Assim como existem controvérsias na oitiva de Fernando Henrique no depoimento que ele deu na Policia Federal, ao que ele prestou na Corregedoria da Justiça de São Paulo, que o Divinews teve acesso com exclusividade por meio de fonte, este em uma oitiva de um procedimento disciplinar de um servidor daquele estado, Sandro Rodrigues Barbosa, que é investigado por envolvimento no suposto caso da tentativa de extorsão da quadrilha, em que um dos membros dizia ter influência no Ministério da Cultura para liberação de recursos federais, da Lei Paulo Gustavo aos artistas locais de Divinópolis. Também no depoimento do prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, à mesma Juíza de tal Corregedoria ele, além de sequer saber o nome correto do cargo do seu assessor especial de Governo Fernando Henrique, que foi com quem os quatro membros da quadrilha teve contato. Ao mesmo tempo em que, Gleidson diz que só teve conhecimento do assunto, ou seja, da tentativa de extorsão no dia da prisão, contudo relatou que anteriormente, ou seja, meses antes, ele, Fernando e Thiago Nunes já haviam procurado a Policia Federal. E aí paira a dúvida, o prefeito sabia ou não? Procuraram a PF anteriormente ou não? Foi só no dia? E por que só no dia?
Juíza: Boa tarde. Trato o senhor por excelência. O senhor é Gleidson Contijo de Azevedo, é isso?
Prefeito: Sim.
Eu sou a Dra. Cláudia Juíza. Dr. Diego é o advogado do servidor Sandro Rodrigues Barbosa. Eu tirei o Sandro da sala virtual, E pergunto para o senhor, o senhor prefere depor ele assistindo o depoimento do senhor ou o senhor se sente mais à vontade ele não assistindo?
Prefeito: Não, pode assistir, eu não tenho medo de ninguém, não. Vou até gravar com esse sujeito aí.
Juíza: Não é nem questão de medo, às vezes o senhor poderia se sentir constrangido.
Prefeito: Não, eu só vou falar o que é verdade.
Juíza: Perfeito, então o senhor não se incomoda de ele assistir?
Prefeito: De não, de jeito nenhum. Pela minha parte, não.
Juíza: Mais uma vez, eu sou a doutora Cláudia Juíza. Nós estamos aqui com o representado Sandro Rodrigues Barbosa e assistido pelo seu advogado, o doutor Diego Levida Silva. Quero consignar que esse processo, ele não visa apurar a questão criminal, mas tão somente as questões de ordem administrativa, já que eu sou a juíza corregedora. Do Juizado Especial Cível da Comarca de Santa Isabel. Por essa razão, o processo iniciou com uma portaria, como manda as normas da corregedoria. Então, nós estamos com a primeira testemunha, o senhor Gleidson, que é prefeito. Eu vou primeiro pedir para o senhor fazer um discurso livre, iniciando. O senhor Sandro Rodrigues Barbosa, o senhor não reconhece?
Prefeito: Você está me perguntando? Não, nunca vi. Pela primeira vez aqui agora.
Juíza: O senhor é prefeito, então, de Divinópolis?
Juíza: O senhor Fernanda Henrique Costa de Oliveira é assessor do senhor?
Prefeito: Isso.
Juíza: Ele é secretário.
Prefeito: Secretário? (Na dúvida pergunta para alguém que estava na sala virtual)
Juíza: Qual é a pasta dele, por favor?
Prefeito: Secretaria especial do prefeito.
Juíza: Secretaria? Qual que é? Ele é assessor especial do prefeito.
Prefeito: Ele é secretário.
Juíza: Mas qual é? A pasta?
Prefeito: A pasta hoje, no organograma da prefeitura, está com o secretário especial do prefeito.
Juíza: Verifico que essa portaria aponta alguns atos que infringiriam o Estatuto dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo. O senhor tomou conhecimento por parte do Sr. Fernando Henrique? Se houve algum tipo de ameaça em relação a ele por parte do Sr. Sandro?
