Conferências de Saúde sob suspeita: Prefeitura de São Sebastião do Oeste é alvo de ação por irregularidades e por ofensas raciais

Ministério Público analisa denúncia que aponta fraude, restrição de usuários e injúria racial em conferências municipais de saúde.

Publicado por: Redação

Duas conferências municipais de saúde realizadas em São Sebastião do Oeste estão sob risco de anulação judicial. O Ministério Público recebeu pedido para invalidar a Conferência de Saúde do Trabalhador, ocorrida em 7 de abril de 2005, e a Conferência Municipal de Saúde, realizada em 29 de maio de 2025.

Segundo a ação, ambas teriam apresentado irregularidades que comprometem a legitimidade das decisões tomadas. Entre os principais pontos questionados estão a falta de paridade na composição dos participantes, a ausência de ampla divulgação à sociedade e a restrição de usuários do sistema público de saúde.

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As próprias listas de presença, emitidas pela Prefeitura, demonstram que a paridade não foi respeitada. Além disso, os documentos apresentam falhas graves, como rasuras, nomes sem assinaturas, campos em branco e falta de padronização, o que, segundo o processo, revela falta de cuidado e zelo com registros oficiais. Para os autores, os erros expõem o despreparo da organização e reforçam a tese de que houve irregularidades graves.

Regimento interno criou barreiras a usuários

Outro ponto polêmico foi a inclusão, no regimento interno da conferência, de uma regra que exigia que usuários, para terem direito a voto, deveriam morar em São Sebastião do Oeste e possuir cartão SUS vinculado ao município.

A exigência é considerada ilegal, já que a lei 8.142/90 e a resolução 453 do CNS, não prevê tais restrições. Importante destacar que o Sistema Único de Saúde é universal e não pode restringir a participação com base em local de moradia ou vinculação administrativa.

Autoritarismo e restrição ao debate

De acordo com a ata oficial, também emitida pela Prefeitura, o secretário de Saúde, Gutemberg, restringiu a fala de usuários e impediu que propostas fossem discutidas pela plenária.

Para os denunciantes, a postura mostra um comportamento autoritário e desvirtua o objetivo das conferências, que deveriam ser espaços de participação social, diálogo e construção coletiva.

Denúncia de injúria racial

O mesmo secretário é acusado de ter ofendido um participante durante a conferência com a frase: “tumultuando a conferência, mas a cor não ajuda”. O caso foi denunciado como injúria racial e está sendo investigado pela Delegacia de Polícia Civil de Itapecerica, sob responsabilidade do delegado Adriano. O inquérito encontra-se em andamento.

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Legitimidade em xeque

A denúncia afirma que houve uma seleção prévia de participantes, limitando a participação espontânea da comunidade e comprometendo o princípio da ampla participação social.

O processo relata que tinha mais trabalhadores e Gestores do que usuários nas conferências .Relata ainda que os usuários que estavam presentes, a maior parte foi convidado pessoalmente pela administração, para que as demandas do interesse do executivo fossem aprovadas e não as demandas da população, isso fica claro através do horário que foi marcado a conferência, de 08 HS da manhã às 16 HS da tarde, em dia de semana, horário em que a população estava trabalhando.

Para os autores do processo, esse desequilíbrio torna as decisões tomadas nas conferências “ilegítimas” e fere os princípios constitucionais do controle social na saúde.

O que diz a legislação

Conforme as regras do Sistema Único de Saúde (SUS), a paridade entre usuários, trabalhadores, gestores e prestadores é obrigatória. Além disso, a Constituição e a legislação que regulamenta o SUS garantem a universalidade de acesso, princípio que teria sido ferido pelas restrições impostas pela Prefeitura.

O processo segue em análise na Justiça, que deverá decidir se as conferências serão ou não anuladas. Caso a decisão seja favorável ao pedido, as resoluções aprovadas nos encontros poderão perder validade, obrigando a Prefeitura a realizar novas etapas de participação popular.

 

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