Deputada Lohanna mira Gleidson e Agnaldo Laje em crise do Diviprev e cobra responsabilidade

Deputada questiona atuação do superintendente, que teve a cabeça pedida pelos servidores, e que foi indicado por Gleidson, afirmou que as acusações sobre suposta fraude no Diviprev precisam virar denúncia formal no MP

Publicado por: Geraldo Passos

A deputada estadual Lohanna França, em video,  elevou o tom sobre a crise do Diviprev e direcionou sua cobrança a dois  personagens centrais do debate previdenciário em Divinópolis: o ex-prefeito e pré-candidato a deputado federal Gleidson Azevedo e o superintendente do instituto, Agnaldo Laje, que teve sua cabeça pedida na assembleia dos servidores. Fato é que, Lohanna afirmou que Gleidson precisa entender que quem diz que as contas da Prefeitura estão em situação crítica é a própria prefeita Janete Aparecida, que foi sua vice, e não a oposição.

A fala ocorre no momento em que a reforma do Diviprev se transformou no maior desgaste político da gestão Janete. Servidores municipais aprovaram greve a partir de sexta-feira (29) caso o projeto não seja retirado, sindicatos cobram a suspensão imediata da proposta, vereadores passaram a se posicionar e a crise deixou de ser apenas previdenciária para se tornar uma disputa sobre responsabilidade política, administrativa e eleitoral.

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Nesse novo capítulo, Lohanna mirou diretamente o discurso de Gleidson, que tenta atribuir a origem do problema a gestões anteriores, especialmente ao ex-prefeito Demetrius Pereira. Para a deputada, se Gleidson acusa uma suposta fraude ou “maquiagem” nos dados do Diviprev, precisa explicar por que o superintendente indicado por ele permaneceu no comando do instituto por 7 anos sem tomar as providências cabíveis.

Gleidson no alvo político da deputada

Lohanna iniciou a fala afirmando que o ex-prefeito Gleidson Azevedo precisa se entender com Janete Aparecida.

Segundo ela, não foi uma deputada de oposição nem um vereador de oposição que afirmou que as contas da Prefeitura estariam falidas. Quem fez esse diagnóstico, segundo a parlamentar, foi Janete, vice de Gleidson durante a gestão anterior e atual prefeita de Divinópolis.

A deputada também afirmou que nunca disse que a cidade está falida. Ao contrário, sustentou que Divinópolis tem dinheiro. Essa colocação atinge o centro da narrativa oficial usada para defender medidas duras no Diviprev.

Na prática, Lohanna tenta desmontar a ideia de que a crise pode ser atribuída apenas ao presente ou apenas ao passado. Para ela, a atual prefeita e o ex-prefeito fazem parte da mesma linha administrativa, com responsabilidade compartilhada sobre a situação que agora explode no colo dos servidores.

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Agnaldo Laje entra no centro da cobrança

O segundo alvo da fala de Lohanna foi o superintendente do Diviprev, Agnaldo Laje.

A deputada destacou que, para quem não é servidor público, é importante entender que o superintendente do Diviprev ocupa cargo indicado pelo prefeito. Segundo ela, Agnaldo foi indicado por Gleidson e está há 7 anos à frente do instituto.

A partir daí, Lohanna fez a pergunta que mais incomoda o núcleo político de Gleidson: se o Diviprev estava descobrindo supostas irregularidades praticadas na gestão Demetrius, o que o superintendente indicado por Gleidson fez ao longo desses anos para responsabilizar o ex-prefeito?

A questão é direta e politicamente pesada. Se havia problema antigo, por que não houve denúncia antes? Se os balancetes eram apresentados anualmente, por que ninguém identificou a suposta fraude? Se o instituto tinha conselhos fiscal e administrativo, por que a estrutura de controle não apontou o problema?

Deputada fala em “maquiagem” e cobra denúncia formal

Lohanna também tratou da acusação feita por Gleidson contra Demetrius.

Segundo a deputada, Gleidson fala em suposta “maquiagem” nos dados do Diviprev. Ela classificou o termo como um eufemismo para fraude, caso a acusação tenha fundamento.

Por isso, cobrou consequência formal. A parlamentar afirmou esperar que Gleidson tenha feito denúncia ao Ministério Público Federal contra Demetrius para que o caso seja apurado. Caso isso não tenha ocorrido, disse esperar também que Demetrius processe Gleidson, para que o ex-prefeito responda pela gravidade da acusação.

A fala é forte porque tira o debate do campo da retórica política. Se houve fraude, precisa haver denúncia, investigação e responsabilização. Se não houve, a acusação precisa ser comprovada ou enfrentada juridicamente.

Conselhos do Diviprev também são citados

A deputada ampliou a cobrança ao lembrar que o balancete do Diviprev é apresentado todos os anos aos conselhos fiscal e administrativo.

Lohanna questionou como uma suposta fraude poderia ter passado despercebida por todos esses órgãos de controle ao longo dos anos. Segundo ela, se a “maquiagem” existia, nenhum conselheiro percebeu?

A parlamentar também afirmou que o balancete do Diviprev é enviado anualmente, por força da legislação do instituto, ao Ministério da Previdência e ao Ministério do Trabalho. Em seguida, questionou se todos esses órgãos também não teriam percebido eventual fraude nos documentos.

Com isso, Lohanna desloca o debate para uma dimensão institucional. A crise não envolveria apenas um ex-prefeito ou uma atual prefeita. Envolveria também conselhos, superintendência, órgãos federais de controle e todos que, por dever legal, acompanharam os demonstrativos do instituto.