Prefeito: Só depois do ocorrido que aconteceu na…Foi a prisão desde aqui no dia. Foi depois desse dia que eu fiquei sabendo dessas ameaças. Só que nesse dia eu não estava aqui não, eu estava viajando. Aí quando eu retornei da viagem, eu fiquei sabendo.
Juíza: Você não estava então na cidade no dia da prisão?
Não. Na terça-feira eu estava em São Paulo.
Juíza: Mas o senhor Fernando tinha compartilhado com o senhor, dito que estava acontecendo algum tipo de ameaça, de pressão em relação a ele?
Prefeito: Não, só depois do ocorrido.
Juíza: O que ele disse para o senhor depois do ocorrido?
Prefeito: Então, é porque como eu não estava aqui, eles fizeram até uma coletiva de imprensa, acho que foi no dia depois. Aí eu acompanhei de fora, foi o que eu fiquei sabendo, que eles chegaram aqui no dia, parece que eles chegaram mais cedo, na parte da manhã, entraram dentro do BBB dele, armado, e depois na parte da tarde voltou de novo. E aí foi quando a Polícia Federal pegaram eles lá no estacionamento da Prefeitura.
Juíza: Eles estavam armados?
Prefeito: Pela primeira vez, o que o Fernando relatou, sim. Na primeira vez, na quarta manhã.
Juíza: E ele chegou a mencionar para o senhor se era apenas um armado? Qual seria dos envolvidos que estava armado?
Parece que era só um deles que estava armado, que chegou dentro do gabinete dele. Eu acho que colocou até a arma em cima da mesa dele.
Juíza: Mas ele não mencionou o nome do senhor.
Eu não lembro, eu não sei te falar se era o Sandro, se era o tal do Douglas.
Era um deles.
juíza: E eles foram na parte da manhã, depois que o senhor ficou sabendo dos fatos, o senhor Fernando. pediu que eles comparecessem a Divinópolis ou eles foram espontaneamente a Divinópolis? O senhor sabe esse detalhe?
Prefeito: O que eu sei foi espontâneo, né? O Fernando ficou surpreendido com a chegada deles aqui na parte da manhã.
Juiza: E ele mencionou para o senhor o que eles falaram na parte da manhã?
Prefeito: Isso que a gente escutou na live que eles fizeram de coletivo de imprensa, que primeiro eles tinham chegado aqui cobrando dinheiro e colocou a arma em cima da mesa. Aí o Fernando falou, não tem dinheiro, não recebi de imprensa nenhuma. Aí que eles falaram, então, você se vira aí que na quarta a tarde já está voltando. Foi quando eles voltaram na quarta a tarde e o Fernando já tinha comunicado à Polícia Federal aonde a Polícia Federal quer pegar esse elementos.
Juíza: O senhor Fernando chegou a mencionar para o senhor se ele foi ameaçado de morte?
Prefeito: Foi, sim.
Juíza: Nesse dia, ainda que na parte da manhã, ou já estava sendo ameaçado de morte?
Prefeito: No dia? Nesse dia mesmo. Só no dia.
Juíza: No período da manhã, então?
Prefeito: Isso.
Juíza: O senhor se recorda se o Sr. Fernando mencionou se foi o representado Sandro que fez as ameaças de morte?
Prefeito: Eu acredito que sim, que foi o Sandro. Porque eu não estou guardando os nomes aqui. Eu acho que eu leio que a pessoa que chegou armada e colocou a arma em cima da mesa dele foi esse Sandro.
Juíza: E esse dinheiro, o senhor se recorda, era originário do quê que eles estavam cobrando?
