A sucessão municipal de Divinópolis em 2028 entrou inesperadamente na entrevista do senador Cleitinho Azevedo ao Divinews e produziu uma das declarações de maior peso político para o cenário local. Provocado pelo jornalista Geraldo Passos sobre a possibilidade de apoiar a atual prefeita Janete Aparecida na próxima eleição municipal, Cleitinho não anunciou formalmente uma decisão, mas deixou a possibilidade claramente aberta ao responder: “Por que eu não posso apoiar ela? Não tem porquê”. A declaração ocorreu nos minutos finais da entrevista conjunta concedida por Cleitinho Azevedo e Luiz Eduardo Falcão ao Palanque Político Eleitoral Divinews, depois de uma conversa concentrada principalmente nas Eleições 2026, Governo de Minas, composição de secretariado, Assembleia Legislativa, empresas públicas, mineração, impostos e administração estadual.
Já no encerramento, Geraldo Passos levou a conversa para uma eleição ainda distante, mas que começa a movimentar os bastidores políticos de Divinópolis. A pergunta foi direta: Cleitinho poderia apoiar Janete Aparecida em 2028? O senador respondeu sem descartar a hipótese e, na sequência, recuperou a relação política construída com a atual prefeita desde o início de sua trajetória eleitoral. “A Janete é minha amiga, gente. A gente começou junto em 2016”, afirmou Cleitinho, acrescentando que aquela construção também contou com a participação de seu irmão, o ex-prefeito Gleidson Azevedo. O senador reforçou ainda que não via razão para afirmar antecipadamente que não apoiaria Janete: “Não tem porquê eu ficar aqui […] falar que eu não vou apoiar ela ou não”.
“A Janete é minha amiga”
A fala não representa uma declaração formal de apoio eleitoral para 2028, já que faltam dois anos para a disputa municipal e o cenário político ainda poderá sofrer inúmeras mudanças. Politicamente, entretanto, a resposta possui significado porque Cleitinho poderia simplesmente ter evitado o assunto, alegado que seria prematuro discutir a sucessão ou dito que qualquer definição ocorreria somente no futuro. Em vez disso, fez questão de destacar sua amizade com Janete, lembrar a caminhada política iniciada em 2016 e mencionar a construção que envolveu também Gleidson Azevedo, deixando publicamente aberta a possibilidade de estar ao lado da atual prefeita quando chegar o próximo processo eleitoral municipal.
Janete já havia sido elogiada durante a entrevista
A manifestação feita no encerramento não surgiu de forma isolada. Pouco antes, ao responder sobre experiências administrativas que poderia levar para um eventual governo estadual, Cleitinho havia citado a gestão de Gleidson Azevedo em Divinópolis e destacado a participação de Janete. O senador afirmou que uma das virtudes da administração do irmão foi colocar pessoas adequadas nas funções e valorizar Janete enquanto vice-prefeita, classificando sua atuação como a de “uma baita vice-prefeita” e lembrando que ela trabalhou ao lado de Gleidson antes de assumir posteriormente o comando do município. A combinação das duas manifestações aumenta o peso político do episódio: primeiro Cleitinho elogia a trajetória administrativa de Janete e, depois, provocado diretamente sobre a eleição municipal seguinte, não descarta a possibilidade de apoiá-la.
Uma relação política que começou em 2016
A referência feita por Cleitinho a 2016 também ajuda a compreender o contexto da declaração. Foi naquele ciclo político que Cleitinho, Janete e Gleidson passaram a integrar uma construção que, nos anos seguintes, ganharia força em Divinópolis. Cleitinho seguiu trajetória própria, passando pela Câmara Municipal, Assembleia Legislativa e chegando ao Senado Federal; Gleidson chegou à Prefeitura e posteriormente foi reeleito; e Janete ocupou a vice-prefeitura antes de assumir o Executivo municipal. Ao recuperar essa história durante a entrevista, Cleitinho demonstrou que sua relação com a atual prefeita não está restrita ao cenário administrativo de hoje, mas remonta à formação do grupo político que cresceu eleitoralmente no município ao longo da última década.
Geraldo colocou a “pimenta” no encerramento
A pergunta surgiu justamente quando a entrevista estava chegando ao fim. Geraldo Passos avisou que colocaria uma última “pimenta” na conversa e trouxe à mesa os rumores e articulações que começam a circular em torno do futuro político de Divinópolis. O próprio diálogo deixa claro que o tema passa pelos bastidores. Depois da resposta de Cleitinho, Geraldo mencionou justamente essa movimentação política, e o senador reagiu de forma descontraída, devolvendo a provocação ao jornalista e mantendo o clima informal que marcou o encerramento. A brincadeira, contudo, não retirou o peso da declaração, que ficou registrada quando Cleitinho foi confrontado diretamente com a hipótese de apoio a Janete e preferiu não fechá-la.
Apoio não está formalizado
É importante estabelecer uma distinção clara para que a manifestação não seja interpretada além do que foi efetivamente dito. Cleitinho não afirmou que Janete será sua candidata em 2028, não anunciou compromisso eleitoral definitivo e tampouco declarou que existe uma aliança fechada para a sucessão municipal. O que o senador fez foi não descartar o apoio, questionar por que não poderia apoiá-la, ressaltar a amizade existente entre os dois e lembrar que a relação política entre eles começou em 2016. Por isso, a leitura jornalisticamente mais precisa neste momento é que Cleitinho abriu a porta para um eventual apoio, sem transformar essa possibilidade em compromisso eleitoral antecipado.
2028 entra antecipadamente no tabuleiro
Mesmo com a eleição municipal ainda distante, manifestações de lideranças com peso estadual ou nacional têm capacidade de alterar o ambiente político local e alimentar movimentos de aproximação, composição e posicionamento. Cleitinho chega ao pleito de 2026 disputando o Governo de Minas e ocupa posição relevante no cenário político estadual. Independentemente do resultado da eleição de outubro, continuará sendo uma liderança de forte influência em Divinópolis, e uma eventual participação sua na sucessão municipal poderá interferir diretamente na formação das alianças de 2028. A declaração ao Divinews coloca Janete no centro desse debate, não como candidata oficialmente apoiada pelo senador, mas como uma liderança que Cleitinho, quando provocado publicamente, se recusou a descartar e fez questão de elogiar. Em política, dois anos antes da eleição, essa sinalização já é suficiente para movimentar os bastidores.






