Exclusiva: Suposta traição de Fernando Henrique, assessor de gabinete da prefeita Janete, expõe crise do Diviprev em Divinópolis

Áudios obtidos pelo Divinews apontam que Fernando Henrique Costa de Oliveira teria confidenciado a servidores que deixará o governo por discordar da condução da prefeita na crise do Diviprev

Publicado por: Geraldo Passos

A crise envolvendo a reforma do Diviprev ganhou um novo e explosivo capítulo dentro do próprio entorno da Prefeitura de Divinópolis. Áudios obtidos pelo Divinews indicam que servidores relatam conversas atribuídas ao assessor especial do Gabinete da prefeita Janete Aparecida, Fernando Henrique Costa de Oliveira, nas quais ele teria afirmado que existe dinheiro em caixa, que deixará o governo e que a forma como a administração trata os servidores seria uma “covardia”, sinalizando com isso, uma suposta traíção. 

O caso tem peso político porque Fernando Henrique Costa de Oliveira não é um nome periférico da administração municipal. Ele é  Assessor Especial de Gabinete desde a gestão do ex-prefeito Gleidson Azevedo e também foi anunciado na equipe da prefeita Janete Aparecida, na Assessoria Especial do Gabinete.

Continua depois da publicidade

Na prática, trata-se de um servidor de confiança que atravessou a transição interna entre Gleidson e Janete. Por isso, qualquer manifestação atribuída a ele, especialmente em sentido contrário à linha oficial do governo, aumenta o desgaste político de uma pauta que já provocou estado de greve, ocupação da Câmara e forte reação do funcionalismo.

O Divinews teve acesso a áudios nos quais servidores relatam que Fernando teria confidenciado a um grupo que está deixando o governo. Em uma das gravações, uma pessoa afirma que ele “está saindo” e sugere que seria interessante entrevistá-lo para explicar os motivos da saída.

Em outro trecho, o relato é mais contundente. A pessoa afirma que Fernando teria dito, na porta da Prefeitura, que estaria saindo porque não concorda com o que Janete estaria fazendo. O mesmo áudio menciona que a Prefeitura teria dinheiro em caixa e que a situação envolvendo os servidores seria tratada como “covardia”.

Há ainda um terceiro registro no qual o interlocutor afirma que encontrou Fernando novamente nesta segunda-feira (25)  e que ele teria confirmado a saída, repetindo que “tinha dinheiro em caixa sim”.

Bastidor atinge o coração do discurso oficial

O conteúdo é politicamente sensível porque entra em choque com a narrativa pública adotada pela Prefeitura.

Continua depois da publicidade

Desde o agravamento da crise do Diviprev, a prefeita Janete Aparecida sustenta que a reforma previdenciária seria inevitável para evitar colapso do instituto, atraso de salários e comprometimento de serviços essenciais. Em manifestação anterior ao Divinews, Janete afirmou que tomou uma decisão difícil para tentar “salvar os servidores” e recuperar o Diviprev.

Agora, os áudios obtidos pelo Divinews adicionam um novo ingrediente ao conflito. Se confirmado que um assessor especial do próprio gabinete da prefeita criticou internamente a condução da reforma, a crise deixa de ser apenas externa, entre governo e servidores, e passa a revelar possível desconforto dentro da própria estrutura administrativa.

Esse ponto é central. Uma coisa é a oposição criticar. Outra é um nome ligado ao núcleo do governo, herdado da gestão anterior e mantido no gabinete, ser citado por servidores como alguém que teria discordado da prefeita justamente no ponto mais delicado da gestão.

Fernando Henrique é nome antigo no gabinete

Fernando Henrique Costa de Oliveira possui histórico dentro da Prefeitura de Divinópolis.

Em 2021, ainda no início da gestão Gleidson Azevedo, ele apareceu nomeado como Assessor Especial de Gabinete. Já em decreto publicado na segunda gestão de Gleidson, também constou como ocupante do cargo de Assessor Especial de Gabinete.

Em março de 2026, com Janete Aparecida já no comando da Prefeitura, o nome de Fernando Henrique voltou a aparecer na nova equipe de governo, novamente vinculado à Assessoria Especial do Gabinete.

Isso reforça o caráter político do episódio. Não se trata de servidor recém-chegado ou de pessoa sem trânsito no governo. Trata-se de alguém que, segundo registros públicos, compôs o núcleo de confiança do gabinete em diferentes momentos da administração.

A frase que incomoda: “tem dinheiro em caixa”

A declaração mais sensível atribuída a Fernando é a de que “tinha dinheiro em caixa sim”.

Essa frase atinge diretamente a comunicação do governo sobre a necessidade da reforma. A Prefeitura tem defendido que o Diviprev enfrenta situação grave e que medidas duras precisam ocorrer para preservar o instituto, os salários e os serviços públicos.

Quando um assessor especial, segundo relatos de servidores, teria dito que há dinheiro em caixa, a afirmação cria ruído dentro da narrativa oficial.

É importante separar os pontos. Ter dinheiro em caixa na Prefeitura não significa, automaticamente, que o Diviprev esteja equilibrado atuarialmente. Previdência municipal envolve projeções de longo prazo, obrigações futuras, déficit atuarial e regras específicas.

No entanto, politicamente, a frase tem impacto imediato. Para os servidores, ela reforça a suspeita de que o governo estaria usando um discurso de emergência para justificar medidas duras contra a categoria.

