O senador Cleitinho Azevedo voltou a usar seu estilo direto, popular e sem rodeios para atacar o que classifica como privilégio do serviço público. Desta vez, o alvo foi um juiz de direito da comarca de Divinópolis, que, segundo o parlamentar, teria sido afastado da magistratura após o cometimento de irregularidades – O ex-julgador que aparentemente iria ver o jogo do Brasil naquele local saiu quase que enxotado de dentro do estabelecimento e o povo aplaudindo o parlamentar, como se ele tivesse feito um gol em cima do Judiciário.
O episódio ocorreu em um bar de Divinópolis e ganhou força nas redes sociais após o senador publicar um vídeo em que aparece confrontando o magistrado. Na gravação, Cleitinho afirma não ter medo de eventual processo e diz que pretende lutar para acabar com o que chama de privilégio de autoridades afastadas que continuam recebendo altos salários.
Em tom de enfrentamento, o senador afirmou que o juiz estaria afastado do cargo “por irregularidade” e que, mesmo sem atuar, continuaria recebendo cerca de R$ 40 mil por mês. Cleitinho também declarou que o magistrado poderia processá-lo, mas que ele continuaria denunciando a situação.
“Não tenho medo de você”, disse o senador no vídeo.
A fala, forte e carregada de indignação, foi acompanhada de uma crítica direta ao uso de recursos públicos para manter remunerações de autoridades afastadas. Para Cleitinho, a situação simboliza um contraste entre os privilégios de parte da elite do funcionalismo e a realidade do trabalhador comum.
Depois da abordagem, o senador gravou uma explicação aos seguidores. Segundo ele, muitas pessoas poderiam ter visto o vídeo sem entender o contexto. Cleitinho então afirmou que o magistrado seria de sua cidade e teria cometido várias irregularidades.
Na avaliação do senador, o juiz deveria ter sido punido de forma mais severa. No entanto, segundo Cleitinho, o que ocorreu foi uma aposentadoria compulsória, medida que, na prática, afastaria o magistrado da função, mas manteria o pagamento da remuneração.
Para o parlamentar, isso não representa punição, mas uma espécie de prêmio.
Cleitinho vinculou o caso à pauta nacional contra privilégios e fez uma comparação direta com a situação de trabalhadores submetidos à escala 6 por 1. Segundo ele, enquanto parte da população ganha cerca de R$ 1.600, enfrenta ônibus lotado e trabalha em jornadas exaustivas, autoridades afastadas continuam recebendo salários elevados pagos com dinheiro público.
A fala reforça uma das principais marcas políticas do senador: transformar casos concretos em bandeiras de comunicação popular. Ao abordar o magistrado em local público, Cleitinho buscou dar rosto a uma crítica antiga contra benefícios considerados excessivos no serviço público.
O senador também afirmou que está lutando para acabar com a aposentadoria compulsória como forma de punição para magistrados. Para ele, o modelo atual permite que autoridades afastadas por irregularidades deixem de trabalhar, mas continuem recebendo remuneração custeada pela sociedade.
A crítica de Cleitinho atinge um ponto sensível do sistema de Justiça. A aposentadoria compulsória aplicada a magistrados em processos disciplinares é frequentemente apontada por críticos como punição branda, justamente porque mantém o pagamento de proventos ao juiz afastado, mesmo diante de condutas consideradas graves.
No vídeo, Cleitinho não cita o nome do juiz na transcrição analisada, mas deixa claro que se refere a um magistrado ligado à comarca de Divinópolis. O senador também afirma que o caso precisa ser mostrado à população brasileira.
A postura do parlamentar deve provocar debate. De um lado, há quem veja na atitude de Cleitinho uma cobrança legítima contra privilégios e impunidade institucional. De outro, o tom de confronto público com um integrante do Judiciário pode gerar questionamentos sobre limites, exposição e eventual judicialização do episódio.
O próprio senador parece antecipar essa possibilidade ao afirmar que não teme processo. “Entra na fila”, declarou, em resposta à possibilidade de ser acionado judicialmente.
Politicamente, a cena reforça o estilo que fez Cleitinho ganhar projeção em Divinópolis, em Minas Gerais e no país. O senador costuma usar linguagem simples, indignação popular e enfrentamento direto para tratar de temas que geram forte identificação com o eleitorado.
Ao ligar o caso do juiz afastado à escala 6 por 1, Cleitinho ampliou o alcance da crítica. O episódio deixou de ser apenas uma cobrança contra um magistrado e passou a ser apresentado como símbolo de um sistema que, segundo ele, pesa sobre o trabalhador e protege privilegiados.
A publicação também ocorre em um momento em que o debate sobre privilégios, supersalários, penduricalhos e punições administrativas no serviço público volta a ganhar força. No Judiciário, em especial, temas como aposentadoria compulsória e remunerações elevadas costumam gerar reação da opinião pública.
Para Cleitinho, o caso precisa servir de exemplo para defender mudanças na legislação. O senador pediu que o vídeo fosse compartilhado em todo o Brasil e afirmou que seguirá lutando para acabar com esse tipo de mecanismo.
A fala é contundente, polêmica e carrega o tom característico do parlamentar: confronto direto, linguagem popular e ataque aos privilégios que ele afirma combater.
O caso agora pode ganhar novos desdobramentos, tanto no campo político quanto no jurídico. O juiz citado pode reagir, o Judiciário pode ser provocado e o debate sobre aposentadoria compulsória tende a voltar ao centro das discussões.
Enquanto isso, Cleitinho aposta novamente na força das redes sociais para transformar uma cena local, ocorrida em um bar de Divinópolis, em pauta nacional contra privilégios.
Grifo Divinews. O juiz em questão que não teve seu nome citado pelo senador, mas segundo testemunhas de fonte do Divinews que estava no bar naquele momento teria sido o juiz de Direito Ather Aguiar, que atuava na 1ª Vara de Fazenda Pública e Autarquias da comarca de Divinópolis, teve como punição do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, a aposentadoria compulsória. O TJMG tomou a decisão após uma investigação que se estende desde o ano passado, quando surgiram denúncias de assédio sexual por parte do magistrado contra servidoras e estagiárias.






