FIEMG formaliza Expominas de Juiz de Fora e déficit anual de R$ 1,3 milhão entra no debate

Segundo a própria federação, informação repassada pela Codemge aponta que o espaço operava com baixa ocupação e prejuízo anual de cerca de R$ 1,3 milhão; operação ocorre em meio a críticas políticas já dirigidas a Flávio Roscoe

Publicado por: Geraldo Passos

A formalização da compra do Expominas Juiz de Fora pela FIEMG recolocou no centro do debate a estratégia patrimonial da entidade e também a figura política de seu presidente, Flávio Roscoe. A federação assinou nesta quinta-feira (26) a aquisição do imóvel por R$ 39,6 milhões e, no comunicado oficial, destacou que a Codemge informava baixa taxa de ocupação do espaço e prejuízo anual de cerca de R$ 1,3 milhão.

No discurso institucional, a compra foi apresentada como um investimento para ampliar eventos, impulsionar negócios e fortalecer a economia da Zona da Mata. A FIEMG afirma que pretende transformar o Expominas em polo regional de feiras, congressos, encontros empresariais, eventos industriais e iniciativas educacionais, aumentando o fluxo de visitantes e a geração de oportunidades na região.

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A própria federação, porém, admite que a aquisição parte de um ativo problemático do ponto de vista operacional. Segundo o texto oficial, a informação recebida da Codemge indica que o equipamento tinha baixa ocupação e gerava prejuízo anual em torno de R$ 1,3 milhão. Esse dado dá outra dimensão ao negócio, porque mostra que a FIEMG não comprou apenas um centro de eventos com localização estratégica, mas também uma estrutura que vinha acumulando dificuldade de desempenho econômico sob a gestão anterior.

O histórico recente do imóvel ajuda a entender esse contexto. Antes da venda à federação, o Expominas já havia passado por tentativas frustradas de alienação. Reportagem publicada em Juiz de Fora registrou que o espaço foi alvo de tentativas de venda em 2017, 2021 e novamente em 2025, até a conclusão do negócio agora formalizado.

É justamente nesse ponto que a operação se cruza com críticas políticas já feitas à gestão de Flávio Roscoe. Em reportagem anterior publicada pelo Divinews, opositores internos da FIEMG, entre eles ex-presidentes e ex-diretores, sustentaram a avaliação de que a visibilidade institucional e as movimentações patrimoniais da entidade poderiam estar reforçando o capital político de Roscoe. Essa leitura é apresentada por críticos da atual direção e não como conclusão comprovada sobre uso irregular da federação.

O debate ganha ainda mais peso porque Roscoe já comunicou à diretoria que deixará a presidência da FIEMG em abril, no prazo de descompatibilização, para ficar à disposição de uma eventual candidatura em 2026. A informação foi publicada pela Itatiaia, que também registrou que o empresário chegou a ser cogitado como possível vice em composição majoritária no Estado.

Dessa forma, a aquisição do Expominas passa a comportar duas leituras. Na leitura oficial, trata-se de uma aposta em gestão mais eficiente, geração de negócios e aproveitamento econômico de um ativo regional importante. Na leitura de opositores internos, porém, a compra também amplia a vitrine pública de um dirigente que já se movimenta para entrar de vez no tabuleiro eleitoral mineiro.

É fato documentado que a FIEMG comprou o Expominas por R$ 39,6 milhões, que a própria federação disse ter recebido da Codemge a informação de baixa ocupação e déficit anual de R$ 1,3 milhão, e que Roscoe já sinalizou saída da presidência para avaliar participação eleitoral em 2026. O que existe além disso, por ora, são críticas políticas e interpretações de adversários internos sobre o significado dessa expansão patrimonial.

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No fim, o negócio firmado em Juiz de Fora é mais do que uma simples compra de imóvel. Ele representa, ao mesmo tempo, um investimento relevante da federação, uma aposta em recuperação de um equipamento deficitário e um novo capítulo do debate sobre a gestão de Flávio Roscoe, cuja trajetória institucional já passou a ser observada também sob lente eleitoral.

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