EXCLUSIVA: saída de Alex Diniz do Republicanos abre debate sobre quem ficará com a vaga de Cleitinho no Senado

Publicado por: Geraldo Passos

A eleição de Cleitinho Azevedo para o Governo de Minas produziu uma consequência aparentemente simples em Brasília: ao deixar definitivamente o Senado para assumir o Executivo mineiro, seu primeiro suplente, o empresário Alex Diniz, seria convocado para completar o mandato até 2031. Entretanto, a saída de Alex do Republicanos e sua posterior filiação ao PL abriu uma discussão nos bastidores políticos sobre a possibilidade de o segundo suplente da chapa, o divinopolitano Wander de Sousa, chegar à cadeira. Diante das dúvidas que começaram a circular, o Divinews procurou um advogado especialista em Direito Eleitoral para entender se existe, de fato, algum caminho jurídico capaz de alterar a sucessão no Senado.

Pelo cenário jurídico existente hoje, a resposta inicial favorece Alex Diniz. Ele continua registrado oficialmente como primeiro suplente da chapa eleita em 2022, quando Cleitinho conquistou uma das cadeiras de Minas Gerais no Senado. Wander de Sousa permanece como segundo suplente. Isso significa que, se nenhuma decisão judicial modificar essa ordem, Alex é quem deverá ser chamado quando Cleitinho deixar definitivamente o mandato de Cleitinho para tomar posse como governador.

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Mas a situação deixou de ser apenas uma sucessão automática depois que Alex rompeu com o Republicanos, partido ao qual estava ligado após a incorporação do PSC, legenda pela qual a chapa foi eleita em 2022. O empresário posteriormente se filiou ao PL. Foi justamente essa mudança partidária que passou a alimentar, entre analistas e interlocutores políticos, uma pergunta: um suplente eleito junto com o titular pode deixar o partido original e, ainda assim, conservar integralmente sua posição na linha sucessória?

Alex Diniz: empresário de Governador Valadares entrou na política como suplente

Alex Sandro Coelho Diniz, de 53 anos, é empresário de Governador Valadares e integrante da família proprietária da rede de supermercados Coelho Diniz. Antes de integrar a chapa de Cleitinho, não havia ocupado mandato eletivo. Sua entrada mais expressiva na política ocorreu justamente em 2022, quando foi escolhido como primeiro suplente na candidatura de Cleitinho ao Senado.

Naquela eleição, Cleitinho ainda estava no PSC. Alex participou da construção financeira e política da campanha e, depois da vitória, passou a ocupar a primeira posição na linha sucessória. A família Coelho Diniz possui forte presença empresarial no Leste de Minas, e Alex declarou patrimônio superior a R$ 66 milhões à Justiça Eleitoral naquela disputa.

Posteriormente, acompanhou a reorganização partidária que levou Cleitinho e seu grupo ao Republicanos. Alex chegou a exercer função de direção estadual na legenda, mas o relacionamento político se deteriorou. Em 2024, tornou pública a ruptura com o Republicanos e, no ano seguinte, filiou-se ao PL.

Mesmo depois da mudança, seu nome continuou constando oficialmente como primeiro suplente no Senado. É justamente esse ponto que torna a disputa pela cadeira juridicamente interessante: a suplência foi conquistada em uma chapa majoritária, e não pela lógica proporcional aplicada às eleições para deputado e vereador.

Wander de Sousa é o segundo nome da chapa

O segundo suplente é Wander de Sousa, empresário de Divinópolis conhecido também como Wandinho da Estrela. Ele possui trajetória ligada ao setor imobiliário e ao esporte e atualmente preside o Estrela do Oeste Clube, uma das instituições sociais e esportivas mais tradicionais da cidade. Em 2025, foi reeleito para permanecer à frente do clube durante o quadriênio 2026–2029.

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Wander também possui histórico de atuação esportiva, tendo ocupado posição de destaque na Federação Mineira de Tênis e desenvolvido projetos ligados à modalidade em Divinópolis. Em 2022, integrou a chapa de Cleitinho como segundo suplente ao Senado.

