Durante várias horas, um Embraer Legacy 500, de nomenclatura UI-50, sobrevoou e realizou manobras no aeroporto Brigadeiro Cabral, em Divinópolis. A movimentação despertou a curiosidade dos moradores, que acompanharam a rotina incomum de pousos, decolagens e arremetidas, típicas de processos de inspeção e calibração de equipamentos aeroportuários.
Segundo informações repassadas oficialmente ao Divinews pelo próprio aeroporto, a aeronave pertence à Força Aérea Brasileira e estava, de fato, em missão de inspeção técnica dos equipamentos do aeródromo. O objetivo, segundo a explicação, está vinculado à regularização e certificação do espaço aéreo, procedimento fundamental para garantir padrões de segurança exigidos por normas nacionais e internacionais.
No entanto, quando o Divinews questionou sobre a necessidade de inspeção em um aeroporto que já recebe regularmente voos comerciais da Azul Linhas Aéreas, a resposta foi evasiva. O técnico ouvido orientou que eventuais dúvidas deveriam ser direcionadas ao DAC (Departamento de Aviação Civil) órgão extinto em 2006 e substituído pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil).
Atualmente, a regulação e segurança da aviação civil passam por uma rede complexa de órgãos:
-
ANAC, responsável pela regulação e certificação civil;
-
DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), ligado ao Ministério da Defesa, que coordena o tráfego aéreo nacional;
-
GEIV (Grupo Especial de Inspeção em Voo), braço especializado da FAB que utiliza aviões-laboratório para aferição de sistemas de navegação e comunicação;
-
e ainda o DSAC (Documento de Segurança da Aviação Civil), canal anônimo de reporte de incidentes.
Continua depois da publicidade
Fontes consultadas pelo Divinews explicaram que aeronaves como a observada em Divinópolis são empregadas em missões de calibração de instrumentos de voo, manutenção e coleta de dados. A presença do Legacy 500 reforça que o GEIV pode estar atuando para atualizar e certificar os sistemas de aproximação e navegação do Brigadeiro Cabral, possivelmente abrindo caminho para que o aeroporto volte a receber aeronaves de maior porte, como o ATR-72/600, utilizado em rotas regionais pela Azul.
Esse tipo de procedimento é parte de uma rotina de fiscalização da FAB, que além de monitorar aeroportos por terra, também atua no ar, utilizando aeronaves equipadas com tecnologia de inspeção de voo. No caso de Divinópolis, o Legacy 500 de prefixo UI-50 foi o responsável pela operação desta quinta-feira (28).
Para a população, o sobrevoo não passou despercebido. Muitos se surpreenderam com a frequência das manobras e buscaram informações sobre o motivo da presença militar. O fato gerou expectativa sobre o futuro do aeroporto e a possibilidade de ampliação da malha aérea comercial na cidade.








É serviço de ajustes e possível correção dos instrumentos do aeroporto, e não fiscalização