Superintendente Regional de Saúde Oeste alerta para o que ainda está por vir da Covid-19; “sair vivo, é vitória”, diz ele


O Divinews entrevistou nesta última quarta-feira (15), o superintendente Alan Rodrigo, da Macro Regional Oeste de Saúde de Minas Gerais – Ele avalia que os casos de covid-19 estão se agravando agora em Minas, e em muitos municípios do interior por que logo no início da pandemia foi feito um severo isolamento social que beneficiou o sistema de saúde pública para que houvesse tempo de se organizar e estruturar melhor o atendimento. Disse existir uma apreensão natural quanto ao período de pico, que estava programado para este último dia 15, ou seja ontem. Mas, ao mesmo tempo existe a expectativa de que os mineiros conseguirão suportar bem melhor que São Paulo e outros Estados – Alan ao finalizar sua entrevista pediu alerta máximo para a população que não é o momento de afrouxar justamente quando a curta se acentua. Sair vivo é uma grande vitória e ainda que, com saúde as outras dificuldades que estão por vir serão superadas.

A antecipação do isolamento social, segundo Alan, fez também com que a pressão econômica para a reabertura também chegasse mais cedo. Porém, essa precocidade foi benéfica por que deu tempo de que houvesse uma organização assistencial. Mas, diz ele, se o planejamento que foi feito não for seguido pode ocorrer um colapso em consequência do baixo percentual de isolamento, que já está contribuindo para que ocorram acidentes de trânsitos gerando feridos com graves fraturas que sobrecarrega o sistema.

Minas Consciente

Embora tenha sido anunciado que Divinópolis estava prestes a aderir o Minas Consciente, o fato é que isso não aconteceu por um parecer contrário da Procuradoria Geral da Prefeitura, que ficou aguardando uma consulta que foi feita ao Tribunal de Justiça. (veja matéria  sobre esse assunto)

Alan explicou que da região, os municípios que aderiram foram Santo Antonio do Monte, Córrego Dantas, e Araújo. O objetivo do Minas Consciente é unificar as ações no Estado, mas salvaguardando as especificidades de cada município. Mas, sendo um protocolo único para todo Estado.

Nível de Isolamento x ocupação de leitos

O nível de isolamento de Divinópolis, na ocasião da entrevista, ontem, quarta-feira (15) era de 35%, baixíssimo. E esse número impacta diretamente na ocupação dos leitos. E sobre o assunto o superintendente se manifestou, dizendo que apesar da dor ser de cada pessoa, a decisão tem que ser em prol do outro. O fato de algumas pessoas não ter visto próximo a ela, um amigo um parente ou um vizinho, não significa que a doença não exista, ela existe sim, e pode ocorrer de uma forma abrupta com todos procurando a porta hospitalar ao mesmo tempo. E não existe UTI suficiente para atender todos de uma única vez, por isso que o baixo isolamento causa preocupação.

Fake News

Outro assunto abordado na entrevista, foi o surreal fake News que aparece nas redes sociais, afirmando que os hospitais recebem um determinado valor, quando na certidão de óbito o médico assinala que a causa da morte é covid.

“O hospital vive de atendimento a saúde. Ele é custeado através de impostos do contribuinte. E quando o Ministério da Saúde habilita determinado número de leitos para atendimento, ele tem que sobreviver pelo seu atendimento, pelo seu giro. O hospital precisa utilizar aquele equipamento para que ele seja sustentável. Vamos desmascarar esse fake News, hospitais não vivem da desgraça de ninguém, vive sim de salvar vidas. Isso não existe”

“O que o ministério fez foi uma tabela diferenciada de aporte financeiro para esses leitos, no sentido de repor os custos. Por que são altos, por exemplo os EPI´s (Equipamento de Proteção Individual) usados pelos profissionais que atendem covid. O leito covid recebe uma tabela diferenciada. Mas o custo dele é o dobro, o triplo de uma UTI normal”, explicou Alan.

E descartou também que os médicos coloquem irresponsavelmente covid no laudo. “Isso não existe. Até por que existe fiscalização do Estado neste sentido”.

 Leitos Covid x Cirurgias eletivas

Segundo o superintendente da SRS, o Estado havia recomendado a suspenção das cirurgias eletivas pelo desabastecimento de relaxante muscular e anestésico para intubação. E que tais medicamentos são utilizados para pacientes covid. Por isso foram suspensas, incluindo as cirurgias realizadas em hospitais particulares. Allan Rodrigo avalia que embora a dor de quem tem qualquer tipo de enfermidade seja grande, a dor de quem está morrendo é maior. Que é preciso priorizar quem está morrendo do que quem está na fila da cirurgia eletiva.

“O que acontece é que o plano operativo foi feito para demandar os leitos de UTI. Pensando da seguinte forma prática: eu vou fazer uma cirurgia de AVC, “neuro”, eu preciso de retaguarda de UTI, assim que eu sair do bloco eu preciso ir para uma UTI – Eu vou fazer um cateterismo e uma angioplastia, assim que eu sair, eu preciso de uma UTI. Tem uma série de procedimentos que você vai precisar de uma retaguarda de UTI”, exemplificou, Alan.

Concluiu o assunto afirmando que, com a queda da taxa de isolamento estão aparecendo muitas cirurgias em consequência disso. Como fraturas, politraumas que precisam de cirurgia de emergência. E com isso os leitos ficam lotados como estão acontecendo com a UPA de Divinópolis e Nova Serrana. Finaliza dizendo que também é preciso salvar as vidas de quem não tem convid. Não pode deixá-los morrer.

