Por Laiz Soares: O barco está afundando e a vacina é o salva vidas


O Papa Francisco disse em vários momentos da pandemia que estamos todos no mesmo barco diante dessa crise sanitária, humanitária e econômica. Independente de religião, classe social ou ideologia, estamos conectados e vivendo o mesmo drama, ninguém escapa. Claro que a dor e o sofrimento é muito maior para uns do que para outros. Nem todos tem o privilégio de poder ficar em casa, a maioria não tem. A grande questão é que a pandemia é uma doença coletiva, e sua solução também é.

Ninguém consegue se salvar sozinho, nem resolver o problema só. Num mundo marcado por divisões, muitos divulgaram na pandemia uma falsa ilusão: a de que se trata de um conflito da saúde versus a economia, que temos que fazer uma escolha de um contra o outro. No país do “nós contra eles”, muitos adotaram essa divisão nos seus discursos.  O problema da economia é o problema da saúde e vice-versa. Quanto mais a pandemia se agrava e mais gente lota os sistemas de saúde, mais a economia colapsa, pois não existe economia sem vida. Até o Ministro Paulo Guedes já entendeu, aceitou e disse isso recentemente, reforçando a urgência e a importância da vacina.

Economia pressupõe produção e consumo e se baseia numa lógica de expectativas. Quem investe e produz o faz porque tem a expectativa da venda.  Se milhões de pessoas e seus familiares estão preocupados em sobreviver a um vírus e milhares de fato morrem todos os dias, além do drama humanitário e do sofrimento das famílias, não há lógica de produção e consumo que sobreviva a esse contexto de insegurança e incertezas. Portanto, a questão de geração de empregos e renda vai muito além de comércio aberto ou fechado.

Quando o medo e a falta de previsão em relação ao futuro dominam, nada é mais humano e real do que nosso instinto de sobrevivência. E é esse instinto que leva muitos a serem contra medidas mais restritivas de isolamento que atrapalham o comércio e serviços. Esse sentimento é legítimo porque as pessoas precisam pagar suas contas e por comida na mesa para sobreviver. O grande problema é que uma coisa não está isolada da outra. Não existe voltar a aquecer a economia, garantindo que comércio aberto gere vendas, gerando mais emprego e renda enquanto o vírus estiver fortemente presente, matando tantos.

Por isso é tão urgente a volta do auxílio emergencial  que acabou de ser anunciada mas que veio num valor muito abaixo do necessário. Por isso, venho falando tanto que seria super importante que o município pensasse em soluções como programas de transferência de renda locais, como fez o município de Nova Lima, como a prefeitura de Recife anunciou, e várias cidades pelo país tem feito. As únicas soluções para a crise econômica e de saúde são: ajudar quem precisa de complemento de renda ou não tem nenhuma renda enquanto corremos atrás da vacina e garantimos a menor circulação possível do vírus.

A normalidade precisa minimamente conseguir voltar e ela só virá com a vacina, isso está mais do que provado. A vacina diminui drasticamente o risco de morte e é a principal solução da crise de saúde e da crise econômica, junto com o uso de máscaras, álcool em gel e cuidados para garantir o distanciamento. Quanto mais vírus, casos e mortes, pior a economia irá. Quanto menos casos dado o respeito às medidas de distanciamento, o uso da máscara e a vacinação em massa, mais rápido a economia se recupera e a vida volta ao normal.

Tem político dizendo que não, mas existe vacina disponível para venda sim, mas é claro que não é fácil conseguir comprar e impossível receber imediatamente. São contratos negociados com antecedência, como o contrato da Pfizer que o governo federal não quis avançar no ano passado e que poderia estar vacinando milhões de pessoas hoje. Não é à toa que o Supremo permitiu que estados e municípios se articulassem para comprar vacinas caso o Ministério da Saúde falhasse no plano nacional de imunizações. E falhou. Existe sim a possibilidade de compra de vacinas por parte e estados e municípios e a iniciativa da Frente Nacional de Prefeitos pode sim se tornar concreta dada a lentidão do governo nacional em conduzir esse processo. O prefeito de Divinópolis dias atrás disse em vídeo que assinar o termo de interesse era um ato político que não servia pra nada, e que ele só estava assinando porque foi cobrado. Ele estava tão enganado que a Câmara votou essa semana projeto que autoriza essa compra via consórcio com outros municípios, essa possibilidade é sim real.  Como é que conseguem politizar mobilizações que tentam construir soluções?

Isso não é postura de liderança, é negligência, desleixo e falta de compromisso com a vida e com resultados efetivos. Diminuir qualquer tentativa de se correr atrás de vacinas não faz sentido nenhum e não ajuda em nada.  Estamos todos no mesmo barco, ele está afundando, e o colete salva vidas é a vacina. Quanto mais demora, mais gente morre. Precisamos da vacina e auxílio emergencial o quanto antes possível, ou muitos irão literalmente morrer afogados.

Um comentário em “Por Laiz Soares: O barco está afundando e a vacina é o salva vidas

  • 19 de março de 2021 em 18:38
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    Politizaram a pandemia
    .a tv funeraria que perdeu toda verba comercial do governo.comanda a destruição da economia brasileira e das familias.O GOVERNO HOJE ANUNCIOU 183 MILHOES DE DOSES….A FIOCRUZ ANUNCIOU HOJE 1.800 E 6. MILHOES POR SEMANA 24 MILHOES …VAMOS AGUARDAR QUE MAIS A OPOSICAO VAO QUEREM.

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