Prefeito: Então, a origem disso foi que há um tempo atrás, isso foi em 2020 agora, em 2023, do ano passado. Um desses integrantes chegaram aqui em contato primeiro comigo, falando que tinha uma verba da cultura, que eles iam conseguir resgatar ela e colocar aqui na prefeitura. Aí eu falei, eu não entendo nada disso, vou passar o contato dos secretários, que é o secretário de cultura, para você poder olhar com ele de que forma legal a prefeitura poderia receber esse recurso. Aí eles entraram em contato com o secretário de cultura, E depois o secretário de Cultura veio me comunicar que, pelas conversas de mensagem, que estava uma conversa muito esquisita, que esse Douglas estava querendo colocar assim, ó, a Prefeitura recebe 60 e tantos por cento. Aí eu falei com ele assim, ó, então a partir de agora vai lá na Polícia Federal, que é um registro federal, vou lá na Polícia Federal para poder denunciar eles. É aí que eu chamei o Fernando, Também o Tiago, que é o outro secretário, pra gente poder fazer essa denúncia.
Juíza: Então, quem entrou em contato com o senhor foi a pessoa de Douglas?
Prefeito: Isso, esse Sandro eu nunca tive nenhum contato com ele.
Juíza: E esse Douglas entrou em contato com o senhor via fone?
Como é que é?
Juíza: Ele entrou em contato com o senhor através de telefone?
Prefeito: Isso, por mensagem. Mensagem.
Juíza: O senhor tomou conhecimento, eles foram presos no pátio da prefeitura.
Prefeito: Não, não entendi.
Juíza: Eles foram presos no estacionamento da prefeitura.
Prefeito: Isso, no estacionamento da prefeitura.
O senhor pode só tirar essa parte da frente pra eu olhar o rosto da juiz?
Aqui, ó.
O senhor…
Juíza: Sabe o veículo que estava no pátio de quem era?
Prefeito: Não sei, porque eu não estava aqui, né. Eu acompanhei tudo, foi pela imprensa aqui, local de Divinópolis, porque eu não voltei no mesmo dia. Eu tinha chegado na semana de férias e eu voltei só na outra semana. Então, eu não acompanhei de pé, não. Eu fui só escutando o que a imprensa estava relatando. Agora, eu me envolvi, não sei, não.
Juíza: Consta aqui da representação que, no período da tarde, Policiais Federais, Ismael e André, eles se posicionaram ao lado da sala onde o servidor Fernando se encontrava e ouviu toda a conversa.
Prefeito: Aconteceu isso?
Juíza: Embora o senhor não estivesse presente, o senhor ficou sabendo se isso aconteceu?
Prefeito: Sim, pelo que o Fernando conta e que eu acompanhei pela imprensa, foi isso. Os policiais estavam aguardando, escutando que esses Santos, esses outros que estavam aqui, tentando pressionar o Fernando.
Juíza: O senhor se recorda especificamente, embora o senhor não estivesse presente, o representado Sandro, ele disse ser escrevente do Tribunal de Justiça de São Paulo?
Prefeito: Eu fiquei sabendo, sim, pela imprensa.
Juíza: Mas para a vítima, para o senhor Fernando, o senhor sabe se ele se identificou como funcionário?
Prefeito: Não, num dia? Eu não lembro se o Fernando comentou esse comitê, se ele se colocou como funcionário aí do Estado, não. Fui saber pela imprensa, depois de dois dias, que ele era funcionário do Estado.
Juíza: Então, o senhor não se recorda ou o Fernando não comentou?
Prefeito: Agora eu posso falar que não, porque eu não vi o Fernando. Eu vi o Fernando só na outra semana. E a imprensa já tinha noticiado que ele era funcionário do Estado durante a semana que aconteceu.
Juíza: O senhor ficou sabendo, pelo Fernando, pelo secretário, qual o valor foi exigido na extorsão?
Prefeito: Eu acredito que quase 500 mil. Porque eles trabalhavam com porcentagem do valor que era a verba. Por exemplo, a verba se fosse 1 milhão e 900, 1 milhão e 800, eu escrevia 25% disso. E que daria mais ou menos, acho que quase 500 mil reais.