Sua posição significa que ele somente seria convocado normalmente caso o primeiro suplente não pudesse assumir, renunciasse à suplência, viesse a falecer, estivesse juridicamente impedido ou surgisse alguma decisão capaz de alterar a ordem estabelecida originalmente na eleição.

Com Cleitinho agora eleito governador e Alex fora do Republicanos, a situação de Wander voltou ao centro das conversas da política mineira atual.

O que diz hoje a jurisprudência?

O advogado especialista em Direito Eleitoral consultado pelo Divinews explica que o entendimento predominante atualmente é de que a regra de perda de mandato por infidelidade partidária não alcança cargos conquistados pelo sistema majoritário.

É exatamente o sistema utilizado nas eleições para presidente da República, governador, prefeito e senador. Diferentemente de vereadores e deputados, cuja eleição depende também do desempenho partidário, no sistema majoritário prevalece a chapa escolhida diretamente pelo eleitor.

Segundo o especialista

“Atualmente, a jurisprudência dominante no TSE é no sentido de que não há infidelidade partidária em relação aos cargos majoritários. Assim, a perda de mandato por desfiliação não se aplica ao sistema majoritário, pelo qual se elegem, por exemplo, os senadores e seus respectivos suplentes.”

Esse entendimento não nasceu apenas no Tribunal Superior Eleitoral. O Supremo Tribunal Federal já enfrentou diretamente a matéria ao analisar a perda de mandato por troca de partido nos cargos majoritários e concluiu que aplicar a fidelidade partidária nesses casos poderia contrariar a própria escolha feita pelo eleitor nas urnas.

Portanto, se forem aplicadas as regras e precedentes vigentes hoje, Alex Diniz permanece primeiro suplente e deverá assumir a cadeira de Cleitinho.

Então Wander não tem possibilidade?

Na avaliação do especialista consultado pelo Divinews, o fato de existir uma jurisprudência consolidada não impede que uma parte interessada provoque novamente a Justiça Eleitoral tentando construir uma interpretação diferente, sobretudo diante das mudanças legislativas e da renovação ocorrida na composição das cortes eleitorais ao longo dos últimos anos.

Segundo ele, seria necessária uma ação judicial específica

“Essa possibilidade existe, sim. Para que isso aconteça, o TSE tem que ser provocado, com a ação adequada. O TSE, periodicamente, revisa seus entendimentos, acompanhando as mudanças de comportamento da sociedade e do mundo político.”

O advogado avalia ainda que a nova composição da Justiça Eleitoral poderia eventualmente proporcionar uma releitura do assunto. Trata-se, entretanto, de uma análise jurídica sobre uma possibilidade futura, e não de uma mudança que já tenha ocorrido.

Esse é um ponto fundamental. Até agora não há decisão retirando Alex Diniz da primeira suplência nem reconhecendo Wander de Sousa como primeiro na linha sucessória. Para que o segundo suplente chegasse ao Senado por causa da desfiliação de Alex, seria necessário existir uma provocação judicial e, depois, uma decisão capaz de afastar o entendimento atualmente aplicado.

Há ainda um obstáculo importante: decisão do Supremo

A discussão é ainda mais complexa porque o entendimento que protege os ocupantes de cargos majoritários contra a perda do mandato por troca de partido já foi analisado pelo Supremo Tribunal Federal.

Em decisão que se tornou referência para a Justiça Eleitoral, o STF concluiu que a fidelidade partidária, nos moldes que pode provocar a perda do mandato, não deve ser aplicada às eleições majoritárias. A justificativa está na soberania popular: no caso do Senado, o eleitor escolhe uma chapa determinada, composta pelo candidato titular e seus dois suplentes.

Isso significa que qualquer tentativa de retirar Alex da linha sucessória exclusivamente porque deixou o Republicanos teria de superar uma barreira jurídica considerável. Mesmo que uma discussão se inicie no Tribunal Superior Eleitoral, o aspecto constitucional já analisado pelo Supremo tende a ter peso decisivo.