“Dalay” Estado x Município

A atualização do banco de dados da Secretaria de Estado de Saúde, tem uma demora (delay) de informações. E que atualmente já melhorou um pouco. Contudo, ainda persiste. Por exemplo, nesta última quarta-feira, o número de óbitos de Divinópolis no Boletim Pedológico da SES era 14, enquanto o número oficial pela Secretaria Municipal já somava 18. A diferença entre uma informação e outra é que, segundo Alan, a Vigilância Sanitária do Estado, antes de lançar no sistema do Estado, é feita uma investigação que acarreta o atraso.

Macro Região de Saúde – Micro Região Covid

Divinópolis não atende os municípios da Macro Região Oeste, que atualmente são 54 cidades com uma população estimada em 1,4 milhão de pessoas. Mas atende a micro região para covid que abrange as cidades de Araújo, Perdigão, Cláudio, São Gonçalo do Pará, São Sebastião do Oeste, Carmo do Cajuru e Itapecerica, totalizando mais de 300 mil pessoas.

São Sebastião do Oeste

Entre tais municípios, segundo o Boletim Epidemiológico da SES, proporcionalmente à sua população, São Sebastião do Oeste tem mais casos confirmados com covid-19 do que Divinópolis. E diferentemente de Claudio, São Gonçalo do Pará e Carmo do Cajuru e agora Perdigão, que apresentaram mortes, aquele município, que tem uma empresa na área de alimentação como foco de contágio, não tem nenhum registro de morte. O superintendente da SRS de Divinópolis avaliou que o índice de mortalidade tem variáveis, como morbidades, a idade média da população, além de uma série de suscetibilidade de cada organismo que pode favorecer a não ter óbito. Disse ainda que é preciso fazer uma análise individual que não foi feita para São Sebastião do Oeste. Ele suspeita também que o alto índice de contaminação do município possa ter ocorrido na faixa etária que o nível de mortalidade é mais baixa.

Testes na UFSJ

Alan Rodrigo, começou elogiando a atuação do secretário de saúde, Amarildo Sousa, que segundo ele, deu uma força imensa para que os testes rápidos feitos na Universidade Federal de São João Del Rei acontecessem. E teceu loas à atuação do secretário à frente da pasta, o adjetivando como um guerreiro que liga para ele a qualquer hora.

Foi um interesse inicial que partiu da própria UFSJ, que habilitou o laboratório junto a Funed. Com isso o processo melhorou por não ser mais necessário levar amostra para Belo Horizonte, ao mesmo tempo que também desafogou a Fundação Ezequiel Dias.

Preconceito – Negação da Covid-19

Outro assunto abordado na entrevista é o preconceito e a negação da doença que algumas pessoas possuem. Querendo esconder que contraíram a covid-19 a qualquer custo. Chegam a mentir que testaram positivo, para depois, após a recuperação ao serem festejadas, o que é legitimo diante da gravidade da doença, admitir que de fato testaram positivas para a doença. Provocando com tal atitude que pessoas fora do seu ciclo de amigos que tiveram contato com ela, corra o risco de ter sido contaminado e como não sabe não tomar nenhuma providência antes que a covid-19 de fato se manifeste.

Como também ocorreu recentemente quando em uma loja de uma famosa rede, vários funcionários testaram positivo, e não fosse uma denúncia e a sua divulgação pelo Divinews, o estabelecimento teria continuado aberto normalmente sem sequer ser higienizado.

Alan Rodrigo, reafirmou o preconceito e explicou que no caso dos empregados que ficam no balcão, eles terão contatados com inúmeros clientes que em um primeiro momento transmitiram para eles (vendedores), e posteriormente esse mesmo vendedor será o transmissor da doença de forma direta ou mesmo indiretamente através de objetos e mesmo pelo próprio balcão. Os vendedores então terão um potencial de transmissão bem maior que os clientes.

Esconder a doença, Alan avalia como um grande preconceito, dizendo que um dos grandes problemas da proliferação da peste negra em 1665, foi o negativismo da população, em aceitar que existia a doença. E com isso algumas pessoas morriam muito rápido, e tudo se baseava nas aparências. “Elas se vestiam muito bem, se mostravam na sociedade muito bem. Mas eram portadoras da doença e a disseminava. E essas pessoas podem ter propagado a doença, mais do que as pessoas que morreram logo. O indivíduo negar que tem a covid está cometendo um absurdo com a população em geral. Outro legado que precisamos ter da pandemia, é aprender que vivemos em sociedade. Tem que se colocar no lugar do outro. Eu queria que o grande legado fosse a empatia, ou seja, que a gente aprenda a se colocar no lugar do outro”.

Fique em casa

Ao finalizar, o superintendente da Regional de Saúde Oeste, exortou que a população fique atenta, por que o Estado está em um momento de ascendência de casos. “Criou-se um marco no pico da curva. Mas é preciso ter calma para analisar isso. Não podemos falar agora que estamos bem, ficar andando pelas ruas. Principalmente as pessoas do grupo de risco tem que tomar mais cuidado. Não é momento de cochilar com a doença. Imagino que muitos estão com medo do desemprego, da economia. Mas podemos perder pessoas importantes na nossa família, as nossas mães, o amor da nossa vida. Ou até mesmo o trabalho, perdendo a própria vida. É importante as pessoas terem cuidado neste momento. Estamos falando de um curto tempo, já tivemos uma maratona até aqui. Estamos bem próximo de cruzar a faixa, e não é o momento de cochilar, não é o momento de afrouxar. É o momento de sermos mais firmes, mais consciente para seguir em frente. Saindo vivo, a gente sai vitorioso. Saindo com saúde vamos superar todas as outras dificuldades que estão por vir”.

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