Críticas fazem Cleitinho recuar: senador grava vídeo, pede desculpas e reafirma lealdade a Bolsonaro

Senador enfrenta onda de críticas da direita após declarações sobre Eduardo e Jair Bolsonaro, e tenta conter crise com pedido público de perdão

Publicado por: Geraldo Passos

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) protagonizou mais um capítulo de sua relação turbulenta com a base bolsonarista. Após uma entrevista à Rádio Auriverde, em que afirmou ter “gratidão que já paguei e pago” ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Cleitinho passou a ser duramente criticado por aliados da direita, que viram na fala um sinal de ingratidão e afastamento político.

Entre os que reagiram publicamente está o deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL), que aproveitou uma sessão da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais para disparar contra o senador. “Muita gente que foi pra rua, que pediu voto dizendo que era bolsonarista, virou as costas para Jair Bolsonaro”, disse Caporezzo, insinuando que Cleitinho teria se distanciado da direita após chegar ao Senado.

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Em tom inflamado, Caporezzo afirmou que essa seria “a terceira vez que Cleitinho fala borracha”, citando episódios anteriores, como a posição do senador contra a PEC da Blindagem — que previa a necessidade de aval do Congresso para abertura de processos contra parlamentares, e sua defesa do fim da escala 6×1 de trabalho.

O parlamentar mineiro também ironizou a postura de Cleitinho em relação ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), após o senador afirmar que não o apoiaria em eventual candidatura presidencial por ele “não estar no Brasil”. “Qual o momento que você vai falar que ele é um perseguido político?”, questionou Caporezzo, insinuando que Cleitinho teria ignorado a perseguição sofrida por Jair e Eduardo Bolsonaro.

A fala do deputado repercutiu fortemente nas redes sociais e em grupos bolsonaristas, gerando um efeito cascata de críticas ao senador mineiro. Diante da pressão, Cleitinho decidiu gravar um vídeo de retratação e pedir perdão publicamente a Jair Bolsonaro, tentando conter a crise política.

“Quero começar a minha fala com uma coisa que meu pai sempre me ensinou: ser homem e reconhecer o erro. Venho aqui hoje pedir perdão ao nosso querido ex-presidente Bolsonaro”, declarou Cleitinho em vídeo divulgado nesta terça-feira (22).

O senador explicou que suas palavras foram mal interpretadas e que sua intenção era demonstrar gratidão contínua, não desdém. “Eles querem interpretar como se eu tivesse falado que já paguei toda gratidão que tenho. Eu quis dizer que paguei, pago e vou continuar pagando”, justificou. “Se me expressei de forma equivocada, o que tenho que fazer como homem é pedir desculpa.”

Cleitinho ressaltou que continua sendo aliado de Bolsonaro e que reconhece o papel fundamental do ex-presidente em sua trajetória política. “Se não fosse o Bolsonaro, talvez eu nem estivesse dando essa entrevista. Ele interveio pessoalmente para que eu tivesse a vaga de candidato ao Senado. Tenho gratidão por isso e terei pelo resto da vida”, afirmou.

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A retratação, no entanto, não acalmou completamente os ânimos da ala mais fiel ao bolsonarismo. Muitos militantes e influenciadores de direita consideraram o pedido de desculpas tardio e motivação política, especialmente diante da possibilidade de Cleitinho disputar o governo de Minas em 2026, cargo para o qual busca apoio do ex-presidente.

Analistas políticos avaliam que o episódio expôs um racha crescente dentro do campo conservador mineiro, que tem se dividido entre o grupo ligado a Cleitinho e Nicolas Ferreira e a ala mais radicalmente alinhada a Bolsonaro, liderada por nomes como Caporezzo e parlamentares do PL.

A crise também reforça a fragilidade do discurso “independente” que o senador tem tentado adotar em Brasília. Ao afirmar que não apoiaria cegamente qualquer nome indicado por Bolsonaro à Presidência em 2026, Cleitinho buscava marcar posição própria, mas acabou colhendo reações negativas justamente de seu eleitorado mais fiel.

Mesmo após o pedido de perdão, o episódio deixa marcas e coloca o senador em uma situação delicada: entre o pragmatismo político e a cobrança por lealdade incondicional da base bolsonarista.

                                     ( Críticas ao senador Cleitinho )

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