sem controle sanitário estão:

Brucelose;

Tuberculose bovina;

Listeriose;

Salmonelose.

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Essas doenças podem provocar complicações sérias e, em alguns casos, exigir internações prolongadas e tratamentos complexos.

Segundo o diretor técnico do IMA, André Duch, a segurança alimentar depende de uma cadeia de responsabilidades que começa na propriedade rural e se estende até o momento da compra.

“O serviço oficial de inspeção acompanha todas as etapas da produção. É esse acompanhamento que garante a qualidade sanitária e a segurança do alimento consumido pela população”, explica.

Gestantes, idosos e crianças estão entre os grupos mais vulneráveis

O alerta é ainda maior para grupos considerados mais sensíveis às infecções alimentares.

Segundo a diretora de Vigilância em Alimentos da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Ângela Vieira, crianças menores de cinco anos, idosos, gestantes e pessoas com o sistema imunológico comprometido apresentam maior risco de desenvolver complicações.

No caso das gestantes, algumas infecções podem resultar em aborto espontâneo, parto prematuro e até infecções que atingem o feto.

Além dos impactos diretos na saúde, surtos causados por alimentos contaminados geram aumento da demanda por consultas médicas, exames laboratoriais, medicamentos e internações hospitalares.

Impacto vai além da saúde individual

As consequências da comercialização de alimentos sem inspeção não atingem apenas quem consome o produto.

Segundo especialistas, surtos de doenças alimentares também provocam impactos econômicos, aumentam os custos do sistema público de saúde e reduzem a confiança da população na qualidade dos alimentos disponíveis no mercado.

Por isso, órgãos de fiscalização reforçam que investir em prevenção, controle sanitário e inspeção é mais eficiente e menos oneroso do que lidar com os efeitos de uma contaminação em larga escala.

Como identificar um queijo seguro para consumo

As autoridades orientam que os consumidores observem alguns cuidados antes da compra:

Verificar a presença do selo oficial de inspeção;

Conferir as condições de armazenamento e conservação;

Comprar apenas em estabelecimentos regularizados;

Desconfiar de produtos sem identificação de origem;

Evitar alimentos comercializados em locais sem condições adequadas de higiene.

A presença do selo de inspeção é uma das principais garantias de que o produto passou por fiscalização e atende às exigências sanitárias estabelecidas pelos órgãos competentes.

Fiscalização pode resultar em apreensão e descarte dos produtos

O IMA também realiza ações de fiscalização para combater a produção clandestina de alimentos. As operações geralmente são desencadeadas a partir de denúncias.

Quando são constatadas irregularidades, os estabelecimentos podem ser interditados e os produtos apreendidos e descartados, conforme prevê a legislação estadual.

Segundo o instituto, a medida tem como principal objetivo proteger a saúde da população, impedindo que alimentos produzidos sem controle sanitário cheguem ao mercado.

Exames não substituem a inspeção da cadeia produtiva

Outro ponto destacado pelos especialistas é que análises laboratoriais realizadas apenas no produto final não são suficientes para garantir a segurança do alimento.

Embora os exames possam identificar falhas de higiene durante a fabricação, eles não conseguem detectar todas as doenças que podem estar presentes no rebanho, como a brucelose e a tuberculose bovina.

Por isso, o acompanhamento sanitário em todas as etapas da cadeia produtiva continua sendo considerado fundamental para assegurar a qualidade dos alimentos consumidos pela população.

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