Por Gra Castro: “Às vezes, quando tudo dá errado, acontecem coisas maravilhosas que nunca teriam acontecido se tudo tivesse dado certo”


Essa frase pode muito bem resumir o conceito do livro “A livraria dos achados e perdidos”. Uma tragédia pode significar o início de uma trajetória de transformação íntima, profunda e inspiradora – Natalie Harper vivia uma vida tranquila, estável e sem graça em um emprego bem remunerado que não lhe trazia satisfação e vivia um relacionamento que não lhe despertava paixão.

Toda a previsibilidade da vida de Natalie vai por água abaixo quando uma tragédia ocorre e ela herda a falida livraria da família. Além de ter de dedicar tempo e esforço para salvar o negócio, Natalie ainda precisa cuidar do avô que enfrenta problemas de saúde.

O prédio que abriga a livraria é muito antigo e um patrimônio da cidade de São Francisco, mas precisa urgentemente de uma reforma. Com o início das obras, artefatos antigos são descobertos e aí começa a jornada transformadora de Natalie. Junto de cada artefato encontrado nas paredes descascadas e gastas da livraria, Natalie encontra também um pedaço de si mesma, de sua essência, história e identidade.

Cuidar da Livraria dos achados e perdidos é uma forma da personagem viver o luto e ressignificar sua vida. Em meio aos livros, Natalie resgata o amor por aquele que fora seu lugar preferido no mundo e consegue, aos poucos, escutar seu coração, dando um novo sentido à sua vida.

O livro de Susan Wiggs é um romance de leitura fluida, sem reviravoltas e acontecimentos mirabolantes. A trama se parece com o transcorrer da vida: o passo a passo, o dia-a-dia, um eterno e lento processo de busca, escolhas, descobertas e recomeço.

Longe de ser aquela obra que arrebata o leitor e provoca grandes emoções, “A livraria dos achados e perdidos” proporciona uma leitura agradável e cativante, de forma despretensiosa.

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