PT implode em Minas: disputa, calote e intervenção judicial paralisam eleição para escolha de presidente estadual; Dandara pode ser expulsa e partido ter intervenção

Publicado por: Geraldo Passos

A eleição interna do Partido dos Trabalhadores em Minas Gerais se transformou em um verdadeiro campo de batalha. A disputa pela presidência do diretório estadual, prevista no Processo de Eleições Diretas (PED) de 2025, precisou ser adiada após uma decisão judicial envolvendo a deputada federal Dandara Tonantzin, que teve sua candidatura barrada por não quitar em tempo hábil sua contribuição partidária, estimada em R$ 132 mil.

Dandara, apadrinhada politica internamente pelo deputado federal Reginaldo Lopes,  recorreu à Justiça comum para garantir sua participação, contrariando as instâncias internas do partido, que já haviam indeferido sua candidatura em várias etapas do processo. A parlamentar argumentou que o pagamento da dívida foi feito, mas acabou estornado pelo banco, o que motivou uma nova transferência após o prazo final de 29 de maio. O Diretório Nacional, contudo, entendeu que a justificativa não afastava o descumprimento do regulamento eleitoral interno.

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Para atender a decisão judicial que lhe dava direito a concorrer, mas diante da impossibilidade de imprimir novas cédulas e organizar a votação já agendada, o PT decidiu suspender a eleição em todo o estado, que envolveria mais de 700 municípios mineiros. A medida foi confirmada em nota oficial da Comissão Executiva Nacional, que ainda convocou reunião extraordinária para avaliar possíveis sanções, inclusive a expulsão de Dandara do partido por ter judicializado uma questão estritamente interna, afrontando o estatuto da legenda.

O episódio expõe, mais uma vez, o histórico de rachas e disputas intestinas dentro do PT, partido reconhecido por sua pluralidade de correntes e tendências, mas que, por vezes, acaba se sabotando a ponto de comprometer sua capacidade de unidade para as eleições gerais. Minas Gerais, palco de embates entre grupos alinhados a Reginaldo Lopes, Gleide Andrade, Leninha Alves e outras lideranças locais, reflete um retrato dessa fragmentação.

O caso de Dandara não foi isolado. Outros nomes de peso do partido também acabaram impedidos de votar no PED por inadimplência. A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, aliada de Leninha Alves, e o ex-governador Fernando Pimentel, hoje presidente da estatal Emgea no governo Lula, constam na lista de filiados com pendências financeiras junto ao partido. Segundo a secretaria de Organização do PT-MG, as normas são claras: quem ocupa cargos públicos ou de confiança precisa estar quite com o partido para ter direito ao voto. Macaé, de acordo com sua assessoria, ainda negocia a regularização do débito; já Pimentel afirmou desconhecer qualquer irregularidade, mas que buscaria esclarecimentos.

A candidatura de Dandara, por sua vez, virou um estopim de disputas muito mais amplas. Apoiada também por Cristiano Silveira, atual presidente estadual que abdicou da reeleição para fortalecer seu nome, Dandara chegou a receber o suporte de setores do chamado Movimento PT, encabeçado por lideranças como Romênio Pereira, Pedro Rousseff e Virgílio Guimarães, todos críticos à condução nacional do processo.

Em contrapartida, Gleide Andrade, Secretária Nacional de Planejamento e Finanças, que conta com o apoio de parte expressiva da Executiva Nacional, consolidou-se como principal beneficiária do indeferimento da candidatura de Dandara, fortalecendo seu espaço dentro do partido mineiro.

A tensão transbordou nos bastidores e em debates públicos. Durante uma discussão de chapas, Dandara chegou a classificar as regras internas do PED como “práticas fascistas”, o que gerou imediata reação do dirigente Valter Pomar, que considerou a fala desrespeitosa e ofensiva ao significado histórico do termo.

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Ainda que o PT se orgulhe de suas instâncias democráticas e da pluralidade de vozes, episódios como este geram desgaste profundo. O processo eleitoral mineiro, que já vinha sendo monitorado de perto pelo comando nacional devido à força política do estado, passa a ser um problema adicional para o partido no ano pré-eleitoral, justamente quando se prepara para tentar retomar o governo mineiro em 2026.

