De acordo com relatos de um morador das imediações do Tiro de Guerra de Divinópolis, fornecidos ao Divinews, Luiz Militão, Expedito Lucas e Nelson Duarte (conhecido como Magal) foram os líderes do acampamento bolsonarista que se formou em frente à unidade militar do Exército. Esse acampamento foi permitido sob o olhar complacente do comandante local, atitude que se repetiu em diversas localidades do país – Somente após a quebra de sigilo do relatório das investigações da Polícia Federal, ordenada pelo ministro Alexandre de Moraes, foi possível compreender o motivo da insistência dos bolsonaristas em permanecer, mesmo sob condições climáticas adversas, nesses locais. O acampamento era marcado por palavras de ordem contra a democracia, rejeição ao resultado das eleições e incitação às Forças Armadas para se insurgirem contra o Judiciário, especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF). Eles se baseavam em uma interpretação equivocada e conveniente do artigo 142 da Constituição Federal para justificar tais atos – O morador, que relatou dias de “agruras e infortúnio”, apontou que, poucos dias antes do que seria o fatídico 15 de dezembro — data prevista para o golpe de Estado e para a execução de assassinatos políticos —, Luiz Militão, que mais tarde foi preso pelos atos golpistas de 8 de janeiro em Brasília e posteriormente liberado, anunciou ao grupo que havia recebido informações diretas do Palácio do Planalto. Segundo Militão, o golpe estava confirmado – O mais grave, de acordo com o relato, foi Militão afirmar que o plano incluía a eliminação física do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes. O relatório da Polícia Federal corroborou essa informação, destacando que os alvos seriam “mortos” – O denunciante descreveu a reação do grupo como “ensandecida”. Segundo ele, os manifestantes entraram em delírio ao ouvir sobre o golpe e os assassinatos planejados. “Foi uma reação surreal” diante de um ato duplamente criminoso: a tentativa de um golpe de Estado seguida de mortes”, relatou.
Terreno do acampamento bolsonarista pertencia a Drayfus Rabelo, afirma Denunciante
O denunciante relatou ao Divinews o desespero causado pelo barulho ensurdecedor vindo do acampamento bolsonarista, que impedia tanto ele quanto a vizinhança de dormir ou descansar devido aos hinos e gritos de ordem que começavam às 6h da manhã e se estendiam até tarde da noite. Exausto e sem alternativas, decidiu procurar o Ministério Público (MP) em busca de uma solução. No entanto, foi orientado a recorrer à Secretaria de Trânsito e Transporte do Município (SETTRANS) para tratar da interdição da rua ocupada pelos manifestantes. “Se não resolverem, volte aqui”, disseram os representantes do MP.
Na SETTRANS, recebeu a promessa de que os agentes iriam ao local no dia seguinte para remover o som e liberar a rua. Contudo, o que presenciou foi exatamente o oposto: os agentes estavam confraternizando com os manifestantes e até compartilhando lanches. Indignado, retornou à Secretaria para cobrar uma ação, mas foi informado de que o promotor Expedito Lucas havia protocolado um pedido para estender a interdição por mais sete dias.
Ao retornar ao Ministério Público em busca de uma solução, não conseguiu ser recebido por nenhum promotor. O denunciante admite que sua condição física e emocional também dificultava a situação: “Eu estava muito alterado. Estava nervoso. Sofri muito aqui. Tive até uma trombose. O médico disse que meus sinais vitais já tinham praticamente desaparecido. O barulho era incessante, começava cedo e ia até tarde. Foi um período insuportável”, desabafou.
Policia Militar
O denunciante também expressou sua frustração com a atuação da Polícia Militar durante o período do acampamento bolsonarista. Segundo ele, os policiais apareciam esporadicamente no local, mas não ofereciam soluções concretas para o problema. “A única coisa que faziam era me sugerir ir para outro lugar descansar, dizendo que não podiam fazer nada”, relatou.
Em um episódio específico, o denunciante afirmou ter sido intimidado por um policial: “Um deles chegou a dizer para eu não falar nada dele, insinuando que, se eu falasse…”. A frase não foi concluída, mas o tom ameaçador deixou o morador abalado. “Eu me senti um lixo, desamparado. Não tinha polícia, não tinha Ministério Público, ninguém que pudesse fazer algo para resolver a situação”, desabafou.
Participantes e líderes
Quando questionado pelo Divinews sobre quem liderava e incentivava o grupo, a fonte foi enfática ao apontar Luiz Militão, o ex-promotor de Justiça Expedito Lucas e Nelson Duarte, conhecido como “Magal”, como os principais responsáveis. “Eram eles que comandavam, mas tinha muita gente envolvida. Tinha empresários, o dono do Hospital Santa Lúcia, o marido dela que era engenheiro da Copasa, o dono do Laboratório Central. Eles estavam lá praticamente todos os dias. Acredito que eram essas pessoas que mantinham o movimento funcionando”, afirmou.
A fonte também descreveu a organização logística do acampamento, que incluía marchas lideradas por Expedito Lucas. “Tem um vídeo dele na frente, liderando as pessoas enquanto marchavam”, relatou.
