“Se for necessário [o Exército] sai, mas isso vamos discutir com calma para não tomar nenhuma atitude precipitada”, disse o presidente. De acordo com Lula, a presença do Exército no morro seria importante para garantir a segurança das obras do Projeto Cimento Social, que reforma telhados e fachadas das casas da comunidade. “Vamos compreender que o Exército está lá porque todos entendíamos que seria mais tranqüilo para fazer aquela obra”, completou.
O presidente classificou de “abominável” o episódio. “Não é possível que três jovens inocentes sejam vítimas de um ato que foi de uma pessoa que estava lá para colocar ordem”. Ele também afirmou que o governo tem interesse em resolver o caso. “O que vamos fazer agora é trabalhar para fazer justiça. O Estado tem que fazer uma reparação para aquelas famílias”.
As declarações de Lula foram feitas após a cerimônia de comemoração do centenário da imigração japonesa no Brasil. Logo após, Lula se reúne com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que esteve ontem no Rio de Janeiro para acompanhar de perto os desdobramentos do caso. O presidente disse ainda que conversará com o ministro das Cidades, Márcio Fortes sobre o episódio.
A presença do Exército no projeto Cimento Social, do Ministério das Cidades, chegou a ser questionada e ontem foi defendida em nota do exército.
De acordo com a nota, o Exército garante que sua presença no Morro da Providência, no centro do Rio de Janeiro (RJ), atende às missões constitucionais da Força. Segundo a nota, por não se tratar de uma ação de segurança pública, mas sim de apoio a um projeto social do Ministério das Cidades, o emprego de militares não precisa ser determinado pelo presidente da República ou da aprovação do Congresso Nacional.
Na nota, o Centro de Comunicação Social do Exército explica que a razão da presença dos militares no Morro da Providência é dar apoio ao projeto de revitalização de moradias populares desenvolvido pelo Ministério das Cidades, o chamado Projeto Cimento Social. De acordo com a nota, a participação do Exército no empreendimento é uma ação subsidiária definida por acordo firmado entre os ministérios da Defesa e das Cidades.
O Comando do Exército decidiu participar do empreendimento social em razão da facilidade de prestar apoio logístico. O texto nega que a iniciativa tenha qualquer razão política-eleitoral e revela que uma comunidade localizada próxima à Vila Militar de Deodoro chegou a ser cogitada para sediar o mesmo projeto.
No texto, o Exército explica que a participação militar se limita à construção e fiscalização técnica das obras de engenharia sob a responsabilidade da Comissão Regional de Obras da 1ª Região Militar, e a segurança dos locais de trabalho e dos trabalhadores envolvidos no projeto. Essas atividades, diz a nota, acontecem também em outras ações subsidiárias de que o Exército participa, onde haja necessidade de segurança do canteiro de obras, de outras instalações e de pessoal.
O Exército reafirma que repudia, veementemente, qualquer desvio de conduta e qualquer ação fora da legalidade praticada por seus integrantes, inclusive no desenvolvimento de operações de segurança na área abrangida pelo acordo em questão.
No último sábado (14), onze militares que atuavam no Morro da Providência prenderam Marcos Paulo Rodrigues, 17 anos, Wellington da Costa, 19 anos, e David da Silva, 24 anos. Os três rapazes, moradores do morro, foram liberados pelo comandante do grupo de militares, mas o tenente responsável pela detenção teria decidido entregá-los a traficantes do Morro da Mineira, dominado por uma facção rival a que domina o Morro da Providência.
Entregues vivos, conforme a versão do tenente, no último sábado (14), os corpos de Rodrigues, Costa e Silva foram encontrados no Lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Continua depois da publicidade
Continua depois da publicidade






