O Ministério Público determinou a suspensão imediata de pagamentos irregulares feitos pela Prefeitura de São Sebastião do Oeste. A decisão surgiu após denúncia apresentada pelo médico veterinário Mateus.
Mateus, que disputou uma vaga na Câmara e recebeu votação superior à de quatro parlamentares eleitos, não assumiu o mandato devido às regras da legenda. Mesmo fora do Legislativo, ele se manteve atento e percebeu um ato que chamou de grave, o chamado apostilamento. Esse benefício, sem previsão legal, concedido a três servidores municipais.
Apesar do alerta, o Executivo publicou os decretos nº 1644/25, 1649/25 e 1657/25, garantindo vantagens financeiras a Antônia Aparecida de Melo Morais, Claudiano Júnior Tavares e Neuza Helena Meireles.
Entre os beneficiados está o vereador Claudiano Júnior Tavares, que já recebe salário da Câmara e também como professor. Para Mateus, a situação representa um desrespeito direto à população. Ele lembra que o município sofre com a falta de medicamentos e com a demora em exames essenciais.
“Enquanto a população sofre, alguns tentam garantir benefícios ilegais. É imoral e injusto. Quem paga essa conta é o povo que mais precisa”, afirmou o veterinário.
Segundo Mateus, se a denúncia não tivesse sido protocolada, os pagamentos irregulares poderiam continuar de forma vitalícia. O impacto financeiro ultrapassaria R$ 100 mil por ano nos cofres públicos. Para ele, no entanto, a questão vai além dos números. Ele associa o dinheiro desviado a vidas que poderiam ser salvas, a famílias que poderiam ter mais dignidade e a serviços básicos que poderiam ser garantidos.
Mateus relata que sofre perseguição política e já responde a dois processos movidos pelo prefeito. Apesar disso, ele mantém a determinação em continuar atuando pela fiscalização.
“Podem mover quantos processos quiserem, mas vou ser absolvido de todos. Tudo o que digo é verdade e tenho provas. Não vou me calar. Vou defender a população de São Sebastião do Oeste até minha última gota de sangue. Meu compromisso é com o povo, com quem votou em mim e com quem não votou”, garantiu.
Mateus também rebate críticas que tentam classificá-lo como opositor da atual gestão. Ele afirma que não atua contra, mas a favor da cidade. O que não aceita, segundo ele, ver recursos que deveriam ser destinados à população sendo aplicados de forma incorreta.
“Não sou oposição. Defendo apenas que o dinheiro público seja usado corretamente e que chegue a quem realmente precisa”, destacou.
A decisão do Ministério Público determina que os pagamentos concedidos pelos decretos fiquem suspensos até a análise definitiva da legalidade do apostilamento.






