Um episódio de violência escolar ocorrido nesta quinta-feira (26) na Escola Estadual Manoel Corrêa Filho, em Divinópolis, virou centro de debate sobre estrutura, preparo docente e inclusão de alunos com necessidades especiais.
Uma professora de apoio, de 46 anos, sofreu agressões durante o atendimento a uma aluna de 11 anos, diagnosticada com autismo e Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
Segundo o boletim da Polícia Militar, a estudante arremessou uma garrafa plástica no rosto da docente, causando um corte no lábio.
Além da agressão física inicial, a menina segurou com força os braços da professora e tentou empurrá-la contra uma grade. Outro professor precisou intervir para conter a situação. A servidora sofreu lesões leves, mas o episódio deixou marcas emocionais em toda a comunidade escolar.
Situação de risco e respostas imediatas
De acordo com a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG), a direção da escola agiu prontamente. Acionou os responsáveis pela aluna e a Polícia Militar, que fez o registro da ocorrência. Um relatório com os detalhes do caso também encaminhado ao Conselho Tutelar.
A SEE/MG destacou ainda que o Núcleo de Acolhimento Educacional (NAE), ligado à Superintendência Regional de Ensino de Divinópolis, vai reforçar as ações psicossociais na unidade. Além disso, a professora agredida receberá acompanhamento do Serviço de Acompanhamento Sociofuncional (SAS).
A secretaria reforçou, em nota oficial, que repudia toda forma de violência dentro do ambiente escolar.
O desafio da inclusão com segurança
O episódio expõe um problema antigo na rede pública de ensino, o despreparo estrutural e humano para lidar com alunos que possuem condições como o autismo e o TDAH.
Especialista ouvida pelo Divinews apontam que situações de crise, como a vivida na escola estadual do bairro Planalto, poderiam ser evitadas com investimentos adequados em capacitação de professores, estrutura de apoio emocional e profissionais especializados dentro das escolas.
“Casos assim exigem uma rede de proteção que, infelizmente, muitas vezes não existe ou é insuficiente”, afirma Letícia Morais. Segundo ela, o número de profissionais preparados para atuar como mediadores escolares ainda é pequeno diante da demanda crescente.
Cresce o número de ocorrências
Este não é um caso isolado. Dados recentes da própria SEE/MG revelam que o número de ocorrências envolvendo violência em escolas públicas cresceu nos últimos dois anos em Minas Gerais.
Em Divinópolis, segundo levantamento extraoficial feito pela reportagem, pelo menos cinco casos de agressões a professores ou alunos, dentro ou fora das escolas estaduais e municipais, foram registrados apenas em 2025.
O Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) também se manifestou, defendendo mais segurança para os profissionais e maior investimento em inclusão.
Voz da mãe e o contexto familiar
A mãe da aluna agredida também prestou esclarecimentos. Ela informou à direção da escola que a filha possui laudo médico de autismo e TDAH, e que enfrenta crises comportamentais com certa frequência.
Além disso, ela relatou que a família já buscou acompanhamento médico e psicopedagógico, mas reconhece que o ambiente escolar representa um desafio para a menina.