Por isso, a hipótese envolvendo Wander deve ser tratada exatamente como está neste momento: uma tese jurídica possível de ser levada à Justiça, mas sem qualquer decisão que altere a ordem da chapa.

Alex chegou a anunciar rompimento em 2024

Há ainda outro capítulo que ajuda a explicar a confusão. Em agosto de 2024, no auge do rompimento com o Republicanos, Alex Diniz chegou a anunciar publicamente que deixaria sua posição política ligada ao partido. Na ocasião, surgiram informações de que ele também abriria mão da própria suplência.

O episódio gerou repercussão justamente porque, se houvesse renúncia formal e definitiva à condição de primeiro suplente, Wander subiria naturalmente uma posição.

Ocorre que os registros oficiais atuais do Senado continuam mostrando Alex como primeiro suplente de Cleitinho e Wander como segundo. Portanto, independentemente das manifestações políticas feitas naquele período, não existe até agora, no registro oficial da Casa, alteração que tenha retirado Alex dessa posição.

Esse detalhe muda completamente o cenário. Uma coisa seria Alex formalmente deixar a suplência. Outra, juridicamente diferente, é simplesmente mudar de partido.

Eleição de Cleitinho transformou a discussão em algo concreto

Enquanto Cleitinho permanecia no Senado, a controvérsia tinha consequências apenas hipotéticas. A eleição para o Governo de Minas mudou esse quadro.

Ao assumir o Executivo estadual, Cleitinho precisará deixar definitivamente o mandato de senador conquistado em 2022. Como o mandato do Senado é de oito anos, a cadeira continuará existindo até 2031, e alguém precisará ocupar os quatro anos restantes.

É nesse momento que a linha sucessória deixa de ser uma discussão abstrata. Hoje, o caminho institucional aponta para Alex Diniz.

Entretanto, caso algum interessado ingresse com ação questionando sua condição de primeiro suplente após a mudança partidária, a Justiça Eleitoral poderá ser chamada a analisar novamente a questão. O resultado dependeria dos fundamentos apresentados e da interpretação dos tribunais, não sendo possível antecipar uma eventual decisão.

Divinópolis pode ter mais um senador?

Para Divinópolis, a discussão possui ainda um componente particular. Wander de Sousa tem sua trajetória empresarial e social diretamente ligada à cidade, enquanto Cleitinho nasceu politicamente no município antes de chegar à Assembleia, ao Senado e, agora, ao Governo de Minas.

Se uma eventual disputa judicial terminasse com a retirada de Alex da primeira suplência, Wander poderia se tornar o próximo nome chamado para ocupar a cadeira.

Mas esse cenário depende de uma sequência de acontecimentos que não ocorreu até agora.

Primeiro, seria necessária uma contestação formal. Depois, seria necessário que a Justiça aceitasse rever o entendimento sobre fidelidade partidária aplicado às eleições majoritárias. E uma decisão nesse sentido inevitavelmente encontraria pela frente a jurisprudência consolidada sobre o tema.

A representação de Divinópolis, portanto, pode até ganhar um novo capítulo caso essa tese avance, mas juridicamente o quadro atual permanece favorável a Alex.

Por enquanto, Alex é o primeiro da fila

A apuração do Divinews permite separar claramente a especulação política da situação jurídica existente. Alex Diniz continua primeiro suplente. Wander de Sousa continua segundo. A mudança de Alex do Republicanos para o PL, por si só, não retirou até hoje sua posição na chapa.

Ao mesmo tempo, o especialista ouvido pelo portal considera que existe espaço para provocar a Justiça e tentar revisar o entendimento sobre os efeitos da desfiliação partidária de suplentes eleitos pelo sistema majoritário.

É justamente aí que está o ponto novo desta história.

A vaga de Cleitinho no Senado parece ter um destino definido pelas regras atuais, mas pode se transformar em uma discussão judicial caso alguém decida questionar formalmente a situação de Alex. E, se isso acontecer, uma cadeira que hoje parece destinada a Governador Valadares poderá colocar novamente Divinópolis no centro da política nacional.

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