Entre mensagens protocolares de Feliz Ano Novo, o ano político em Divinópolis começou de forma antecipada. O Divinews, como de costume, aproveitou o recesso para ouvir quem realmente movimenta os bastidores do poder local. Vereadores, ex-vereadores, secretários, ex-secretários, jornalistas, empresários e dirigentes partidários falaram sob compromisso absoluto de sigilo – O assunto? O que Janete vai fazer quando assumir a caneta da Prefeitura de Divinópolis.
O diagnóstico geral é claro: a eleição de outubro não se encerra em si mesma. Ela projeta efeitos diretos sobre 2028, e cada movimento feito agora carrega consequências futuras.
Um dos pontos mais sensíveis envolve a sucessão no Executivo municipal. Caso o prefeito Gleidson Azevedo deixe o cargo até 31 de março, como exige a legislação eleitoral, para se candidatar a deputado federal, e a vice-prefeita Janete Aparecida assumir definitivamente a Prefeitura. E, segundo informações de fonte ligada diretamente à ela, esse cenário já vem sendo tratado internamente como praticamente certo.
A mesma fonte, que pediu anonimato sepulcral ao Divinews, foi direta ao afirmar que Janete não pretende manter parte do núcleo mais próximo do prefeito atual. Segundo esse interlocutor, Demétrius e Braga dificilmente seguirão com ela, enquanto Gustavo Baladas, um dos criadores do folhetim “Baladas de Minas”, está completamente fora de qualquer possibilidade de permanência.
“Ela não confia nele. Tem receio de ser gravada. Pela fidelidade deles ao Gleidson, Janete tem muito o pé atrás com esse povo”, afirmou a fonte.
O cenário aponta para um choque de estilos e de confiança política. Embora Gleidson tenha construído uma equipe altamente leal a ele, muito desses mesmos nomes não desfrutam do mesmo prestígio com a vice-prefeita, que já possui seus próprios quadros de confiança para ocupar funções estratégicas.
E aqui entra um fator institucional pouco comentado publicamente, mas muito discutido nos corredores da Prefeitura: não existe gabinete de vice-prefeita quando a vice vira prefeita. Isso significa, na prática, cortes, realocações forçadas e vigilância extrema.
Mesmo que alguns assessores do prefeito sejam acomodados em outras funções, haverá monitoramento constante. Um vídeo gravado em horário de expediente, uma postagem indevida, qualquer prova de uso da máquina pública em campanha pode significar fim imediato de projetos eleitorais.
No tabuleiro político mais amplo, há consenso de que Divinópolis pode voltar a ter dois deputados federais simultaneamente. Lohanna França, do PV, aparece como nome praticamente consolidado. Gostem ou não de suas bandeiras, até adversários reconhecem capacidade técnica, carisma, oratória e adaptação política. Lohanna se move com facilidade entre ambientes distintos, mantendo presença e capilaridade.
Já Gleidson Azevedo segue impulsionado pela votação tanto na eleição, quanto na reeleição pela associação à imagem do irmão. A grande incógnita é o próprio Cleitinho Azevedo. A maioria dos interlocutores discordam do editor do Divinews, e batem o pé de que, o senador, ao final, será engolido pela maquina e os acordos, e não será candidato ao governo do Estado, o que enfraqueceria o palanque estadual de Gleidson. Ainda assim, o prefeito segue como nome competitivo, especialmente se confirmar a migração para o Republicanos na janela eleitoral de abril.
Outro ponto que apareceu de forma recorrente nas conversas foi o desgaste interno do secretariado. Juliana Coelho, à frente da Assistência Social, é praticamente unanimidade positiva. Apesar dos desafios diários da pasta, demonstra domínio técnico e mantém uma equipe sólida.
Saúde e Educação, as duas maiores secretarias, vivem um cenário morno. O básico funciona, crises são contidas, mas não há brilho nem projetos estruturantes. O mesmo se aplica a áreas como Trânsito, onde ações pontuais, como quebra-molas e faixas elevadas, não resolvem gargalos históricos, sobretudo no horário de pico.
Fora da curva negativa está a Secretaria de Fiscalização de Projetos. O que já foi tratado como carro-chefe do governo, com direito a apelido público de “Tarcísio de Divinópolis”, hoje é descrito como uma usina permanente de problemas. Técnicos apontam falhas em obras de drenagem, asfaltamento problemático na Magalhães Pinto, atrasos no bairro Sidil e calçamentos mal executados, que vão aparecer a partir do período de chuva, que estreou neste domingo (4).
O retrato que emerge dessas conversas é claro: Divinópolis entra em 2026 com um governo em transição emocional, política e administrativa. A sucessão não será apenas protocolar. Ela promete conflitos, rupturas, desconfianças e disputas internas, com reflexos diretos no futuro político da cidade.






