O imbróglio envolvendo a candidatura da deputada federal Dandara Tonantzin à presidência do PT de Minas Gerais ganhou novos contornos neste domingo (7), após a Justiça suspender a liminar que havia autorizado sua participação no Processo de Eleição Direta (PED). A decisão, proferida pelo desembargador Roberval Casemiro Belinati, do TJDFT, atendeu recurso do Diretório Nacional do partido, que havia considerado irregular a entrada da parlamentar na disputa.
Dandara teve sua candidatura inicialmente indeferida por estar inadimplente com o partido. A dívida de aproximadamente R$ 132 mil foi quitada fora do prazo estipulado pelo regulamento do PED. Apesar disso, uma liminar de primeira instância havia autorizado sua inclusão no pleito, o que levou o PT a adiar a votação marcada para o último domingo (6), alegando impossibilidade logística de imprimir novas cédulas em tempo hábil para os mais de 700 municípios mineiros.
Com a nova decisão, a eleição segue suspensa e deverá ser remarcada para o próximo domingo, dia 13. A direção nacional convocou uma reunião extraordinária para esta segunda-feira (8), às 17h, com o objetivo de avaliar os efeitos da judicialização do processo interno e discutir as sanções cabíveis.
O caso escancarou uma crise interna no partido e aprofundou os rachas entre diferentes correntes. A candidatura de Dandara, apoiada pelos deputados Reginaldo Lopes e Cristiano Silveira, virou símbolo de resistência contra o bloco que tenta consolidar Gleide Andrade como força majoritária no estado.
Além disso, a judicialização da eleição petista tem sido duramente criticada por lideranças históricas da legenda, que acusam Dandara de romper com a cultura de resolução interna e arrastar o partido para um desgaste público desnecessário. Há, inclusive, quem defenda sua expulsão do partido por desrespeitar decisões colegiadas.
Nas redes sociais, o caso segue reverberando. Militantes da esquerda acusam o partido de usar critérios subjetivos para barrar a deputada, enquanto aliados da Executiva Nacional afirmam que Dandara tenta “passar por cima do regulamento”.
Como pano de fundo, está a definição do comando nacional do partido: os votos de Minas são cruciais para a vitória de Edinho Silva na disputa pela presidência nacional do PT. Sem a definição mineira, a nacional também está travada.
As decisões judiciais evidenciam o caos político e organizacional da legenda no estado. A eleição, que deveria fortalecer o PT para os desafios de 2026, acabou por desgastar a imagem do partido e expor fissuras que podem ter efeitos duradouros.
Leia também
[pdf-embedder url=”https://divinews.com/wp-content/uploads/2025/07/DECISAO-JUDICIAL.pdf” title=”DECISÃO JUDICIAL”]