A juíza encerrou sua oitiva e logo a seguir perguntou ao advogado do Sandro se teria alguma pergunta.
Advogado: Há quanto tempo o senhor conhece o seu assessor Fernando?
Prefeito: Eu acredito que deve ter na média uns cinco anos.
E há quanto tempo ele foi nomeado para o cargo pelo senhor.
Prefeito: Em janeiro de 2021.
Advogado: O assessor Fernando, ele tem desempenhado uma boa função no exercício da atribuição do cargo?
Prefeito: Só tanto tá dando um testemunho que tem um cidadão aí que tá preso porque a gente fez uma denúncia de corrupção, com certeza só tem que agradecê-lo pela coragem dele.
Advogado: É, essa é uma outra questão. Eu acho que, com devido respeito, eu acho que acusações têm que ser provadas, porque também existem inúmeras acusações de corrupção na administração municipal do senhor. Então, acusar por acusar. Não, a imprensa prova, inclusive, com denúncia do Ministério Público, sendo acatado pelo Tribunal de Justiça. Mas não é esse o objeto.
Juíza: Eu acho que, assim, estamos aqui para discutir de forma clara. Eu não quero adentrar…Como eu ponderei desde o início, o objetivo aqui é um processo administrativo, uma situação pontual de infrações de deveres funcionais. Outras questões são estranhas aos autos. Eu só quero, com devido respeito, que sejamos objetivos nas perguntas e não quero adentrar em mérito de questões.
Advogado: Eu acho que, assim, não compete à testemunha adentrar no mérito de questão a ser analisada, possivelmente, por vossa excelência, no momento do julgamento da ação. Só isso.
Advogado: Mas, retornando, senhor prefeito, Senhor, o senhor chegou a exonerar o assessor Fernando? Depois dos fatos ou antes?
Prefeito: Antes.
Advogado: E qual seria o motivo?
Prefeito: Ele que pediu a exoneração que foi na questão da Polícia Federal.
Advogado: Ah, antes desses fatos?
Prefeito: Antes.
Ele já estava sendo investigado.
Ele estava sendo investigado também?
Não.
Essa situação aí dessa poluição que eles queriam fazer na prefeitura já estava sendo investigada.
Ah, tá ok.
Quando…
Advogado: O senhor tinha ciência do ofício assinado solicitando essa verba para a ministra da Cultura em Brasília?
Prefeito: Sim.
Advogado: O senhor se recorda o valor que foi solicitado via ofício?
Prefeito: Não.
Advogado: Quando dos fatos, no mês de janeiro deste ano, as verbas que foram destinadas da lei Paulo Gustavo, elas já haviam sido dadas de destinação para projetos culturais?
Prefeito: Se elas já estavam em depósito na Prefeitura, Não, não, se ela já tinha sido destinada para os artistas locais, para os…Estava em processo de…É, porque precisa dos próprios artistas que façam o projeto, que aproveitam e façam o pagamento, né? Então ainda não tinha feito nenhum tipo de pagamento para nenhum artista ainda não.
Advogado: Tá, e no caso existe uma comissão que faria essa análise?
Prefeito: Sim, tem. Servidores concursados, nomeados. Sim, é dentro da Secretaria de Cultura, né?
Advogado: E no caso, dentro dessa comissão, o assessor Fernando, ele participava ou não?
Prefeito: Nada, nada, nada.
Advogado: Ele não participa do setor de licitação?
Prefeito: Não.
Advogado: Bom, o senhor sabe qual é a formação do Fernando?
Prefeito: Advogado.
Advogado: Ele é advogado?
Prefeito: Isso.
Advogado: Emite parecendo licitações?
Prefeito: Não.







Já não basta a vergonhosa situação em que nossas cidade se encontra, ainda temos que ler um texto muito mal digitado, cheio de erro, que dureza…