O senador Carlos Viana (Podemos-MG) fez duras declarações nesta semana, diretamente dos Estados Unidos, onde participa de reuniões com lideranças e estrategistas do Partido Republicano. Em mensagem divulgada em suas redes, o parlamentar afirmou que a tensão entre Brasil e EUA não se resume ao julgamento de Jair Bolsonaro ou à questão da anistia dos envolvidos no 8 de janeiro, mas faz parte de uma estratégia maior de contenção geopolítica contra os BRICS e a China.
Segundo Viana, após reuniões com interlocutores americanos, ficou claro que o verdadeiro incômodo do governo Trump e de republicanos não é com o ex-presidente Bolsonaro, mas com o papel crescente do Brasil no cenário internacional. “Bolsonaro é só uma capa, um ponto em um iceberg muito maior”, disse.
BRICS, China e cabos submarinos: o incômodo americano
Conforme o senador, o ponto de virada ocorreu quando o governo Lula passou a anunciar projetos estruturantes em parceria com a China, como a ampliação de satélites de comunicação, a construção de cabos submarinos próprios e sobretudo a proposta de substituição do dólar por outra moeda nas transações entre países dos BRICS.
“Quando veio a declaração da substituição do dólar, foi a gota d’água”, afirmou Viana. “A carta enviada pelos Estados Unidos ao Brasil, com sanções e tarifas, não tem embasamento jurídico sólido, tanto que estão usando uma lei de quase 80 anos como justificativa.”
O senador afirma que há medo nos bastidores americanos de perder a hegemonia econômica e militar global, sobretudo diante do crescimento acelerado da China. “Eles já perceberam que o PIB chinês cresce muito mais rapidamente, e estão usando as armas que têm especialmente tarifas para manter sua posição de liderança”, explicou.
Nova ameaça: sanções por comércio com a Rússia
Além da ofensiva contra os BRICS, o senador mineiro revelou que uma nova crise se aproxima para o Brasil, caso o país continue mantendo relações comerciais com a Rússia. Segundo ele, parlamentares de ambos os partidos no Congresso dos EUA pretendem aprovar um projeto de lei que pune com sanções severas qualquer país que mantenha negócios com Moscou.
“Isso pode ser devastador para o agro brasileiro”, alertou. “O Brasil é altamente dependente de fertilizantes e óleo diesel da Rússia. Se esse projeto passar, e tudo indica que passará, enfrentaremos sanções semelhantes às aplicadas ao Irã e à Venezuela.”
Viana classificou essa possível sanção como uma crise “tão grande quanto ou maior” do que as já enfrentadas, e reforçou que o Brasil precisa se antecipar ao cenário internacional, adotando estratégias defensivas comercial e diplomática mais firmes.
Brasil: de coadjuvante a incômodo estratégico
Em sua fala, o senador conclui que o Brasil hoje incomoda por seu tamanho, protagonismo e posicionamento no cenário multipolar. Ele afirma que a crise diplomática em curso tem raízes mais profundas que qualquer questão partidária ou ideológica, e que Bolsonaro está sendo apenas instrumentalizado como narrativa conveniente em uma disputa muito maior.
“A questão do Bolsonaro e da anistia é só uma capa. O que está em jogo é muito mais sério. O Brasil faz diferença. O Brasil incomoda”, resumiu Viana.






