Por Laiz Soares: Desemprego entre os jovens


A chegada da pandemia do novo coronavírus trouxe uma série de desafios. A economia como um todo foi afetada: o PIB, o Produto Interno Bruto do Brasil, índice que mede toda a riqueza produzida no país somando o que o comércio, a indústria e os serviços conseguiram produzir caiu muito ano passado. Nossa economia desacelerou muito e agora está retomando sua força, e a perspectiva é de crescimento do PIB este ano. O Brasil conseguiu crescer, mas esta riqueza ficou concentrada na mão de quem já tinha dinheiro ou em determinados setores da economia que cresceram com a pandemia. Isso significa que esse crescimento do PIB não garante uma vida melhor, com mais empregos e oportunidades para todos. O setor de serviços e comércios, que emprega muito, continua com grandes dificuldades.

A oferta de vagas no mercado de trabalho não vai acompanhar esse crescimento do PIB. O número de desempregados bateu um novo recorde, chegando a 14,8 milhões de pessoas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas – IBGE, é a maior taxa e o maior contingente de desocupados de todos os trimestres da série histórica, iniciada em 2012.O grupo que está mais sofrendo diante dessa situação são os jovens, de acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas. O ganho médio de adolescentes com idades entre 15 e 19 anos caiu 34%, enquanto para a faixa de 20 e 24 anos caiu 24%. Já entre 25 e 29 anos, o ganho médio baixou em 22%.  Estamos com uma juventude que não está conseguindo estudar direito por causa da pandemia, está com seu emocional abalado, não possui conhecimentos técnicos nem experiência profissional e por isso não consegue emprego. Isso é cruel e precisa da atenção dos nossos políticos.

Precisamos urgentemente de políticas públicas que ofereçam um ensino técnico de alta qualidade e alinhado com o que o mercado de trabalho pede. Ou seja, precisamos que os nossos jovens consigam fazer gratuitamente cursos técnicos bons em áreas que as empresas estejam precisando e que elas possuam vagas abertas para que eles possam ser contratados. O setor de tecnologia é com certeza uma dessas áreas, além da saúde e de serviços digitais, dentre outros. Também precisamos conseguir atrair essas empresas e criar um ambiente de negócios que permita, facilite e impulsione o surgimento de novos empreendimentos em diversas áreas que irão gerar emprego e renda. Precisamos, dentre outras medidas, de apoio com incentivo, orientação com conhecimento técnico sobre administração e crédito acessível e barato para quem tem seu pequeno negócio ou deseja criá-lo (seja uma loja de roupa, um salão, uma doceria, por exemplo).

As soluções para este complexo problema não são simples. Não basta somente que consigamos acabar com a pandemia e “voltar à normalidade” com comércio aberto e serviços todos funcionando. Esse problema da falta de qualificação e de oportunidades para os jovens já existia antes e só se agravou na pandemia. Os governos federais, estaduais e municipais precisam desenhar uma série de ações e projetos articulados para tentar resolver o problema. Além disso, é preciso uma série de medidas e decisões para gerar mais desenvolvimento econômico para o país. O problema é muito complexo, portanto a solução também é. Enquanto os nossos políticos não encontram o caminho por falta de capacidade, falta de visão ou visão errada sobre a solução, vamos fazendo o que a gente pode para se ajudar.

Há mais de um ano atrás, no pior momento da crise, eu e alguns amigos decidimos criar um grupo chamado “Empregos e Informações”, que tem como objetivo divulgar vagas para quem procura emprego e oportunidades, e dar dicas de como se comportar em uma entrevista, sites e cursos gratuitos para se manter atualizado sobre o mercado de trabalho. Quem quiser participar é só clicar aqui. São vários os administradores que divulgam todo tipo de vaga. Quanto mais gente fizer parte, mais poderemos levar informação relevante e acesso a oportunidades para mais pessoas! Ter uma rede de contatos importante e ter acesso a informação é um dos caminhos para se conseguir um bom trabalho, além de ser “bom de serviço” e ter boas referências. O drama na juventude é que muitos não conseguem dar o primeiro passo para tentar mostrar que é bom de trabalho, e a falta de experiência vai sempre ser um impeditivo para tentar conseguir o próximo emprego. É um ciclo cruel que precisa acabar.

Um comentário em “Por Laiz Soares: Desemprego entre os jovens

  • 8 de junho de 2021 em 09:08
    Permalink

    Engraçado, uma empresa aqui em Divinopolis, abriu vaga para ajudante geral, sem formação ou exigências, foram marcados 4 entrevistas e para alegria geral da nação não apareceu nenhum.
    No meu ponto de vista não falta postos de trabalhos e sim falta vergonha na cara e pessoas que realmente querem trabalhar, serviço tem ate demais.

    Resposta

Comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado.

PODCAST: escuta essa!!