Além disso, destacou que os participantes contavam com uma estrutura de suporte no local. “O almoço era preparado ali mesmo, porque eles contratavam cozinheiras para fazer comida todos os dias. Pagavam também por outros tipos de serviços necessários para manter o movimento ativo”, completou.
Tiro de Guerra – Conivência
A conivência de militares com os acampamentos bolsonaristas em frente a unidades do Exército foi uma prática amplamente observada em todo o Brasil, e em Divinópolis não foi diferente. No Tiro de Guerra local, a situação foi similar. Segundo o denunciante, os militares permitiram e até facilitaram o movimento. “Eles encerraram oficialmente o Tiro de Guerra em novembro, mas depois os recrutas foram convocados pelo subtenente Carvalho para dar sustentação ao acampamento”, afirmou. O subtenente Carvalho foi posteriormente transferido para Rondônia.
O denunciante relatou que chegou a procurar o comandante Carvalho para cobrar uma posição sobre a permanência dos manifestantes. No entanto, em vez de atender pessoalmente, o subtenente enviou um recruta para responder, afirmando que, caso quisesse, poderia retirar os manifestantes imediatamente, conforme orientações do Ministério Público. “Ele vai para casa e dorme, e eu fico aqui sem poder dormir”, desabafou o morador, indignado com a postura do comandante.
Após o término do acampamento, Carvalho teria evitado qualquer contato com o denunciante. “Passou um bom tempo sem falar comigo. Só recentemente é que ele cruzou comigo, deu uma risadinha. Foi aí que percebi que a situação estava ficando ruim para ele. Acho que pensou que, se eu falasse algo, poderia complicá-lo”, relatou. Durante a despedida de Carvalho, antes de sua transferência, o comandante chegou a chorar, o que provocou revolta no denunciante: “Pensei comigo: ele não devia ir para Rondônia, devia é ser preso. Golpista mesmo. Nunca vi nada assim na minha vida”.
Apartidário
O denunciante fez questão de esclarecer que não possui vínculos com nenhuma ideologia partidária. Em resposta ao Divinews, afirmou que nunca foi filiado a qualquer partido político e não se identifica nem com a esquerda, nem com a direita. “Não tenho ligação com nenhum lado”, enfatizou, buscando afastar qualquer impressão de parcialidade em suas declarações.
Financiamento e pagamentos no acampamento
O denunciante revelou ao Divinews, que o acampamento bolsonarista também funcionava como uma operação remunerada. “Um senhor aqui da vizinhança chegou a me dizer: ‘Larga isso, vem pra cá, vem ganhar dinheiro’. Tinha muita gente que recebia para participar. Contrataram jovens, mulheres e até senhoras de idade. Vi uma senhora mais velha indo para o acampamento com uma bandeira. Eles pagavam um valor até razoável, algo em torno de R$ 50 por dia, talvez mais”, relatou.
Quando questionado pelo editor do Divinews, Geraldo Passos, sobre quem financiava o movimento, o denunciante apontou Nelson Duarte, conhecido como Magal, como o responsável. “Ele era o caixa. Recebia contribuições de empresários que queriam ajudar e fazia os pagamentos. Eu mesmo o vi entregando dinheiro. Ele sempre andava com uma agenda debaixo do braço, onde provavelmente registrava tudo.”
Magal teria admitido ao denunciante que era ele quem coordenava as atividades do acampamento. Contudo, o denunciante afirmou que não conseguiu registrar todas as situações, pois frequentemente era vigiado e filmado pelos manifestantes. Apesar disso, conseguiu gravar alguns vídeos, que foram apresentados ao Divinews durante uma entrevista realizada em sua residência.
Um dos relatos mais graves apresentados pelo denunciante ao Divinews envolve Luiz Militão, ex-candidato a prefeito de Divinópolis, que já foi filiado ao PT, posteriormente ao PSDB e atualmente está no PL. Segundo o morador, Militão frequentemente se reunia com o grupo de manifestantes e, rodeado por eles, declarava: “O GENTE, EU ESTOU FALANDO AQUI DIRETO COM O PALÁCIO DO PLANALTO”.
Questionado pelo Divinews sobre quem seria o interlocutor de Militão no Palácio do Planalto, o denunciante afirmou que Militão nunca revelou nomes ou detalhes, mantendo o mistério sobre a suposta fonte de suas informações.
De acordo com o denunciante, em determinado momento Militão anunciou que “as informações são corretas” e afirmou que havia planos para matar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Alexandre de Moraes e o vice-presidente Geraldo Alckmin. “No dia que ele falou isso, as pessoas começaram a gritar como se estivessem em um jogo de futebol. Foi surreal”, lamentou o morador.
Quando o editor do Divinews buscou confirmar essa declaração absurda, questionando novamente quem havia mencionado a morte das lideranças políticas, o denunciante foi categórico: “O MILITÃO”. Ele também apontou Expedito Lucas como outro responsável por discursos inflamados no acampamento. “O Militão e esse Expedito, Nossa Senhora, as coisas que eles falavam eram inacreditáveis”, desabafou.
