Partidos de esquerda fazem oposição a Zema e Kalil e propõem aliança para Governo de Minas em 2022


Presidentes e lideranças de seis partidos se reuniram na segunda-feira (22) para discutir a criação de uma frente ampla que possa evitar a polarização entre o governador Romeu Zema (Novo) e o prefeito Alexandre Kalil (PSD) na eleição de 2022. O encontro para discutir os problemas do Estado contou com representantes do PT, PV, PSB, PSOL, PCdoB e Rede. A ideia levantada pelo grupo é reproduzir em Minas Gerais uma aliança que vem sendo construída no cenário nacional, entre legendas de oposição ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Foram seis partidos que sentaram para discutir os problemas do Estado. Uma plataforma diferente daquela que o governador Zema tem apresentado, que a nosso ver não traz desenvolvimento econômico e social para Minas. E essa articulação rompe essa polarização entre a candidatura de Zema e Kalil e faz com que esses partidos possam também em Minas pensar em uma candidatura ao governo do Estado”, afirmou Wadson Ribeiro, presidente do PCdoB em Minas, após deixar a reunião. O representante da Rede no encontro, no entanto, admite que a sigla já tem conversas para apoiar Kalil no ano que vem.

As conversas entre os partidos começaram durante as negociações para atos de protestos contra o presidente Bolsonaro, no início do mês passado.

“Reunimos os partidos que estão unidos na campanha Fora Bolsonaro, numa agenda comum para o país. E também são partidos que se posicionam contra o governo Romeu Zema. Todos entenderam que a partir do diagnóstico dos problemas que o Estado vive, é importante que se tenha um plano e um projeto minimamente unificado”, explicou o deputado Cristiano Silveira, presidente estadual do PT.

A definição sobre uma aliança eleitoral para 2022, porém, dependerá de acordos nacionais firmados entre os partidos e deve ser tomada apenas no ano que vem. A intenção do grupo é manter as conversas nos próximos meses para avaliar o cenário político e avançar na união em torno de uma candidatura.

“Sobre as questões eleitorais, essa discussão deverá acontecer naturalmente, no momento adequado, até porque há questões nacionais a serem resolvidas, mas o esforço e diálogo é para que esse movimento esteja junto como um projeto para Minas Gerais. Esse encontro vai se desdobrar em outros eventos, como pactuamos aqui. Outros partidos serão bem vindos, desde que estejam alinhados com as premissas que foram discutidas hoje”, afirmou Cristiano Silveira.

No final de semana, o prefeito de Teófilo Otoni, Daniel Sucupira, se lançou pré-candidato e recebeu apoio de alguns deputados petistas. No entanto, Silveira considera que o martelo sobre o futuro do PT em Minas só será batido após decisões da Executiva Nacional. A intenção do diretório estadual é avaliar qual cenário será mais positivo para a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado.

Frente programática progressistas 

O presidente do PV em Minas, Osvander Valadão, considera que o surgimento de uma frente partidária poderá melhorar o debate. O nome do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Agostinho Patrus (PV), vinha sendo apontado por vários políticos como possível candidato a vice-governador na chapa de Kalil. A aliança, no entanto, desagrada o partido e segundo Osvander teria pouca chance de prosperar.

Para o líder do PV, o encontro desta segunda-feira foi um passo importante para as siglas acertarem suas pautas e bandeiras comuns no Estado e no país.

“A ideia da criação desse fórum tem a ver com nossa afinidade programática. São partidos progressistas. Temos agendas em comum, como a oposição ao governo Bolsonaro no cenário nacional, e a dificuldade com o governo Zema, que reproduz o método bolsonarista no Estado. Vamos traçar uma linha de discussão programática, entendendo o ideário de cada partido e avançar nos temas caros do Estado. Se isso vai se desdobrar em uma aliança política lá na frente, é uma outra discussão. Mas, a princípio seria isso, ter um debate dentro do nosso campo”, disse Valadão.

Representante da executiva estadual do PSB, Kátia Gaivoto, avalia que a principal pauta de união dos seis partidos são as críticas aos governos federal e estadual.

“A frente de partido se propõe a debater o Estado e a tônica que nos unifica é derrotar Bolsonaro e Zema, que representa a política neoliberal e o retrocesso em relação ao que defendemos como políticas públicas para Minas Gerais”, afirmou. Já no PSOL, uma reunião marcada para o dia 11 de dezembro vai avaliar a possibilidade da aliança com outros partidos e as pautas sobre o cenário para 2022.

Fonte: Jornal O Tempo

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