DAÇÃO EM PAGAMENTO: Parecer técnico/jurídico ou pressão política por parecer pela constitucionalidade do EM-011/2015 ? É no mínimo estranho que o departamento jurídico da Câmara de Divinópolis, em uma matéria tão primária, de fácil análise, como é o caso da apreciação do polêmico projeto EM-011/2015, a Comissão Permanente de Justiça, Legislação e Redação, que em 2015 tinha o vereador Marcos Vinicius (PSC), como presidente, Adilson Quadros, como secretário e Edmar Rodrigues como membro, três grandes e experientes vereadores, assessorados juridicamente pela consultora Rosilene Bárbara, não se ativeram detidamente na análise de uma matéria que salta aos olhos ser inconstitucional, e por isso o Ministério Público não titubeou em recomendar que o projeto que autoriza o Poder Executivo a dar em pagamento 39 imóveis de propriedade do município à empresa Natureza Reciclagem Industria e Comercio Ltda, que seja rejeitado pelos vereadores — Pois diferente da interpretação do vereador Rodyson Kristinamurti que teima em não entender como funciona o instituto da “dação em pagamento”, que determina que o seu uso só pode ocorrer quando existir uma dívida prévia, um débito anterior do município com qualquer empresa, que não se aplica a esse caso, pois o Executivo não justificou no projeto EM-011/2015, que a “dação em pagamento”, para a Natureza, seria como consequência de uma dívida pré-existente — O edil Rodyson se pega apenas na argumentação, que os lotes são “ruins”. (Eh dificuldade de entendimento, hein, vereador!) — O Divinews conversando “informalmente”, nesta quinta-feira (11) com a consultora jurídica da Câmara, se o parecer que ela emitiu foi técnico ou político? ela afirmou que erros ocorrem, e que poderia rever o seu parecer que foi pela constitucionalidade do projeto. E ainda lamentou que a recomendação do Ministério Público, até então, não tivesse chegado em suas mãos – O mesmo entendimento de que há vícios no EM-011/2015, em parte, também tem o vereador presidente da Comissão, Marcos Vinicius, que diante da insegurança e da Recomendação do MP, enviou oficio para o Executivo querendo saber a discriminação de todas as obras, ações e serviços, que deverão ser executadas em consequência da “dação em pagamento” para a empresa Natureza – O edil, posteriormente em seu gabinete, afirmou para o Divinews, que independente das respostas do Executivo, ele sabe que a dação em pagamento pressupõe-se a existência prévia de dividas do município com qualquer fornecedor, que não é o caso – Neste projeto, como já ocorreu em outros na atual legislatura, somente o vereador Rodyson Kristinamurti, do alto de uma autoridade sem fim, fala da independência entre os poderes, e instiga o presidente da Câmara a passar igual um trator por cima da recomendação ministerial e aprovar o projeto –- Esta não é a primeira vez que a consultora jurídica da Câmara se vê engendrada em entendimentos polêmicos envolvendo o MP. Em abril de 2013, por ocasião da votação de um projeto sobre “capina química”, ela também lamentou que se tivesse conhecimento da recomendação do Ministério Público, teria pensado três vezes – O resumo da ópera é que a aprovação desse projeto, a maioria dos vereadores veem como a salvação da lavoura, já que possibilitaria que o executivo realizasse calçamentos em diversas ruas em seus redutos eleitorais, aí reside a teimosia dos vereadores da base. Os de oposição sabem que não irão ganhar nada mesmo. Então votam ao contrário.
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