O prefeito de São Sebastião do Oeste, Rômulo Beirigo, publicou decretos concedendo gratificações a servidores municipais, algumas chegando a representar 40% de aumento nos salários. Segundo denúncias, os beneficiados seriam justamente cabos eleitorais que apoiaram o prefeito durante a campanha. Oficialmente, os decretos justificam os pagamentos como compensações por “funções especiais de trabalho”. No entanto, fontes afirmam que os servidores seguem desempenhando as mesmas funções de antes, gerando indignação entre colegas e a população.
Contrato de R$ 43 mil para lanches
Antes mesmo das gratificações, o médico veterinário Mateus Veterinário questionou um contrato de R$ 43 mil para compra de salgados, refrigerantes, sucos e pães de queijo pela prefeitura.
“Queremos saber onde e por quem foram consumidos esses lanches. Os servidores de salários baixos, que trabalham diuturnamente pelo município, certamente não foram. Muitos não ganham nem um pão com manteiga. Enquanto isso, outros, já com salários altos, têm gratificações, diárias e ainda desfrutam desses benefícios pagos com dinheiro público”, criticou.
Insatisfação entre servidores
A insatisfação aumentou após a publicação dos decretos de gratificação. Mateus saiu em defesa dos funcionários que não receberam bônus.
“Isso desvaloriza os demais funcionários. Enquanto alguns, já com salários altos, recebem 40% de aumento, outros não têm nenhum benefício”, afirmou.
Ele também ressaltou que a prefeitura não oferece vale-alimentação nem vale-transporte, direitos comuns em cidades vizinhas. “Cobramos isso há tempo, mas a resposta do prefeito é sempre a mesma: falta de recursos. Porém, para alguns gastos, dinheiro não falta”, completou.
Outras denúncias sobre gastos
Mateus ainda criticou outras despesas do Executivo municipal:
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Horas extras: o motorista Eduardo chegou a receber R$ 18 mil em um único mês, enquanto colegas da mesma função recebiam menos de R$ 6 mil.
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Acidente com ambulância: após uma batida com veículo oficial conduzido por Eduardo, a polícia não foi acionada no momento do acidente e a perícia não foi realizada. O boletim só foi registrado no dia seguinte, diretamente no posto policial.
“Era necessário acionar a polícia, fazer perícia e registrar a ocorrência. Mas isso não aconteceu. Por quê? O que havia de errado que não poderia ser visto pela polícia no local?”, questionou. Mateus ainda destacou que a ambulância segue sem atender à população.
Apoio aos servidores prejudicados
Em sua defesa aos funcionários, Mateus orientou:
“Ou o prefeito concede aumento para todos os funcionários, ou para nenhum. Estou com vocês. Se ele faz seleção e valoriza apenas alguns, a partir de hoje vocês devem entregar apenas o que é obrigação. Tudo aquilo que vão além do contrato, não façam mais. O estatuto é claro: o servidor deve exercer a função para a qual foi contratado no concurso. O que é extra, vocês não são obrigados a fazer.”
Prefeito “deu sorte” na eleição, afirma Mateus
Mateus destacou ainda que se tivesse sido eleito vereador, a situação seria diferente:
“O prefeito deu sorte. Fui o sexto candidato mais votado na eleição, tive mais votos que quatro vereadores que hoje ocupam a Câmara. Se tivesse sido eleito, minhas cobranças seriam muito mais incisivas e eu já teria apresentado projeto para garantir auxílio-alimentação e vale-transporte para todos os funcionários do município”, declarou.
Apelo à fiscalização e à população
Por fim, Mateus pediu que os vereadores cumpram seu papel de fiscalização. Ele alertou que faltam medicamentos na farmácia municipal e há longas filas para exames e consultas, enquanto recursos são direcionados a gratificações, contratos de lanches e diárias.
“Esse dinheiro é do povo e deve voltar para o povo. Será que essas pessoas conseguem dormir tranquilas enquanto parte da população não tem sequer acesso ao básico, como remédios e exames?”, questionou Mateus Veterinário.






