O autor das mensagens também teria mencionado informações pessoais de Ana e de integrantes de sua família. O caso foi registrado em boletim de ocorrência em Divinópolis, com os fatos inicialmente classificados como ameaça e injúria racial, tendo o racismo como causa presumida – A deputada estadual Andréia de Jesus (PT) tomou providências após tomar conhecimento das ameaças racistas, de morte e de violência sexual recebidas pela candidata a deputada federal Ana Elisa, também pelo Partido dos Trabalhadores. Segundo a equipe da parlamentar, foram encaminhados ofícios a diferentes órgãos competentes, cobrando a apuração dos ataques, a identificação dos responsáveis e medidas de proteção a Ana Elisa.
De acordo com a avaliação jurídica da campanha de Ana Elisa, o conteúdo apresenta indícios de racismo e violência política contra a mulher. As ameaças fazem referência à atuação política da candidata e, segundo a equipe, buscam intimidá-la e constranger sua participação no processo eleitoral por ser uma mulher negra.
Assim que tomou conhecimento do episódio, Andréia de Jesus encaminhou o caso ao Ministério Público de Minas Gerais e ao Ministério Público Eleitoral, por meio da Procuradoria Regional Eleitoral em Minas Gerais. A equipe da parlamentar também informou o acionamento da Delegacia Especializada de Investigação de Crimes de Racismo, Xenofobia, LGBTfobia e Intolerâncias Correlatas (Decrin), da Delegacia Especializada de Investigação de Crimes Cibernéticos e da autoridade policial competente na comarca relacionada aos fatos.
Para Andréia de Jesus, o episódio não pode ser tratado de maneira isolada e representa mais uma tentativa de silenciar mulheres negras que ocupam e disputam espaços de poder político.
“Isso tem nome: chama-se racismo. Eu senti na pele o que Ana Elisa está passando. Já recebi mais de 4 mil ameaças, das mais diferentes formas. Por isso, logo que soube, acionei os órgãos competentes. Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que essa jovem tenha segurança para continuar suas atividades e exercer plenamente seu direito de participar da política”, afirma.Ao falar sobre o ocorrido, Ana Elisa declarou: “Quem mandou aquelas mensagens não estava falando comigo. Estava falando com toda mulher negra que pensa em se candidatar, e o recado é para desistir antes de tentar. Foi por isso que denunciei, e é por isso que sigo na rua até 4 de outubro”
Andréia reforça que ameaças, perseguições e ataques racistas contra mulheres na política exigem respostas rápidas das instituições públicas. Para a parlamentar, garantir a segurança de Ana Elisa e responsabilizar os autores é também defender o direito das mulheres negras de participar da vida política sem serem submetidas à violência como instrumento de intimidação e silenciamento.
A deputada também está solicitando que Ana Elisa seja acompanhada pelo Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos de Minas Gerais.
Combate a violência política de gênero
Na linha de frente da defesa da participação das mulheres na política, Andréia de Jesus é uma das autoras da Lei Estadual nº 24.466/2023, a primeira legislação estadual do país voltada especificamente ao enfrentamento da violência política contra as mulheres. A lei nasceu da necessidade de enfrentar uma realidade que ainda tenta expulsar mulheres dos espaços de poder por meio de ameaças, ataques, constrangimentos e silenciamentos — violência que se torna ainda mais cruel quando atinge mulheres negras. Para Andréia, ocupar a política também é enfrentar quem não aceita ver mulheres, especialmente mulheres negras, decidindo os rumos de Minas Gerais.






