O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) instaurou em 23 de setembro de 2025 um procedimento investigatório para apurar denúncias de assédio moral supostamente cometidas pela deputada estadual Andreia de Jesus (PT) contra servidores de seu gabinete na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
Segundo informações apuradas pelo Estado de Minas, as queixas contra a parlamentar foram feitas em diversos órgãos, incluindo a Ouvidoria da ALMG e a direção estadual do Partido dos Trabalhadores (PT). O objetivo da investigação do MP é reunir provas e depoimentos que esclareçam as circunstâncias e a veracidade das acusações.
Denúncias e repercussão
Os primeiros relatos surgiram em fevereiro de 2024, quando uma ex-servidora do gabinete da deputada publicou nas redes sociais que teria sido vítima de violências verbais, pressões psicológicas e humilhações públicas.
Segundo a ex-assessora, a parlamentar a teria exonerado sem aviso prévio e a exposto a constrangimentos em reuniões e mensagens de áudio. Após a repercussão do caso, Andreia de Jesus tirou 30 dias de licença médica, mas à época não se pronunciou publicamente.
A denúncia repercutiu fortemente no meio político, especialmente pelo fato de Andreia integrar a Comissão de Direitos Humanos da ALMG, onde atua em pautas ligadas à defesa das minorias, igualdade racial e combate à discriminação.
Setores do PT em Minas Gerais afirmam que aguardam o resultado do procedimento do MPMG para se manifestar oficialmente. O caso, contudo, já movimenta bastidores e provoca desconforto dentro do partido, tradicionalmente identificado com causas de proteção trabalhista e combate ao assédio.
Nota de esclarecimento do gabinete da deputada
Em resposta a questionamentos do Divinews, o gabinete da deputada Andreia de Jesus enviou uma nota de esclarecimento, repudiando as acusações e classificando-as como tentativa de perseguição política.
A íntegra da nota afirma:
“Recebemos com surpresa e indignação a informação de que veículos de imprensa estão noticiando denúncias imputadas à Deputada Estadual Andréia de Jesus (PT/MG). As denúncias ainda não foram sequer apuradas pelos órgãos competentes, e a parlamentar não teve, até o momento, o direito de apresentar sua defesa no foro adequado, conforme asseguram os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa.”
Continua depois da publicidade
A nota acrescenta que o nome e o legado da parlamentar estão sendo atacados “sem que os fatos sejam devidamente apurados”, e que a trajetória da deputada é marcada pela defesa dos povos tradicionais, comunidades quilombolas e direitos humanos em todo o estado.
“Reafirmamos que o teor dessas denúncias carece de verdade e se trata, na realidade, de uma tentativa de perseguição política, que se intensifica à medida que se aproxima o período eleitoral.”
O texto também enfatiza que o mandato da deputada é conduzido com ética e compromisso social, e que todas as alegações serão tratadas na Justiça com serenidade e transparência.
“Não é de agora que tentam deslegitimar o trabalho de uma mulher negra, parlamentar combativa e comprometida com a justiça social. Seguimos firmes, de cabeça erguida e consciência tranquila.”
Print da Nota
Próximos passos
O MPMG informou que segue coletando documentos e depoimentos para decidir se o caso resultará em uma investigação formal ou se será arquivado por ausência de indícios concretos. O órgão ressaltou que a apuração corre sob sigilo, respeitando o direito das partes envolvidas.
Enquanto isso, o episódio coloca em debate o ambiente interno dos gabinetes parlamentares e as relações de trabalho dentro da Assembleia Legislativa. Casos recentes envolvendo denúncias semelhantes têm levado a discussões sobre limites da autoridade política e condições de trabalho dos assessores parlamentares.







