A relação entre a Prefeitura de Divinópolis e os servidores municipais entrou em uma fase ainda mais delicada após assembleia realizada na noite desta segunda-feira (18), quando a categoria decidiu pelo estado de greve. O movimento ocorre em meio ao debate sobre a reforma da previdência municipal e o futuro do Diviprev, instituto que, segundo a prefeita Janete Aparecida, enfrenta uma situação crítica e exige medidas duras para evitar consequências ainda mais graves aos servidores e à população.
O tema ultrapassa a disputa entre Executivo e funcionalismo. A previdência municipal envolve aposentadorias futuras, equilíbrio financeiro, capacidade de pagamento do município, continuidade dos serviços públicos e confiança dos servidores na gestão do próprio instituto. Quando esse debate chega ao ponto de estado de greve, o sinal político é forte: a crise deixou os bastidores e passou a produzir reação organizada da categoria.
O Divinews obteve com exclusividade a posição da prefeita Janete Aparecida após a decisão dos servidores. A chefe do Executivo afirmou que recebeu a notícia durante uma premiação nacional da qual Divinópolis participava e na qual o município alcançou o segundo lugar.
Segundo Janete, a decisão dos servidores causou tristeza e inquietação. A prefeita afirmou que decisões difíceis muitas vezes precisam ser tomadas e nem sempre são aceitas.
Janete diz que não quis prejudicar servidores
Na manifestação enviada ao Divinews, Janete afirmou que nunca teve intenção de prejudicar servidores municipais. Pelo contrário, disse que foi obrigada a tomar uma decisão difícil para salvar os próprios servidores.
A prefeita apontou a reforma da previdência municipal como medida necessária para tentar recuperar o Diviprev, que, segundo ela, “se encontra agonizando à beira do colapso”.
A fala explicita o ponto central da crise. Para a gestão municipal, a reforma não seria uma opção política simples, mas uma tentativa de preservar o instituto e evitar um problema maior no futuro.
Janete afirmou que, sem essa medida, serviços essenciais poderão deixar de ocorrer. Entre os exemplos citados, mencionou a entrega de remédios na UPA, operações tapa-buraco e complementação da merenda escolar.
A prefeita também alertou para um risco ainda mais sensível: a possibilidade de o município não conseguir manter salários em dia caso a situação não seja enfrentada.
Prefeita afirma que sindicatos conhecem o quadro
Janete declarou que a situação foi explicada e já é de conhecimento dos sindicatos.
Antes da crise chegar ao estado de greve, a Prefeitura havia registrado reunião com a direção do Sintram e comissão de negociação salarial, na qual informou que manteria diálogo com representantes da categoria e apresentaria dados sobre a situação previdenciária do Diviprev em encontro específico. Na ocasião, a administração também citou responsabilidade fiscal, equilíbrio das contas públicas e sustentabilidade financeira como pontos centrais das tratativas.
Esse histórico mostra que o debate não surgiu de forma repentina. A pauta previdenciária já estava colocada na mesa de negociação entre Prefeitura e sindicatos, junto com outras demandas dos servidores, como remuneração, diárias, ticket alimentação e condições de trabalho.
Para Janete, no entanto, o município chegou a um ponto em que a escolha administrativa se tornou limitada. A prefeita resumiu a situação com uma frase dura: “A escolha do município hoje é de não ter escolha.”
“Se decidirmos não fazer a reforma, prejudico 240 mil habitantes”
A prefeita sustentou que, se a administração decidir não avançar com a reforma, o prejuízo poderá atingir toda a população de Divinópolis.
Segundo Janete, não fazer a mudança significaria prejudicar 240 mil habitantes. A fala busca deslocar o debate para além da categoria dos servidores, apresentando a reforma como medida ligada ao funcionamento geral da cidade.
Esse é o ponto mais sensível da disputa. De um lado, servidores temem perdas, mudanças de direitos ou impactos diretos em suas aposentadorias. De outro, a Prefeitura afirma que a ausência de reforma comprometerá serviços públicos, equilíbrio financeiro e a própria segurança previdenciária futura.
A tensão cresce porque a previdência municipal não é um tema simples de comunicar. Envolve cálculos atuariais, contribuições, déficit, projeções de longo prazo, regras de aposentadoria e capacidade financeira do município. Por isso, qualquer mudança tende a gerar resistência, insegurança e cobrança por transparência.
