Marcelo Crivella (PRB/RJ) é bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e candidato a prefeito no Rio de Janeiro. As obras foram paradas pelo Tribunal Eleitoral, sob alegação de que o bispo estaria utilizando a obra para propaganda eleitoral.
Nelson Jobim falou durante audiência pública sobre a morte de moradores do Morro da Providência nas Comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Três jovens foram mortos por traficantes depois de que foram entregues aos marginais por policiais do Exército.
“Essa obra foi efetivamente patrocinada, no início, pelo senador Crivella, mas a obra tem um sentido social”, justificou Nelson Jogim. Ele também ressaltou que o problema da exploração eleitoral e da candidatura de Crivella à prefeitura do Rio acarretou a paralisação das obras na Providência. Ele questionou os deputados se o que deveria ser levado em consideração nesse caso seria o processo eleitoral ou o bem-estar dos moradores.
“Quero deixa bem claro que essas obras tenham sido feitas tendo por trás a participação de um parlamentar, de emendas parlamentares, inclusive isso é notoriedade no Congresso Nacional. Se nós não pudéssemos fazer obras porque elas têm origem em emendas parlamentares teríamos que suspender as obras do Calha Norte [projeto do Ministério da Defesa de infra-estrutura na região amazônica]”, disse o Minsitro da Defesa..
Para Nelson Jobim, foi um ato de irresponsabilidade a prisão dos três jovens pelo Exército no Morro da Providência, centro do Rio. “Quanto aos jovens, foi um ato de absoluta irresponsabilidade militar”, disse. Ele acrescentou que já está sendo investigado o envolvimento dos militares com traficantes de droga. O ministro também leu alguns trechos dos depoimentos tomados dos militares. Numa parte dos textos, um dos militares afirmou que entregaria os três rapazes para aos traficantes do Morro da Mineira – comunidade rival – com a justificativa de que eles haviam insultado a tropa.
O ministro disse ainda que ao entregar os jovens o tenente Vinícius Guidetti, suspeito de envolvimento na execução, afirmou aos traficantes: “Trouxe um presentinho para vocês”.
Jobim informou que já está em fase final de elaboração no Ministério da Defesa um projeto de lei que concede indenizações aos parentes dos três rapazes moradores do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, que foram mortos no mês passado depois de terem sido entregues por militares a traficantes de outra comunidade.
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Segundo Jobim, o projeto deverá ser entregue ainda nesta semana ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Estamos fazendo um levantamento e pensando em algo como um salário mínimo por família", disse o ministro aos jornalistas, depois de participar de audiência pública das Comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e de Relações Exteriores da Câmara.
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