Moradores do Morro da Providência decidem parar obras de projeto social

Publicado por: suporte

Os moradores do Morro da Providência decidiram hoje (17) suspender as obras do projeto Cimento Social na comunidade. De manhã, após reunião com representantes do Exército, dirigentes da associação de moradores informaram que somente as casas em fase final de obras serão terminadas – cerca de 20 de um total de 780. Nenhum representante do Exército falou à imprensa.

Segundo a presidente da associação, Vera Melo, a finalização das fachadas e telhados de casas na Providência está prevista para quinta-feira (19), prazo dado para que o Exército informe sobre mudanças na implementação do Cimento Social e instale uma ouvidoria na sede da associação. Implementado pelo Exército e financiado pelo governo federal, o Cimento Social tem a finalidade de reformar telhados e fachadas de moradias populares na Providência.
 
“O Exército tem até quinta-feira para nos dar uma reposta. Ele [general Mauro César Lorena Cid] me pediu para ir a Brasília levar o problema”, disse Vera. “Vamos terminar as casas, que estão sem telhado, com plástico preto, porque, com a chuva, os móveis podem se estragar. Faremos os telhados e vamos parar.”
 
De acordo com Vera, a comunidade quer a saída imediata das tropas do Exército e a instalação de uma ouvidoria para receber denúncias de “arbitrariedades” cometidas pelos militares. “Eles usam spray de pimenta, chamam as meninas de tudo quanto é nome, quando mexem e elas não confiam”, contou a presidente da associação de moradores.
 
O presidente do Instituto de Defesa dos Direitos Humanos, João Tancredo, que participou da reunião, informou que, durante o encontro com os líderes da comunidade, os representantes do Exército pediram desculpas formais aos parentes dos três jovens mortos no último fim de semana.
 
Depois de abordados no Morro da Providência por militares do Exército, os rapazes foram entregues a traficantes do Morro da Mineira. Seus corpos foram encontrados em um lixão em Gramacho, na Baixada Fluminense.
 
Segundo Tancredo, os moradores do Morro da Providência acham que podem conduzir as reformas sem a presença do Exército. “A associação de moradores pode coordenar o projeto. As pessoas lá querem obras, o que não querem é violência”, disse ele, ao sair com os parentes das vítimas para formalizar denúncia no Ministério Público Estadual contra a União, por homicídio triplo.
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