O denunciante também foi perguntado se possuía uma gravação específica da fala de Militão sobre as mortes. Ele explicou que não conseguiu gravar o momento exato da declaração, mas em um vídeo que apresentou ao Divinews, é possível ouvir a voz de Militão mencionando que “haveria uma limpeza”.
Após análises, constatou-se que a fala de Militão sobre as mortes ocorreu no final de novembro, antes da data prevista para o golpe, 15 de dezembro. Segundo o relatório da Polícia Federal, o plano incluía a morte de Alexandre de Moraes, mas foi abortado na última hora porque a sessão do STF terminou mais cedo do que o esperado, frustrando os conspiradores. Essa revelação se alinha às investigações da PF, que destacam o nível de organização e intenção criminosa por trás do movimento.
Expedito Lucas – Incitação Antidemocrática
Expedito Lucas, em uma de suas manifestações antidemocráticas realizadas em frente ao Tiro de Guerra (TG) de Divinópolis, também utilizou o espaço do Poder Legislativo local para disseminar discursos de ódio. Em diversas ocasiões, ele direcionou ataques à deputada estadual Lohanna França, como já relatado pelo Divinews em outras reportagens.
Uma fala emblemática de Expedito chamou a atenção. Ele declarou: “O Lula não irá assumir”. Contudo, a gravação do vídeo foi cortada logo após essa frase. Durante a entrevista ao Divinews, no entanto, foi possível acessar o trecho completo, no qual Expedito incitava: “FORÇAS ARMADAS, É HORA DE AGIR. JAMAIS DEIXAREMOS O LULA ASSUMIR. SE FOR PRECISO, PEGAMOS EM FUZIL.”
O denunciante também destacou que Lohanna França foi a única figura pública que lhe deu atenção durante o período crítico. Ela chegou a fazer um pronunciamento na Câmara Municipal de Divinópolis em defesa da democracia. No entanto, sua postura a tornou alvo de uma turba enfurecida ligada ao movimento. “Eu me senti até culpado por ter acontecido aquilo com ela”, desabafou o denunciante, referindo-se aos ataques que Lohanna enfrentou após seu posicionamento.
Ônibus para Brasília
O denunciante relatou ter testemunhado a saída de três ônibus em direção a Brasília, um dia antes dos atos golpistas de 8 de janeiro, conhecidos pela depredação e vandalismo em prédios públicos. “Eu vi eles partindo daqui em três ônibus, naquela vez que teve aquela quebradeira”, afirmou.
Ele também mencionou a presença de um homem ligado ao setor agropecuário, cuja família participava ativamente das manifestações locais. “Esse cara trouxe um coquetel molotov para Brasília, mas acabou sendo preso”, contou, destacando o nível de organização e o envolvimento de indivíduos com intenções violentas nos atos.
Uso de Idosos como Escudo
O denunciante relatou um episódio lamentável envolvendo o uso de idosos no acampamento bolsonarista. “Eles trouxeram um monte de idosos, incluindo pais e avós, que parece que serviam como escudo. Seria uma forma de passar a imagem para a sociedade que eram pessoas respeitáveis, de famílias boas. O lugar estava cheio de idosos”, afirmou.
Ele também destacou que os participantes serviam almoço regularmente, demonstrando uma organização que incluía até mesmo a logística de alimentação para manter a presença dos envolvidos no local. “Eles preparavam e serviam refeições para todos”, completou.
Ameaça e medo
Após o morador, de forma espontânea, procurar o Divinews para relatar os fatos e apresentar diversas imagens que corroboram suas declarações, ele passou a demonstrar preocupação com a repercussão de suas denúncias. O temor principal é ser identificado, o que poderia colocá-lo em risco.
No entanto, grifa o Divinews, os fatos narrados já são de domínio público e estão sob investigação das autoridades competentes e não há risco nenhum. Quem tem que temer alguma coisa são os envolvidos nos atos golpistas e não o denunciante. Muitos dos envolvidos parecem não estar cientes de que estão sendo monitorados de perto.
Polícia Federal
O Divinews entrou em contato com a Polícia Federal para relatar os detalhes da entrevista, mas a instituição optou por não se manifestar sobre o assunto. No entanto, é de conhecimento público que as investigações sobre os atos golpistas continuam em andamento. O caso está centralizado em Brasília, sob a condução da própria Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF), que seguem apurando os envolvidos e suas responsabilidades.







Fonte : Partido dos trabalhadores. 😏🙄
Sinto uma vergonha enorme de tudo isto ter acontecido “nas barbas” das autoridades e nada tenha sido feito. Muito triste ver um ex Promotor fazendo uma barbaridade dessas, jogou na lama o bom trabalho que fez enquanto estava na ativa.
Gente, quem não assistiu o filme AINDA ESTOU AQUI, assista e depois digam se ainda querem de volta um governo comandado por militares.
Bando de idiotas aloprados e sem ocupação. Nada mais que isto.