Um morador de Divinópolis procurou o Divinews para relatar o que considerou uma resposta grosseira do prefeito Gleidson Azevedo (Novo), após ter ligado para o chefe do Executivo pedindo que fossem podadas árvores que estariam obstruindo a via pública em seu bairro.
O morador disse que apenas quis alertar sobre o risco de acidentes, já que um caminhão havia se chocado contra os galhos na Rua Leopoldo Corrêa, em frente ao número 210, mas se surpreendeu com o tom de deboche na resposta do prefeito.
“Ô prefeito, de sua ajuda, sobre essas duas árvores aí, o pau delas, atrapalhando o trânsito aqui na rua. Acontece acidente, caminhão só passa no meio. Tá complicado”, relatou o morador durante a conversa gravada por ele.
Prefeito ironiza pedido e critica população
Na resposta, Gleidson ironizou o pedido e generalizou o comportamento da população de Divinópolis, afirmando que o “dinopolitano só pensa em cortar árvore e furar fila do SUS”.
“Infelizmente, na cabeça do dinopolitano, aqui é só colocar quebra-mola, cortar árvore, furar a fila do SUS. Pelo amor de Deus. A gente tem que mudar essa mente”, respondeu o prefeito.
O prefeito prosseguiu dizendo que não possui “autonomia para mandar cortar árvore” e orientou o morador a procurar o Corpo de Bombeiros ou a Defesa Civil.
“Você tem que chamar o Corpo de Bombeiros ou Defesa Civil. Eu não tenho autonomia em árvore, não. Não é porque eu sou prefeito que eu mando as pessoas chegarem e podar. Se for risco de queda, protocole na prefeitura e peça o serviço”, afirmou.
Morador rebate e diz que foi tratado com grosseria
O morador, rebateu o prefeito dizendo que sempre cuidou das árvores em frente à sua casa e que o pedido não tinha relação com desmatamento.
“Eu sou a favor de árvores, sim. Tenho três na minha porta, cuido delas. Só pedi ajuda porque elas estão invadindo a rua. Aconteceu um acidente lá. Não sou contra árvore, mas o senhor foi grosseiro, mal educado comigo”, desabafou.
Ele disse ainda ter ficado decepcionado com o comportamento do gestor.
“Eu esperava compreensão, não ironia. Se o prefeito deixa o número dele público, é porque quer ouvir o povo. Mas o povo precisa ser tratado com respeito.”
Prefeito pede para população “não ligar por coisas bobas”
Durante entrevista concedida a uma emissora de rádio na manhã desta sexta-feira (3), o prefeito Gleidson Azevedo reforçou que tem recebido muitas ligações pessoais e pediu para que os cidadãos não liguem por “coisas bobas”, citando brigas entre vizinhos como exemplo.
Para parte da população, o comentário soou como desprezo às demandas cotidianas dos bairros, já que muitas solicitações simples , como poda de árvores, tapa-buracos e troca de lâmpadas, são justamente obrigações básicas da administração pública.
O caso reacende debate sobre atendimento direto do prefeito
Gleidson Azevedo mantém o número do seu celular pessoal divulgado publicamente desde o início do mandato, como forma de “aproximar o cidadão da Prefeitura”. No entanto, episódios como esse reacendem o debate sobre o limite entre a acessibilidade e a falta de filtro administrativo.
Alguns argumentam que, em vez de pedir que as pessoas “não liguem por bobagens”, o prefeito poderia reforçar os canais institucionais de atendimento e melhorar a resposta às solicitações básicas da população.
Enquanto isso, o morador envolvido no caso diz que não pretende mais ligar para o prefeito:
“Eu só pedi a poda das árvores porque elas estão invadindo a rua. Agora vou esperar que a Prefeitura veja a situação e resolva. Eu fiz minha parte.”






