A eleição do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) em Divinópolis, realizada neste domingo (13), foi marcada por disputas intensas entre correntes internas, um adiamento motivado por impasse com a deputada Dandara e declarações que refletem a crise de unidade partidária. O Divinews acompanhou de perto o processo e ouviu os principais protagonistas.
A eleição do novo diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) em Divinópolis, e em outras centenas de municipios de Minas Gerais, realizada neste domingo (13), após adiamento por conflito jurídico envolvendo a deputada federal Dandara, escancarou as divergências entre as correntes internas do partido. O processo, que deveria ter ocorrido no dia 6, foi suspenso por decisão da executiva nacional do PT após judicialização de uma disputa estadual.
O Divinews esteve presente na sede da legenda, em Divinópolis, onde ouviu o presidente em exercício do partido, Manoel Cordeiro, e os dois candidatos mais expressivos da disputa local: o vereador Vitor Costa, alinhado à corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), que tem como uma das liderança, Gleide Andrade, secretária nacional de finanças do partido, e a líder comunitária Sidneia, ligada à corrente do atual presidente estadual, Cristiano Silveira e do deputado federal Reginaldo Lopes.
Manoel explicou que o adiamento da eleição foi necessário diante de um impasse envolvendo Dandara: “Tivemos um problema com uma das candidatas a nível estadual. A deputada federal Dandara, por conta de uma pendência administrativa e financeira, entrou em disputa judicial com o partido. Felizmente, houve um acordo mediado por Edinho Silva, o presidente já eleito, e a eleição em Minas pode ocorrer normalmente neste domingo.”
Sobre o número de votantes, o dirigente comentou que, mesmo com um universo superior a mil filiados em Divinópolis, a expectativa era de que cerca de 200 participassem efetivamente: “Muitos filiados são da década de 80 e mudaram de cidade ou partido. Ainda assim, temos uma base fiel que acredita no PT.”
Já o vereador Vitor Costa demonstrou confiança: “Trabalhamos muito para essa campanha e hoje é o dia de colher os frutos. Os filiados estão saindo de casa para votar e isso mostra que o partido tem base e militância engajada.”
Vitor também comentou o adiamento: “Houve uma liminar judicial provocada por uma chapa estadual que não conseguiu se organizar a tempo. A direção nacional optou por respeitar a decisão da Justiça e reagendou para esta semana. Foi uma medida de cautela, para garantir a lisura do processo.”
Do outro lado da disputa, a candidata Sidneia defendeu a reconstrução do partido com base na participação popular e criticou a centralização do poder: “O PT precisa ser de todas e todos. Nossa candidatura representa a retomada do diálogo com a periferia, com os movimentos sociais e com a base histórica do partido. Queremos um PT mais horizontal.”
A eleição do PT de Divinópolis é reflexo de um momento de realinhamento interno, em que disputas nacionais e estaduais ecoam nos diretórios municipais. O adiamento por conta do embate envolvendo Dandara demonstrou que os bastidores da política petista continuam agitados, e a disputa interna está longe de ser apenas simbólica.
Ainda não há divulgação oficial sobre o resultado final da votação, que deverá ocorrer por volta das 19 horas, mas o clima era de grande expectativa na sede do partido. O nome eleito será responsável por conduzir a legenda em um período decisivo que antecede as eleições municipais de 2026 e em meio às tensões entre alas mais tradicionais e correntes que buscam renovar a forma de atuação do partido na cidade.