“Covardia” amplia desgaste com servidores

Outro ponto explosivo é o uso da palavra “covardia”, atribuída a Fernando em um dos relatos.

Segundo o áudio, ele teria dito que o que Janete estaria fazendo com os servidores é “covardia”.

A palavra dialoga diretamente com o sentimento da categoria, que acusa a Prefeitura de tentar impor mudanças previdenciárias sem diálogo suficiente, com ameaça de perdas e alteração de regras para trabalhadores ativos e aposentados.

Nos últimos dias, servidores aprovaram estado de greve, lotaram a Câmara Municipal e passaram a pressionar vereadores para que a reforma não tramite de forma acelerada. O próprio presidente da Câmara, Israel da Farmácia, afirmou ao Divinews que o projeto não será votado “a toque de caixa”.

Nesse ambiente, um áudio atribuindo crítica semelhante a um assessor do governo funciona como combustível político.

Crise do Diviprev já provocou racha público

A reforma do Diviprev virou a principal crise política da administração Janete.

A Prefeitura afirma que precisa agir para evitar colapso previdenciário. Servidores sustentam que a proposta penaliza a categoria, cobra sacrifício de quem já contribuiu por anos e não explica suficientemente as responsabilidades da própria gestão municipal.

A tensão cresceu quando a categoria aprovou estado de greve em assembleia e decidiu ocupar a Câmara de Divinópolis. Desde então, vereadores, sindicatos, especialistas e servidores passaram a se manifestar publicamente sobre o tema.

O Divinews também ouviu advogado especialista em Direito Previdenciário, que contestou a narrativa de “rombo” imediato e defendeu a distinção entre déficit atuarial e dinheiro em caixa. A discussão, portanto, já vinha girando justamente em torno da diferença entre crise previdenciária de longo prazo e uso político do medo financeiro.

Agora, a fala atribuída a Fernando Henrique reacende esse debate por dentro do próprio governo.

Assessor teria confidenciado saída a servidores

Segundo os arquivos obtidos pelo Divinews, servidores relatam que Fernando Henrique estaria deixando o governo.

Em um dos áudios, o interlocutor afirma: “o Fernando, o advogado lá da Prefeitura, lá da Janete, ele está saindo”. A pessoa sugere que o Divinews tente entrevistá-lo para entender os motivos da saída.

Em outro trecho, há relato de que ele teria falado na porta da Prefeitura que estava saindo e que discordava da condução de Janete.

A saída, se confirmada oficialmente, terá forte simbolismo. Em meio à crise do Diviprev, a eventual baixa de um assessor especial ligado ao gabinete reforçaria a percepção de que o desgaste ultrapassou a fronteira dos sindicatos e chegou ao núcleo político-administrativo da prefeita.

Governo Janete fica diante de uma pergunta incômoda

A partir dos áudios, a pergunta política é inevitável: existe divergência interna no governo sobre a forma como Janete conduz a reforma do Diviprev?

A Prefeitura pode sustentar que as falas atribuídas ao assessor não correspondem à posição oficial. Também pode dizer que a situação financeira do município e do Diviprev precisa de análise técnica, não de comentários informais.

Ainda assim, o estrago político está posto.

Em crises administrativas, bastidores pesam. Quando servidores ouvem de alguém próximo ao gabinete que haveria dinheiro em caixa e que a medida contra a categoria seria covardia, a confiança no discurso oficial diminui.

Contraditório

O Divinews ressalta que o conteúdo divulgado tem como base áudios obtidos pela reportagem, nos quais servidores relatam falas atribuídas a Fernando Henrique Costa de Oliveira. Até o fechamento desta matéria, o espaço permanece aberto para manifestação de Fernando Henrique, da prefeita Janete Aparecida e da Prefeitura de Divinópolis.

Caso os citados apresentem esclarecimentos, respostas, documentos ou contestem o teor dos relatos, o Divinews atualizará a matéria com o devido contraditório.

Crise ganha novo personagem

A reforma do Diviprev já havia colocado servidores, sindicatos, vereadores e Prefeitura em rota de colisão.

Agora, o caso ganha um novo personagem: um assessor especial do Gabinete da prefeita, com histórico na gestão Gleidson e mantido na estrutura de Janete, citado em áudios como alguém que teria discordado da condução do governo e falado em saída.

Se confirmado, o episódio é politicamente grave.

A prefeita tenta convencer a cidade de que não há alternativa à reforma. Os servidores dizem que não aceitarão pagar a conta sozinhos. A Câmara promete estudar o projeto. E, no meio desse ambiente incendiado, surge um áudio atribuindo a um integrante do próprio governo a frase que mais ecoa entre os servidores: há dinheiro em caixa e o que está sendo feito é covardia.

O Diviprev deixou de ser apenas uma disputa previdenciária. Virou o teste mais duro da coesão interna do governo Janete.

Continua depois da publicidade

comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🛈 Aviso sobre comentários no Divinews

Os comentários publicados nesta página são de inteira responsabilidade de seus autores. O Divinews Portal de Notícias Ltda não se responsabiliza pelas opiniões, acusações, ofensas ou informações expressas por terceiros.

Comentários que contenham conteúdo difamatório, injurioso, racista, discriminatório, ameaçador ou que incentivem a violência poderão ser removidos sem aviso prévio.

Em caso de requisição judicial, o Divinews fornecerá às autoridades competentes as informações de identificação do usuário, incluindo o endereço de IP da máquina utilizada, conforme prevê a legislação brasileira.

Continua depois da publicidade

artigos  relacionados