Lei recente já alterou regras do Diviprev
O debate sobre o Diviprev também ganhou novos contornos em abril de 2026, quando foi publicada a Lei Complementar nº 251, que alterou dispositivos da Lei Complementar nº 126/2006, responsável por reestruturar a Previdência Municipal dos Servidores de Divinópolis. Entre outros pontos, a norma tratou da composição dos conselhos administrativo e fiscal e da possibilidade de consulta conjunta desses conselhos em projetos que alterem dispositivos da legislação previdenciária.
Embora essa alteração não esgote a reforma previdenciária em discussão, ela mostra que o tema já vinha sendo tratado formalmente pela administração e pelo Legislativo municipal.
Agora, com o estado de greve aprovado em assembleia, o assunto ganha novo peso político. A Prefeitura precisará defender sua proposta diante da categoria e da população, enquanto os servidores tendem a ampliar pressão por explicações, garantias e debate sobre o impacto real das mudanças.
Janete pede que servidores reflitam
Na manifestação ao Divinews, Janete fez um apelo direto aos servidores.
A prefeita pediu que a maioria da categoria reflita e não participe do comando de greve. Ela afirmou que espera essa postura “por amor à cidade” e, principalmente, por responsabilidade com a aposentadoria dos próprios servidores.
O tom do pedido revela a preocupação da gestão com a possibilidade de paralisação ou agravamento do conflito. Um estado de greve não significa greve imediata, mas representa alerta político e preparação para eventual paralisação caso as negociações não avancem.
A partir de agora, o conflito tende a exigir diálogo, demonstração técnica dos números do Diviprev e capacidade política para reduzir o desgaste. A gestão municipal precisará convencer servidores de que a reforma é necessária. Os sindicatos, por sua vez, deverão pressionar por proteção de direitos e clareza sobre os impactos da proposta.
Divinópolis vive impasse entre ajuste e reação dos servidores
O caso coloca Divinópolis diante de uma equação difícil. A Prefeitura afirma que a reforma previdenciária é inevitável para preservar o Diviprev, evitar colapso financeiro, manter salários em dia e proteger serviços essenciais. Os servidores, ao aprovarem estado de greve, demonstram que a categoria não aceita o avanço da proposta sem resistência.
Nesse ambiente, o debate não pode ser conduzido apenas por frases de efeito. A população precisa entender os números, o tamanho do problema, as alternativas disponíveis, os riscos de não fazer nada e os impactos reais sobre quem trabalha no serviço público.
A fala de Janete ao Divinews mostra uma prefeita preocupada em assumir o custo político de uma medida impopular. Ao mesmo tempo, a assembleia dos servidores mostra uma categoria mobilizada e desconfiada dos caminhos adotados pela administração.
A crise do Diviprev, portanto, entrou em seu momento mais sensível. De agora em diante, cada movimento terá peso político, financeiro e social.
Se a Prefeitura não explicar com absoluta clareza a necessidade da reforma, a resistência tende a crescer. Se os servidores não forem ouvidos de forma efetiva, o estado de greve pode evoluir para um conflito maior. E se o problema previdenciário continuar sem solução, a cidade inteira poderá sentir os efeitos.
Veja na íntegra a posição da prefeita Janete Aparecida
Recebi a notícia do Estado de greve, aprovado em assembleia, durante a premiação nacional que nossa cidade estava participando e que alcançamos o segundo lugar.
Posso dizer que fiquei triste e com o coração inquieto, pois decisões difíceis muitas vezes precisam ser tomadas e não é aceita .
Nunca quis prejudicar nenhum servidor, pelo contrário, fui obrigada a tomar uma decisão difícil pra salvar os Servidores e essa medida é a REFORMA da PREVIDÊNCIA e assim tentar recuperar o instituto DIVIPREV que se encontra agonizando à beira do colapso.
Se isso não for feito, serviços essenciais deixarão de ser realizados como remédio entregue na UPA, operação tapa-buraco, além de complemento da merenda escolar entre tantas outras coisas. E ainda pior, não daremos conta de manter o salário em dia.
Isso foi explicado e é de conhecimento dos sindicatos. A escolha do município hoje é de não ter escolha. Se decidirmos não fazer a reforma prejudico 240 mil habitantes, portanto não tenho escolha.
Então eu peço e espero, de coração, que os servidores, em sua maioria, reflitam e não participem desse estado de greve por amor a cidade e, principalmente, responsabilidade com a aposentadoria de vocês .
Janete Aparecida
Prefeita de Divinópolis






