Exclusiva – Urgente: Daiane de Oliveira, ex-funcionária do São Judas, é apontada em BO por suposto golpe; advogada fala em mais de R$ 120 mil

Publicado por: Cassia Misael

A investigação sobre empréstimos bancários que funcionárias do Hospital São Judas Tadeu, em Divinópolis, afirmam não ter contratado ganhou novos elementos. A advogada Luciana Silva, que representa parte das vítimas, detalhou ao Divinews como teria funcionado o suposto esquema atribuído a Daiane Cristina de Oliveira, de 31 anos, agora ex-funcionária da instituição. Segundo a advogada, Daiane se aproveitava da relação de confiança e da posição hierárquica para pedir celulares emprestados, alegando que precisava fazer transferências via Pix para a mãe. De posse dos aparelhos, porém, teria acessado aplicativos bancários e contratado empréstimos. A defesa das vítimas estima que somente o valor originalmente liberado nas operações já ultrapasse R$ 120 mil.

A versão apresentada pela advogada encontra respaldo em pelo menos um boletim de ocorrência já analisado pelo Divinews. No documento, registrado em 22 de setembro, a Polícia Militar classificou a ocorrência como estelionato consumado, apontou abuso de confiança como meio utilizado e vantagem econômica como causa presumida.

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Daiane aparece formalmente nesse registro como suspeita. Como não há condenação judicial, o Divinews preserva essa classificação ao longo da reportagem. A identidade da vítima que consta no BO não será divulgada.

Celular emprestado seria a porta de entrada

Luciana Silva contou que algumas vítimas procuraram seu escritório depois de descobrirem operações financeiras que não reconheciam. Segundo os relatos recebidos pela advogada, Daiane exercia posição de supervisão sobre parte das trabalhadoras e recorria à confiança construída no ambiente profissional.

A justificativa apresentada seria a necessidade de fazer Pix para a própria mãe, que, conforme dizia às colegas, estaria enfrentando tratamento contra um câncer. Daiane alegaria ainda que seu próprio aparelho apresentava problemas. As funcionárias, então, entregavam os celulares. “Usando da confiança, pedia o celular emprestado para fazer supostos Pix para a mãe”, explicou Luciana.

A advogada afirma que, depois de receber o aparelho, Daiane procurava ficar distante da proprietária e acessava o aplicativo bancário. Nesse momento, segundo a versão das vítimas, realizava as contratações de crédito.

Dinheiro passava pelas contas antes de chegar à suspeita

A dinâmica descrita é mais complexa do que simplesmente obter dados pessoais. Segundo Luciana, o empréstimo era contratado no próprio aplicativo da vítima. O dinheiro, portanto, inicialmente aparecia na conta bancária daquela funcionária. A partir daí começava uma segunda etapa.

A advogada relata que Daiane dizia às vítimas que determinada quantia deveria ser transferida para outra conta ou instituição bancária, sob diferentes justificativas. Depois, o dinheiro acabaria sendo encaminhado para uma conta ligada à própria suspeita. Em outras situações, conforme Luciana, também teria havido orientação para realização de saques devido aos valores envolvidos.

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Um dos boletins obtidos pelo Divinews registra mecanismo semelhante. Nesse caso específico, a vítima relatou ter descoberto dois empréstimos que somavam R$ 23.744 em sua conta no Sicoob e afirmou não reconhecer nenhuma das operações. O histórico policial registra ainda a alegação de que o dinheiro teria sido posteriormente destinado à conta da suspeita, com base no extrato bancário apresentado pela vítima.

Reconhecimento facial também teria sido utilizado

Outro ponto revelado pela advogada pode ajudar a explicar como determinadas barreiras de segurança bancária teriam sido superadas. Segundo Luciana, em algumas operações havia necessidade de reconhecimento facial. A advogada afirma que, em determinados momentos, as próprias vítimas eram induzidas a fazer o reconhecimento, sem compreender para qual finalidade aquela autenticação estava sendo utilizada.

Em outros casos, segundo ela, Daiane teria fotografado funcionárias sem que elas soubessem que a imagem seria usada no contexto das operações financeiras. Esse ponto deverá ser confrontado com os registros técnicos dos bancos.

A investigação poderá esclarecer quais aparelhos foram usados, quais autenticações foram solicitadas, quais horários constam das contratações, quais IPs ou dispositivos aparecem vinculados às operações e para quais contas o dinheiro seguiu.

Empréstimos variam de R$ 9 mil a R$ 25 mil

De acordo com Luciana Silva, os empréstimos identificados entre as vítimas que a procuraram variam aproximadamente de R$ 9 mil a R$ 25 mil. Somados os valores originalmente liberados, a advogada afirma que o montante passa de R$ 120 mil.

O impacto final, contudo, pode ser muito maior por causa dos juros e do prazo das operações. Luciana citou como exemplo uma contratação de R$ 25 mil que, segundo os cálculos apresentados por ela, poderia resultar em pagamento total próximo de R$ 70 mil ao longo do contrato.