A fragmentação do PT, historicamente presente em disputas internas, tende a se aprofundar ainda mais no chamado pós-Lula. Há quem afirme que, sem o poder de unificação do ex-presidente, as correntes petistas podem chegar ao ponto de inviabilizar projetos majoritários, pois militantes e quadros dirigentes se extenuam tanto em embates internos que saem desgastados para a disputa contra adversários externos e, não raramente, acabam boicotando, ainda que de modo velado, os próprios candidatos do partido.

A judicialização do PED em Minas Gerais evidencia essa crise. A Executiva Nacional do PT, ao convocar a reunião extraordinária de urgência para a próxima terça-feira (08), sinalizou que poderá adotar medidas duras contra a deputada Dandara e até mesmo contra seu padrinho político, Reginaldo Lopes, que também não aceitou a decisão das instâncias partidárias e estimulou a contestação judicial. Não se descarta que ocorra uma intervenção no Diretório de Minas, pelo desrespeito a um decisão do Diretório Nacional e consequentemente ao estatuto do partido.

Para muitos petistas históricos, a situação é lamentável e frustrante, pois afeta diretamente o maior colégio eleitoral do Sudeste depois de São Paulo, onde o PT tem esperanças de crescimento. O ambiente de guerra interna pode custar caro ao partido, tanto no curto prazo, ao enfraquecer lideranças locais, quanto no longo prazo, ao aprofundar divisões internas que se refletem em todo o Brasil

Em meio a dívidas, recursos judiciais, cédulas inutilizadas e acusações de manipulação, o PT mineiro assiste a um dos episódios mais conturbados de sua história recente. A briga fratricida expõe ao público não apenas a dificuldade de gestão partidária, mas também a urgência de repensar as regras internas e o modelo de escolha de dirigentes, se quiser preservar a competitividade para enfrentar a próxima disputa estadual, considerada por analistas como uma das mais duras de 2026.

 

Nota da Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores

O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores torna público aos seus filiados, aos Diretórios Estaduais e Municipais que foi intimado na noite deste sábado de decisão judicial proferida pelo juiz de direito substituto plantonista da primeira instância da Justiça do Distrito Federal e Territórios no processo sigiloso nº 0735105-51.2025.8.07.0001 que determina que sejam tomadas as medidas necessárias para que a Deputada Federal Dandara Tonantzin participe da eleição para o cargo de Presidente Estadual do PT MG em igualdade de condições com os demais candidatos.

A Deputada teve sua candidatura indeferida por meio de decisões da COE Nacional, da Câmara de Recursos, da Comissão Executiva Nacional e do Diretório Nacional, em razão de não ter efetuado o pagamento de suas contribuições partidárias dentro do prazo estabelecido pelo Estatuto do Partido e do Regulamento do PED 2025.

Considerando:

(i) a impossibilidade logística de inserir o nome da Deputada nas cédulas já produzidas, impressas e distribuídas aos mais de 700 municípios do Estado de Minas Gerais em tempo hábil para a realização da eleição a partir das 9h do domingo, dia 06/07/2025;

(ii) a realização de todos procedimentos preparatórios adotados para votação, fiscalização e apuração dos resultados; e (iii) a inviabilidade política decorrente da insegurança que pode ser imposta aos filiados e filadas do PT que exercerão seu voto nesse domingo; a Comissão Executiva Nacional deliberou pelo adiamento da realização do PED no Estado de Minas Gerais para data a ser definida pelo Diretório Nacional.

O adiamento cumpre a decisão judicial de garantir igualdade de condições aos candidatos, sem prejuízo da defesa do Diretório do Nacional no processo em referência que demonstrará a plena regularidade de todas decisões tomadas pelas instâncias internas do Partido.

Por fim, considerando a autoridade da instância nacional do Partido dos Trabalhadores e sua responsabilidade pela condução e preparação do PED 2025, nos termos do Estatuto do Partido e do Regulamento do PED, esta Comissão Executiva Nacional não reconhece a legitimidade da manifestação do Diretório Estadual do PT em Minas Gerais sobre a decisão judicial e seus impactos no PED 2025 no estado.

Em regime de urgência, convoca-se reunião extraordinária do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores , a ser realizada no dia 08/07/2025, às 17h, para tratar sobre o tema desta Nota e dos casos de judicialização por parte de filiados contra decisões internas do Partido.

Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores

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  1. Cidadão disse:

    Pega fogo cabaré !!!! KKKKKKKKKKKKKKK

  2. Divinopolitano disse:

    Quem se matem uns aos outros …… kkkkkkkk

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