Deputada Lohanna França repudia doutrinação da emissora de TV Rede Minas com programação de cunho fundamentalista religioso

Publicado por: Redação

Na segunda-feira (22), a programação da TV estatal Rede Minas fez a estreia de uma nova grade, a qual apresentou uma programação que mostra as tendências da nova gestão das emissoras do estado, tanto a televisão como a Rádio Inconfidência. Coordenada pelo ex-coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL) e hoje filiado ao Novo, do Governador Romeu Zema, o conteúdo veiculado nos canais traz viés de neopentecostalismo até nos conteúdos infantis, bem como aposta no sensacionalismo policial ao jornalismo da emissora.

Às 8h, a Rede Minas passa a transmitir “Danizinha protetora”. O desenho animado de traços arredondados e coloridos oferece à criançada doses cavalares de proselitismo religioso. No site da própria Rede Minas, a trama do programa é descrita assim: “a garotinha e sua turma têm, como propósito, proteger as crianças contra as ameaças que podem tirá-las da sua infância. Ela encarna a defensora dos valores cristãos e ensina a importância da confiança em Deus e como reconhecer situações que podem comprometer seu bem-estar”. Em um site oficial da personagem, lê-se mensagens como: “nosso lema é que Deus não erra! Menino é menino, menina é menina e os dois gêneros têm muito valor como nasceram”.

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As mudanças de programação são concomitantes à chegada de Leonardo Vitor para assumir as redações da Inconfidência e da Rede Minas. Ex-MBL e atual membro da juventude do Novo em Minas, ele tem uma atuação intensa nas redes sociais compartilhando conteúdos contra o governo Lula e figuras da esquerda de forma geral, além de outros comportamentos como críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Funcionários da rádio e da televisão relatam que o ambiente na redação é de constante menção à orientação ideológica dos trabalhadores. À coluna também foi relatado que, sob Zema, a Empresa Mineira de Comunicação empilha cargos comissionados e que estes contratados atuam na mudança do conteúdo emitido na Rede Minas e Inconfidência.

Conforme observado, as alterações já geram diversas críticas nas redes sociais. Vários comentários estão presentes nos perfis oficiais da Rede Minas, por parte dos espectadores. As deputadas estaduais Bella Gonçalves (Psol) e Lohanna França (PV) anunciaram que estudam medidas jurídicas contra o que foi chamado de “puxadinho da extrema direita” nas emissoras estatais.

Bella postou no X (antigo Twitter). “Diante de um desmonte, agora a Rede Minas traz em sua programação um programa sensacionalista à la Balanço Geral, conteúdo gospel no noticiário e desenhos infantis com ideologias de caráter LGBTfóbico. É grave, gente! Estamos falando de uma emissora pública, em um estado laico”, escreveu Gonçalves em seu perfil.

Lohanna critica a programação

A deputada estadual Lohanna França (PV) foi às redes sociais questionar o caráter homofóbico da programação religiosa na nova grade da Rede Minas. Ela também levantou dúvidas sobre a constitucionalidade do uso de recursos públicos. “Precisamos discutir o papel das emissoras públicas na promoção de conteúdos religiosos e como garantir que essas plataformas respeitem a diversidade de crenças de toda população e não de apenas um grupo específico e próximo ao governo de Minas”, disse a parlamentar.

Fonte: Estado de Minas

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