O prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, protagonizou um flagrante que rapidamente ganhou repercussão nos bastidores da administração municipal e nas redes sociais. Seguiu, mandou seguir, ou terceiros lhe enviaram, um vídeo de um servidor público suspeito de bater o ponto e ir para casa durante o expediente, retornando apenas no final do dia para registrar a saída, prática que configura infração administrativa grave.
De acordo com o conteúdo que o próprio prefeito postou em suas redes sociais, tal servidor passou a ser monitorado por cerca de 15 dias. O ápise do flagrante foi após serem mostradas imagens de um veículo seguindo o servidor até sua residência, depois do registro do ponto na Prefeitura. Em seguida, supostamente nesta sexta-feira (17), já que o vído postado foi editado, o servidor ao retornar foi abordado por Gleidson, que registrou o momento em vídeo.
No diálogo gravado, o prefeito confronta o servidor:
— “Por acaso você estava trabalhando? Mas você estava onde agora?” — questiona o prefeito, que prossegue:
— “Ah, no Belvedere? Não, beleza, porque eu acabei de filmar. Você está batendo ponto e não trabalhava. Eu já estou te denunciando no Ministério Público.”. O servidor apenas balbucia algumas palavras inaudíveis.
Em outro trecho, o prefeito afirma que já monitorava o caso havia dias:
— “Eu já estou te filmando há uns 15 dias. Que isso sirva de exemplo para ninguém fazer esse tipo de coisa, porque eu sei que tem mais e eu vou pegar.”
O servidor, aparentemente surpreso, tenta justificar que estava em outra fiscalização, mas é interrompido pelo prefeito, que reafirma a intenção de acionar o Ministério Público e abrir processo administrativo.
Pronunciamento do prefeito
Após o flagrante, Gleidson gravou outro vídeo, sentado em seu gabinete, enviando um recado direto aos servidores municipais
“Não vou expor esse servidor, porque a intenção não é expor ele. Tenho o maior respeito pelo servidor público. Mas esse tipo de conduta tem que acabar. A folha da Prefeitura é mais de R$ 30 milhões por mês, e precisamos mostrar produtividade e excelência no serviço público.”
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O prefeito reforçou que 99% dos servidores prestam bom serviço, mas advertiu que há “uma minoria que envergonha o funcionalismo” e que a tolerância será zero:
“Eu já efetivei mais de 1.500 servidores e vou continuar cobrando. O Ministério Público será acionado, e quem cometer irregularidades vai responder. O serviço público é para servir à população, não para ser aproveitado.”
Contexto e implicações
A gravação mostra, ainda, o painel de um veículo que seguia o servidor após ele deixar a Prefeitura, o que indica monitoramento sistemático da conduta funcional. O episódio reforça a política de “fiscalização direta” adotada por Gleidson Azevedo, que costuma utilizar as redes sociais e vídeos próprios para expor irregularidades encontradas na gestão.
O caso deve resultar em abertura de processo administrativo disciplinar e comunicação formal ao Ministério Público de Minas Gerais, conforme o próprio prefeito anunciou
A identidade do servidor não foi revelada oficialmente, e a Prefeitura ainda não confirmou se o funcionário foi afastado preventivamente.






