A voz embargada de Tatiane Barcelos, ex-coordenadora sindical dedicada há mais de seis anos ao SINDIJORI, sem registroem carteira, com injustificável PJ e não CLT, e outros seis ao SINDICER (Sindicato da Cerâmica), rompeu a barreira do silêncio em áudios profundamente dolorosos e reveladores. O relato, carregado de angústia e impotência, mostra uma mulher injustiçada não apenas por Rodrigo Fernandes, presidente do sindicato dos jornais e portais de Minas Gerais, mas por todo um sistema que insiste em proteger quem deveria ser responsabilizado, inclusive com a conivência velada do poder econômico representado pelo presidente da FIEMG, Flávio Roscoe.
Ao longo de mais de 12 anos de atuação junto a dois sindicatos ligados à FIEMG, Tati como é chamada acreditou em princípios de retidão, ética e zelo institucional. Mas viu sua confiança ser triturada por práticas autoritárias, machistas e cruéis, sempre justificadas em nome de interesses de cúpula.
Seus áudios deixam claro o quanto pressionada a se calar e a tolerar a manipulação, a exploração e o descaso. “Eu fiquei muito assustada quando conversei com a advogada, muito mesmo”, confessou Tati, em voz trêmula, depois de perceber que o SINDIJORI, ao lado de parte do sistema FIEMG, não permitiria nenhuma contestação contra Rodrigo. A decepção piorou quando ela procurou a ouvidoria da instituição.
O sentimento de injustiça ecoa cada frase dos seus desabafos. Tati ex-coordenadora sindical relatou trabalhar 24 horas por dia, feriados, Natal e Réveillon, mantendo a entidade funcionando quase sozinha, enquanto subestimada, humilhada e abandonada. Tudo isso sem nenhum luxo, sem estabilidade, apenas para garantir o sustento do filho. “Eu tenho um carro velho, todo estragado, não viajo, não tenho luxo nenhum. Só continuei porque precisava pagar o aluguel”, lamentou
Trabalho exaustivo
O mais cruel, no entanto, não foi apenas o peso do trabalho exaustivo, mas o assédio moral a que foi submetida a indiferença do entorno, a omissão deliberada de quem poderia ajudá-la e não ajudou. Tatiane empurrada a situações-limite, sentindo-se constantemente acuada, vigiada e temendo até represálias. Rodrigo, segundo ela própria, a controlava pelo medo e pela culpa, num jogo de manipulação que minou sua saúde mental e a colocou à beira do colapso.
“Se não fosse o [cita o nome do filho], eu já tinha sumido”, desabafou Tati ex-coordenadora sindical, em tom desesperador, revelando que só a presença do filho a impedia de desistir completamente da vida. É a confissão de uma mulher esgotada, que chegou a cogitar abandonar tudo, fugir para uma cidade pequena e tentar sobreviver com qualquer trabalho simples, apenas para ter paz.
Rodrigo segue sendo blindado
Enquanto isso, Rodrigo segue sendo blindado. Sua permanência à frente do sindicato, sustentada pela força de bastidores da FIEMG, de Flávio Roscoe, e parte do mercado publicitário, que se cala por medo de perder contratos e verbas publicitárias. Muitos presidentes de sindicatos desaprovam Rodrigo, funcionários da federação igualmente criticam suas práticas, mas a muralha do poder segue protegendo-o, num jogo de conveniências e supostos acordos silenciosos.
Tatiane percebeu, com dor, que não apenas Rodrigo a submeteu ao assédio, mas todo um sistema colaborou para o seu sofrimento. Colegas se omitiram, chefes fingiram não ver, e até conselheiros fiscais preferiram confiar no “chefe” ao invés de cumprir sua obrigação de fiscalização. Ela tentou alertar, tentou falar, mas encontrou portas fechadas e corações duros.
“Ali é uma empresa que pauta pela discrição. Vou ser julgada por falar, e não por proteger a instituição”, disse Tati, resumindo o medo de ser taxada como traidora por expor as feridas do SINDIJORI.
Em meio a toda essa avalanche, a própria Tatiane se questionou várias vezes se não deveria simplesmente aceitar calada, como tantos fazem. Mas a dignidade falou mais alto. E ao escolher desabafar, mesmo sabendo do custo emocional, ela nos brinda com uma coragem ímpar. Não quis e não quer processar, não quer entrar na justiça, não quer “sujar” sua dignidade e história, que hoje Rodrigo tenta fazer. Mas rompeu a mordaça e contou, palavra por palavra, o que enfrentou.
Seu relato, publicado agora, ecoa como um alerta para toda a categoria de comunicação: o SINDIJORI, que deveria proteger os profissionais de imprensa, se converteu num ambiente tóxico e perseguidor, gerido por quem se agarra ao poder sem qualquer empatia por suas próprias equipes, faz coisas que não devia, não é atribuição do sindicato e deixa de fazer o que função da instituição.
Drama de Tatiane Barcelos
É impossível não se comover com o drama de Tatiane Barcelos ex-coordenadora sindical. Uma mulher trabalhadora, mãe, dedicada, que carregou praticamente sozinha as demandas de um sindicato inteiro, apenas para sofrer por jogos de vaidade e poder. Uma mulher que humilhada, silenciada e, ainda assim, manteve a retidão de não querer dinheiro fácil, de não querer processo.
Fica a pergunta que não quer calar: até quando Rodrigo Fernandes continuará sendo blindado pela força política de Flávio Roscoe e sua FIEMG, mesmo sob desaprovação dos colegas, funcionários e do mercado? Até quando os veículos de comunicação associados ao SINDIJORI vão fingir que nada acontece, enquanto quem trabalha de verdade padece calado?
Além disso, a história de Tatiane Barcelos merece lembrança. Merece gerar indignação. Porque não se trata apenas de um drama pessoal. Trata-se de uma denúncia grave sobre como um sistema inteiro, movido a vaidades, omissões e interesses, foi capaz de triturar a dignidade de uma mulher honesta.
Para que outros encontrem coragem de dizer “basta”. Tatiane, mesmo exausta e sem forças, encontrou. E, ao fazer isso, nos lembra que dignidade não tem preço, e que nenhum chefe, nenhum sindicato, nenhum presidente de federação, tem o direito de tomar isso de alguém.
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