A decisão do Ministério Público Eleitoral em restringir a propaganda política em Divinópolis para as próximas eleições, está causando indignação a um segmento profissional da cidade, cujo faturamento no período de campanha eleitoral chega a triplicar. Trata-se dos pintores, que neste período chegam a trabalhar até a noite para a confecção de propagandas em muros e faixas.
| PROPAGANDA ELEITORAL | ||
| (clique na foto para ampliar) | Fotos: Liziane Ricardo | |
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| O pintor Júlio César Santos protestou da Tribuna Livre | ||
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No dia 27 de março foi assinado o acordo sobre propaganda eleitoral proposto pelos juizes Núbio de Oliveira Parreira e Ana Kelly Amaral Arantes, e os promotores eleitorais Calixto Oliveira Souza e Fábio Barbieri Caetano.
A reunião ordinária de quinta-feira (25) teve a presença de aproximadamente 15 pintores que manifestaram sua indignação com faixas espalhadas pelo Plenário da Câmara com dizeres: “Nós pintores queremos trabalhar. Contamos com a ajuda dos vereadores e autoridades”. O acordo praticamente foi imposto pela Justiça Eleitoral, que convocou os partidos sob o argumento de que Divinópolis seria pioneira em dar o exemplo de uma eleição limpa, sem impactos ambientais. Embora tenha havido resistência, os partidos com diretório na cidade acabaram assinando o acordo.
O compromisso firmado entre a Justiça Eleitoral e os partidos contém oito cláusulas, que impedem pintura em muros, distribuição de panfletos na véspera do primeiro turno das eleições, faixas, cartazes móveis nas ruas centrais e outdoors, dentre outros (leia).
O prejuízo que este acordo vai provocar à classe dos pintores não foi pensando pelos juízes e promotores. Ou, pelo menos, foi ignorada esta possibilidade. Na reunião da Câmara desta quinta-feira (25) cerca de 15 pintores manifestaram sua indignação com faixas espalhadas pelo plenário: “Nós, pintores queremos trabalhar. Contamos com a ajuda dos vereadores e autoridades”, dizia uma delas. Além da manifestação, os pintores foram pedir o apoio da Câmara para tentar reverter a decisão da Justiça Eleitoral.
O pintor Júlio César Santos usou a Tribuna Livre e falou em nome da categoria. “Fomos julgados como um réu sem o direito de defesa”, disse ele. Para ele, a decisão foi ditatorial. “Desde a época da ditadura que decisões não são tomadas sem a opinião, ou o conhecimento da população”, disse Júlio César. Ele trabalha com pintura de placas, faixas e muros a mais de 20 anos na cidade e afirmou que a classe não teve ninguém para defender seus direitos de trabalhadores ,que esperam por este serviço extra a cada período eleitoral.
De acordo com Júlio César, este dinheiro extra, é o 13º salário da classe, já que são autônomos e não desfrutarem dos direitos que têm os trabalhadores com carteira assinada. Júlio César disse ainda que “não houve se quer um debate sobre o acordo”. Segundo ele, a discussão sem nenhum representante da classe foi antiética.
A cláusula primeira do acordo, coibi a utilização de muros particulares como meios de veiculação de propaganda eleitoral. Em entrevista ao Jornal Divinews que “o muro não prejudica na poluição visual, devido já estar incluso no acordo entre os pintores e o candidato que a propaganda seja apagada ao fim das eleições” finalizou .
Em resposta o presidente da Câmara Municipal, Marcos Vinicius Alves da Silva (PSC), entregou aos pintores cópia do acordo e ressaltou dizendo que “todos os partidos assinaram o compromisso com o consentimento dos juizes e promotores”. O presidente da Câmara se colocou à disposição da categoria para buscar uma solução, porém não apresentou nenhuma proposta que possa reverter a decisão já adotada pela Justiça Eleitoral.
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