Em outro caso relatado, uma funcionária que recebe aproximadamente R$ 2 mil mensais estaria diante de descontos de cerca de R$ 1.200 por mês. “Ela paga aluguel, não tem condições de arcar com esses valores”, afirmou a advogada. Os valores finais de cada contrato ainda precisarão ser conferidos individualmente nos documentos bancários.

Advogada relata forte impacto emocional

Além do prejuízo financeiro, Luciana descreve um quadro de forte abalo entre as mulheres. Segundo a advogada, uma delas chegou a desmaiar depois de descobrir o empréstimo. Outra apresentou alteração de pressão e uma terceira estaria enfrentando problemas psicológicos decorrentes da situação.

“As vítimas estão todas transtornadas”, resumiu. As mulheres mencionadas na entrevista têm, segundo Luciana, entre 45 e 58 anos.

Uma descoberta teria levado às outras

A identificação do possível esquema começou, segundo a advogada, depois que uma das trabalhadoras percebeu um empréstimo em sua conta. Ela foi ao banco, questionou a operação e começou a reconstruir o que havia ocorrido. Ao recordar que havia emprestado o celular à supervisora, a situação passou a ser comparada com relatos de outras colegas.

Luciana afirma que as demais vítimas descreveram um modus operandi semelhante, envolvendo pedido do aparelho, justificativas relacionadas à mãe, dificuldade para realizar transferências e movimentações bancárias posteriores. “Com todas foram da mesma forma”, declarou a advogada.

A entrevista menciona a existência de aproximadamente sete a oito possíveis vítimas, mas o número definitivo ainda está em levantamento. Parte delas já buscou orientação jurídica e policial.

O próprio boletim analisado pelo Divinews registra que haveria outras vítimas no mesmo ambiente profissional e menciona a existência de outros registros relacionados à suspeita. Esse trecho do BO representa informação registrada no relato policial e ainda deverá ser verificado no curso da investigação.

Banco teria negado responsabilidade, diz advogada

Luciana afirma que sua equipe já começou a levantar toda a documentação e a procurar as instituições envolvidas. Segundo ela, o banco procurado até agora sustentou que não teria responsabilidade pelas operações e atribuiu às clientes a responsabilidade pelas autenticações realizadas. “As vítimas estão todas sem respaldo nenhum, nem do hospital e nem do próprio banco”, afirmou.

Essa é a versão apresentada pela advogada. A eventual responsabilidade das instituições financeiras dependerá da análise de como cada empréstimo foi contratado, quais mecanismos antifraude foram empregados, se havia sinais de movimentação fora do padrão das clientes e de que forma os sistemas autorizaram operações de milhares de reais.

Objetivo imediato é interromper cobranças

Antes mesmo da discussão sobre eventual indenização, a prioridade das vítimas é impedir que continuem pagando por contratos que afirmam nunca ter solicitado. Luciana explicou que pretende buscar o cancelamento dos empréstimos e a interrupção das cobranças, reconhecendo que a discussão poderá exigir medidas judiciais. O escritório também avalia se as vítimas ingressarão conjuntamente na Justiça ou se as ações serão apresentadas individualmente, dependendo das particularidades de cada operação.

BO coloca Daiane como suspeita

O boletim de ocorrência analisado pelo Divinews identifica Daiane Cristina de Oliveira, 31 anos, natural de Divinópolis, como suspeita na ocorrência de estelionato. O Divinews optou por não publicar CPF, endereço residencial, telefone, documentos e informações de familiares constantes no boletim, por não serem necessários à compreensão jornalística do caso.

No documento, a vítima aparece classificada como vítima de ação criminal e a relação entre as envolvidas é apontada como ligada ao ambiente de trabalho. O registro foi encaminhado à Polícia Civil de Divinópolis para as providências cabíveis.

Hospital São Judas e instituições envolvidas

Daiane não integra mais o quadro de funcionários do Hospital São Judas Tadeu, conforme informação repassada ao Divinews nesta atualização da reportagem. O fato de os episódios terem ocorrido em uma relação entre colegas de trabalho não estabelece, por si só, responsabilidade do hospital pelas operações bancárias. Entretanto, as vítimas e sua advogada questionam qual assistência receberam depois que os casos foram descobertos.

O Divinews mantém espaço aberto para o Hospital São Judas Tadeu, o Sicoob e Daiane Cristina de Oliveira apresentarem suas versões, esclarecimentos e eventual contraditório. A Polícia Civil deverá agora esclarecer a extensão dos fatos, o número efetivo de vítimas, o valor global das operações, o caminho percorrido pelo dinheiro e se todos os casos relatados possuem ligação entre si.

Bento Meni

Segundo a advogada, a suspeita Daiane Cristina Oliveira, após o suposto golpe estaria internada no Bento Meni, uma instituição de saúde especializada em saúde mental.

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