Servidores pediram saída de Agnaldo na assembleia

Na assembleia geral dos servidores municipais, realizada no ginásio poliesportivo, a permanência de Agnaldo Laje à frente do Diviprev também entrou no radar da categoria.

Servidores chegaram a defender sua demissão, em meio à revolta contra o projeto de reforma previdenciária e à cobrança por responsabilização de quem conduziu o instituto nos últimos anos.

É importante separar os pontos. No arquivo transcrito da fala de Lohanna, a deputada não pede expressamente a demissão de Agnaldo Laje. O que ela faz é questionar sua atuação, sua indicação por Gleidson e sua permanência por 7 anos no comando do Diviprev sem, segundo a lógica da própria deputada, ter tomado providências diante das supostas irregularidades apontadas pelo ex-prefeito.

Portanto, a leitura correta é esta: a fala de Lohanna reforça politicamente a cobrança sobre Agnaldo, mas o pedido direto de demissão, conforme informado no contexto da assembleia, partiu de servidores mobilizados.

Gleidson pode virar vidraça em ano eleitoral

A crise do Diviprev ocorre em momento delicado para Gleidson Azevedo. O ex-prefeito é tratado nos bastidores como pré-candidato a deputado federal e tenta preservar capital político construído durante o período em que comandou a Prefeitura. No entanto, a reforma proposta por Janete reabriu a discussão sobre a herança administrativa deixada pela gestão anterior.

Servidores, sindicalistas e vereadores passaram a questionar por que determinadas decisões tomadas no governo Gleidson não receberam a mesma reação pública. Entre os pontos mais citados está a redução da contribuição patronal de 28% para 14%, medida que deu fôlego financeiro à Prefeitura no curto prazo, mas voltou ao debate em meio ao discurso de crise previdenciária.

A fala de Lohanna atinge Gleidson justamente nesse ponto. Se Janete herdou a crise, herdou de quem? Se o governo anterior tinha controle do Diviprev, por que o problema não foi resolvido antes? Se havia denúncia contra Demetrius, por que ela não foi formalizada com força institucional durante 7 anos?

Janete também não escapa da responsabilidade

Embora a fala de Lohanna tenha como alvos mais diretos Gleidson e Agnaldo, a crise também atinge Janete Aparecida. A atual prefeita foi vice de Gleidson e compôs a administração anterior. Agora, como chefe do Executivo, defende uma reforma que servidores classificam como dura, injusta e construída sem diálogo suficiente.

A contradição política é evidente. Janete apresenta a reforma como necessidade administrativa. Mas servidores e opositores lembram que ela participou da gestão que ajudou a construir o cenário atual.

Por isso, a crise do Diviprev não pode ser tratada como uma disputa simples entre atual governo e sindicatos. Ela atravessa duas  gestões, envolve decisões anteriores, atinge conselhos, superintendência e coloca a Câmara Municipal no centro do conflito.

Diviprev virou guerra de versões

A reforma previdenciária abriu uma guerra de versões em Divinópolis. A Prefeitura fala em necessidade de salvar o instituto. Servidores denunciam perda de direitos. Gleidson tenta atribuir problemas a gestões anteriores. Lohanna cobra responsabilidade do ex-prefeito e do superintendente indicado por ele. Sindicatos exigem retirada do projeto. Vereadores se dividem entre cautela, apoio aos servidores e defesa do diálogo.

Nesse ambiente, a fala da deputada funciona como uma espécie de contra-ataque ao discurso de Gleidson.

Ela não nega que possa haver problema no Diviprev. Mas cobra coerência: se havia fraude antiga, por que quem estava no comando do instituto nos últimos anos não agiu? Se os balancetes eram analisados, por que ninguém viu? Se a acusação é grave, onde está a denúncia formal?

O ponto mais sensível: quem sabia e quando soube

A crise do Diviprev agora gira em torno de uma pergunta central: quem sabia do problema e desde quando? Essa pergunta atinge diretamente Agnaldo Laje, pela posição de superintendente. Também atinge Gleidson, por ter indicado o comando do instituto e administrado a Prefeitura por anos. E atinge Janete, por ter sido vice-prefeita e agora tentar aprovar a reforma como solução emergencial.

Lohanna explorou exatamente esse ponto. Ao dizer que Gleidson, no “balaio”, acusou conselheiros, o próprio superintendente e vereadores que passaram pela Câmara desde 2007, a deputada mostrou o tamanho institucional da acusação. Se a tese de fraude for verdadeira, muita gente falhou. Se não for, a acusação precisa ser demonstrada com responsabilidade.

Crise entra na fase da responsabilização

Até agora, o debate do Diviprev estava concentrado no conteúdo da reforma.

Agora, começa a entrar na fase da responsabilização política.

Quem causou o problema? Quem se beneficiou de decisões anteriores? Quem se omitiu? Quem tinha dever de fiscalizar? Quem tenta empurrar a conta para os servidores? A fala de Lohanna França amplia o campo de batalha. Ao mirar Gleidson e Agnaldo Laje, a deputada coloca 2 personagens ligados à gestão anterior no centro da crise que Janete tenta administrar.

A pressão dos servidores sobre Agnaldo, somada aos questionamentos da deputada, aumenta o desgaste da superintendência do Diviprev. E o uso eleitoral do tema tende a crescer, principalmente porque Gleidson aparece como pré-candidato a deputado federal. O Diviprev deixou de ser apenas um instituto previdenciário em crise.

Virou uma pergunta política sem resposta fácil: quem vai pagar a conta, os servidores ou os responsáveis pelas decisões que trouxeram o instituto até aqui?

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